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03 julho 2014

Meu momento ''machista''


SÓ A GENTE SE ESFOLA?
De vez em quando escuto algumas coisas e fico me perguntando se as pessoas estavam de brincadeira e eu não entendi.

Meu irmão estava com meu primo no Skype, falando do casamento de outro primo que acontece na semana que vem. E não sei o motivo porque não escutei a conversa inteira, apenas a frase solta do meu primo que disse ''meu casamento está dando certo porque eu sou um homem feminista''.

Nossa, surtei quando escutei isso. Casamento dando certo? Ora, são apenas dois anos, não é uma vida inteira juntos.

E da onde ele tirou que é um homem feminista? Essa parte é complexa, onde eu entendo que feminismo é a luta pela igualdade os homens entendem que a mulher é a ''agente facilitadora'', vulgarmente conhecida como ''ela que se lasque''.

E tão distorcida a ideia que os homens têm do feminismo que eu acabo reagindo de maneira machista, de tão revoltada que fico.

Meu primo é um exemplo claro da nova geração, cresceu vendo minha tia trabalhar em casa e fora dela, ele tem menos de quarenta anos, se formou e conseguiu um bom emprego em uma multinacional. Mas não deu certo porque ele se cansou depois de três anos, achou o esquema sufocante e queria ser livre, pois é, essa liberdade que nos mulheres não conhecemos nem em sonhos, no mundo machista eles têm espaço para fazer o que quiserem, porque são homens e sabem fazer o melhor.

Então ele abriu sua empresa na casa da mamãe, uma casa bonita, espaçosa e sua sala tem janelas que dão para um jardim. Decidiu se casar e escolheu uma moça de carreira firme, ou seja, emprego garantido. Não sei quem pagou o casamento, mas eles estavam tão apaixonados que não pensaram nem em economizar e comprar uma casa, foram direto ao aluguel. Não preciso ser bruxa para adivinhar quem paga o aluguel, já que a empresa do meu primo está começando.

Ela engravidou logo e fez o que todas as mulheres fazem, trabalhou até o último dia, para tentar ficar mais tempo em casa. Depois que a licença maternidade acabou ela voltou a sua rotina. Isso inclui acordar super cedo, alimentar o bebê, colocar ele e seu marido no carro e levar para a casa da minha tia que fica perto, apenas dez minutos. Ela deixa meu primo lá, minha tia cuida do bebê o dia inteiro, sem receber nada por isso e a moça vai dirigindo ao seu emprego durante uma hora. Enquanto isso meu primo abre sua sala e começa a trabalhar. Minha tia está aposentada e faz o almoço dele, que tem que ser feito com muito cuidado, ele é vegetariano e não gosta de frituras, não sabe cortar uma cebola, mas sabe dar bronca se a comida não fica boa e minha tia morre de medo dessas broncas.

Quando o dia termina e meu primo está exausto de tanto trabalhar, sua esposa passa e pega ele e o bebê, e vai correndo para sua casa para amamentar a criança. Às vezes minha tia se estressa, porque a moça pega trânsito e leva duas horas para chegar pelo marido e pelo bebê, então minha tia tem que amenizar e fazer o jantar, caso contrário meu primo fica mal humorado porque não gosta de comer fora dos seus horários.

A moça pega eles e leva para casa, imagino que chegando lá troca o bebê, dá banho, coloca pra dormir e se prepara para outro dia. E tenho certeza que ela acredita que casamentos são assim, principalmente no começo, cheio de coisas para fazer, mas isso é apenas escravidão com a benção da Igreja, casamento é a união de duas forças, não a anulação de uma.

E meu primo se diz feminista porque apoia a mulher na sua carreira. Mas eu duvido que depois de um dia cheio de trabalho ele faça as tarefas da casa, conheço a peça, não sabe nem ligar a máquina de lavar roupas.

Nesse ponto da história vem à tona minhas últimas gotas de machismo. Acho que vai levar tempo até chegarmos a igualdade e levando em conta a cultura latina de exploração a mulher acredito que todos os homens deveriam trabalhar de quinze a dezoito horas por dia e dormir em pé, é o único jeito de me convencerem que não exploram uma mulher, porque caso contrário as mulheres viraram agentes facilitadoras da vida deles.

Na minha cabeça não é uma mulher que está amamentando que tem que dirigir durante uma hora para pegar o marido, nesse aspecto minha educação machista prevalece. Mas não tenho pena dela, meu primo nunca usou armas e ela casou porque quis, se ela fosse consciente dos seus direitos estaria levando a mesma vida, se dividindo entre o filho e a carreira, mas sem carregar o encosto do meu primo junto. Ela deveria ter esperado ele se estabelecer na empresa e não sair pagando um aluguel, que está nas costas dela, porque ele ''está começando'', ora e por acaso ela é mãe dele? Problema dele que está começando, que trabalhe mais, faça bicos, se vire, mas que coloque dinheiro na mesa.

Ser uma agente facilitadora gera um movimento contrário, os homens se dedicam a complicar mais a vida de quem facilita a deles, a mulher do meu primo fez tudo errado, deveria ter procurado um homem que se mexesse mais, tudo bem, eu entendo a moça, nos dias de hoje esses mimizentos são a maioria, não querem empregos que apertem, querem ter tempo para sair e manter sua vida pessoal, não querem ser escravos, mas e a mulher? Que se lasque! Meu primo não quer fazer bicos, mas eu duvido que sua mulher quer dirigir na agonia correndo para amamentar o filho.

Nesse ponto sou machista e não vou recuar, pelo menos até os dias da igualdade chegarem, mas me recuso a ser agente facilitadora da vida de marmanjos, não acho vida para ninguém sair dirigindo pensando no filho que precisa do leite enquanto o Romeu está na casa da mamãe comendo sua comida vegetariana.

É muito fácil para eles, esse feminismo parece ideal, mas eu me mantenho no meu aspecto machista em relação a exploração da mulher, já que vamos ser exploradas então quero ver eles trabalhando como escravos, sem folga, porque a mulher do meu primo não tem folga.


E vai ter gente me enchendo o saco dizendo que estou presa a ''clichês de gênero'', mas eu posso dizer que ser escrava de homem não tem nada de clichê. E digo mais, já passei dos trinta e nunca, nunca, nunca na minha vida vi um homem trabalhar como uma mulher trabalha, jamais assisti uma cena dessas. Dizem que esse meu pensamento de achar que homens devem trabalhar para recompensar a sociedade da falta de igualdade é uma perpetuação da violência. Mas as chances foram dadas, as mulheres têm anos lutando pela igualdade e não conseguem avançar, então se os homens não vão ajudar nisso que paguem as consequências de uma sociedade desigual e isso significa trabalhar sem tempo livre. Como sou humanista voto pela igualdade, prefiro ver o mundo se transformar na Suécia do que na China, acho melhor que todos possam ser iguais, com os mesmos direitos e obrigações, mas se os homens não querem, tudo bem, é só ir começando a pegar na enxada e deixar de ser esse bando de ''molengas''. Querem viver em uma sociedade que tritura as mulheres? Que sejam triturados também. Que exista pelo menos igualdade na desgraça.

Iara De Dupont

3 comentários:

Nathália S. disse...

Não acredito em homem feminista, acredito em homens pró-feminismo, pois eles nunca saberão o nosso lado, nunca sentirão na pele a opressão que sentimos no cotidiano, apesar de poderem ser simpatizantes da causa.
É muito cômodo deixar tudo nas costas da mulher. Como falei, ele pode até se achar feminista por apoiar que a mulher trabalhe fora, mas não tem a dimensão da sobrecarga que ela tem, nunca sentirá na pele

Patrícia disse...

Pior que este tipo de vida que a esposa do seu primo leva é a vida que praticamente todas as mulheres casadas e com filhos levam. Tenho horror só de pensar em viver assim, fico até arrepiada, sério!
Eu pego ônibus lotado todos os dias voltando do serviço, e eu sou por mim, não tenho filho nem marido, e mesmo assim já fico cansada, sem tempo e nervosa com esta rotina. Fico olhando para as mulheres que estão ali, do meu lado, na mesma situação, que tem filhos e marido, e penso, como suportam? Como tem coragem ainda de casar e ter filhos, sendo só eu já é tão cansativo. Mas eu concordo, com voce, não são coitadas, vivem assim porque escolheram, ninguém obrigou a casar e ter filho. Quando leio relatos assim só consigo pensar numa coisa, eu sou feliz! E não quero isso para mim. Porque se tão cedo a mentalidade não muda, eu prefiro ficar longe disso.

Anônimo disse...

Misericórdia... meu pai sempre foi cabeça-dura e meio machista, mas se tinha uma coisa que ele sabia era se virar nos trinta. Minha mãe era enfermeira e na época em que eles se casaram meus avós decidiram não ajudar em casa. Resultado: o coroa lavava, passava, cozinhava e cuidava dos filhos quando voltava do trabalho. Claro que com dois pais trabalhando pra sustentar a casa, sobrava muito pras minhas avós cuidar da gente durante o dia, mas quando o pai chegava, era ele quem tinha que fazer tudo. Hoje ele se vira muito bem sozinho e não explora a atual namorada. Que falta faz essa educação que ensina os filhos a se virarem sozinhos...

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