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12 julho 2014

Programa ''Me leva contigo'': o lado raso da vida





Tive um professor que dizia que todas nossas emoções eram criadas e manipuladas para obedecer a uma ordem, como a teoria da conspiração diz. Segundo ele nossos sentimentos são primários e vamos reagindo conforme nos manipulam com filmes, livros e tudo que nos rodeia.

Cresci na época do ''amor eterno'', ''metade da laranja'', ''alma gêmea'', ''amor a primeira à vista'' e em menos de dez o mundo mudou radicalmente, não é tão ruim assim, as relações saíram da casa da eternidade para a superficialidade, mas isso pelo menos libertou as mulheres.

Por onde vejo sobra essa parte rasa e rápida da humanidade, principalmente na televisão. Nos anos setenta e oitenta as mocinhas da novela começavam suspirando com o galã e terminavam com ele, hoje começando gostando de um e dependendo do público ficam com outro, mas antes disso beijam alguns no meio do caminho.

E hoje de novo estava assistindo um programa na Record, ''Me leva contigo'', onde um homem vai lá e trinta mulheres analisam se gostam ou não dele, depois algumas escolhem o rapaz e no fim ele decide com quem quer sair.

É a segunda vez que assisto o programa, a primeira não gostei porque das trinta mulheres ali todas são magras e peguei bronca.

Mas reparei em uma coisa na primeira vez e agora na segunda. Os homens que vão ao programa são muito jovens, mas ainda assim não é desculpa. Antes das mulheres escolherem eles passam um vídeo onde o rapaz conta um pouco sobre sua vida. Tanto os que vi na primeira vez como nesta nenhum rapaz abre um livro, nem escuta uma música, todos falam a mesma coisa, que cuidam do corpo, gostam dos amigos, mamãe cozinha pra eles e são vaidosos.

Desde que o programa começou se espalharam boatos de que era armado, já que a maioria das mulheres e homens que estão ali são modelos. Sempre teve fofoca de armação e não duvido, televisão não é lugar de improviso, custa milhões e sempre é bom ter as coisas sob controle.

Mas venho percebendo isso fora dela, esse excesso de cuidados masculinos com a aparência e o vazio cultural. A quantidade de homens no mundo circulando que sabem mais sobre gel para o cabelo e nada sobre livros é impressionante.

No programa e na vida real tenho visto muito isso, um zero interesse por literatura, cinema bom, música e cultural em geral.

Não digo que todos os homens são assim porque não conheço todos, mas a grande maioria que tenho visto navega muito em águas rasas.

E deve ser coisa de época mesmo, na minha existiam três produtos para o cabelo de uma adolescente, xampu, condicionador e um gel transparente com uma purpurina. E tinha uma marca de cosméticos, Coty Girl, que vendia dois batons, um dourado e um violeta-prateado.

Hoje existem milhões de marcas com cosméticos para adolescentes e minha vizinha de dez anos usa mais de quinze produtos no cabelo, segundo suas contas e sabe para que funciona cada um. São tantas opções que para poder conhecer um pouco de cada uma a nova geração não perde tempo, passa rapidamente por tudo, de maneira rasa e pouco eficiente, incluindo os relacionamentos.

E idade não tem nada a ver com interesse pela cultura, conheci muitos meninos de dezoito anos na minha época que adoravam livros e cinema.

Ficou tudo tão raso que se o programa ''Me leve contigo'' não fosse armado eu continuaria com dificuldade de entender, estaria ali e pensando em escolher um namorado para mim, mas como saber quem tem alguma coisa em comum se todos são tão superficiais? Eu teria que me decidir entre o rapaz que malha, que cozinha ou que cuida da pele? Tudo é muito superficial pra mim, ficaria perdida ali no meio de tantos detalhes inúteis.

E volto ao mesmo ponto, não tenho nada contra a superficialidade, nem o lado fútil do ser humano, o problema sou eu que ainda não me adaptei e não me sinto à vontade com homens que só falam deles e de seus produtos de beleza.

Já namorei um que sabia mais de produtos de cabelo do que eu, aprendi muito com ele, foi a primeira vez que entrei em uma loja de seis andares no centro de São Paulo especializada em cosméticos. Esse Romeu era obcecado com seu cabelo, mas era inteligente e culto, sabia tudo de teatro e sua conversa era ótima, então se escorregava e falava de ''máscaras para cabelo ressecado'' dava para relevar. Mas o contrário sempre me pareceu difícil, um homem sem nenhuma bagagem cultural e muitos produtos de beleza.

Não reclamo nem critico, os tempos são assim mesmo, eles mudam sem avisar e disso depende o suposto avanço da humanidade. Mas fiquei com a impressão de que alguns anos atrás os homens eram mais interessantes ou pelo menos pareciam. Hoje vejo tatuagens, cabelos perfeitos, corpos desenhados e peles hidratadas. Tudo muito fofo e lindo de olhar, mas o amor nunca foi sobre fofura e beleza, atormenta a humanidade há séculos porque transcende tudo isso ou pelo menos transcendia. Talvez até isso mudou.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Por isso aquela imagem do homem de sueter com camisa social por baixo,cabelo sem corte e olhar pensativo me fascina. A vida do homem é mais pratica que a nossa,mesmo quem mora sozinho,trabalha e estuda,nao precisaria se preocupar com cabelo,roupas e por isso poderiam ser mais cultos,mas essa especie esta em extinção,tem a geração que nasceu ha 20 anos,passado disso acho que os homens dessa geracao se dividirão entre os obcecados pela beleza e os obcecados por tecnologia,se ja esta dificil para as mulheres hojes esses tipos,imagina daqui ha 10,20 anos.


Anna

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