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26 julho 2014

A televisão e o ''apelo popular''



Algumas coisas são interessantes na cultura americana, uma delas é a simplicidade na qual dividem seus programas de televisão, no sistema capitalista deles um programa dá lucro ou não, fica assim eliminada uma terceira possibilidade.

Na televisão brasileira isso também é regra, no mundo inteiro é assim, minutos custam milhões em televisão e isso não dá margem para erros.

Mas no Brasil sempre aparece aquele fator ''vergonha'', alguma coisa que lembre que somos um país dividido, ainda vivendo como se tivéssemos nos tempos da corte portuguesa, de um lado os nobres e do outro os escravos e plebeus.

No momento a Globo exibe na faixa das nove da noite sua novela ''Império'', mas a anterior ''Em família'' foi um fracasso. O autor Manoel Carlos deu uma entrevista dizendo que a novela falhou porque não teve ''apelo popular''.

São essas duas palavras que mostram o abismo que prevalece neste país. Quando um programa falha dizem que não teve ''apelo popular'', ou seja, não atraiu os pobres.

A novela ''Em família'' não deu certo porque o público vinha em outro ritmo, e a novela era arrastada, mas mantinha o padrão Globo de qualidade, já que seu autor, Manoel, tem mais de quarenta anos escrevendo grandes obras, mas por diversas razões desta vez o público não acompanhou.

Mas no momento que a Globo percebeu que a novela estava afundando pediram ao autor para incluir um personagem da comunidade, assim ele circularia ali com seus amigos e isso seria um ''apelo popular'', já que na novela todos eram classe média e alta. Foi triste o jeito que mostraram a favela, era um lugar estranho onde todos que moravam ali pareciam dispostos a linchar quem entrasse. E a Globo se surpreendeu que mesmo com esse ''apelo popular'' a novela não arrancou.

Quem faz televisão sabe que depende da audiência, por isso o ''apelo popular'' parece importante, já que corresponde a classe C, a grande maioria deste país.

O que eu nunca entendi foi porque a Globo disse que a novela falhou por falta de ''apelo popular'', porque a emissora nunca fez nada considerado de ''apelo popular'' , é líder de audiência desde que existe e nunca precisou de nenhum apelo para se manter.

Já escutei que se o ''povão não gosta o programa afunda''. Essa é regra que emissoras como SBT, Record e Rede TV seguem ao pé da letra, por isso carregam naqueles quadros de pessoas que sofrem e ganham casas e prêmios. O ''povão'' vira o norte das emissoras, que correm atrás desse público.

É tão míope e elitista essa visão que as emissoras não percebem que as coisas mudaram. Todos perderam audiência, mas é porque hoje existem canais fechados, internet e aplicativos e as pessoas se distraem neles, não ficam mais grudados na televisão.

Todos os países tentam lidar com isso, é uma questão vital para as emissoras, como atrair o público novamente, mas aqui no Brasil se volta a esse ponto provinciano e limitado, se a audiência caiu é porque falta ''apelo popular''.

Em algum lugar um diretor da Globo disse que a televisão no Brasil era direcionada a pobres, porque ricos têm mais o que fazer do que assistir novela.

Dizer ''apelo popular'' é reforçar a ideia de que somos um país dividido entre ricos e pobres, é verdade, mas carregar nisso não vai ajudar em nada.

E quanto dura essa teoria de ''apelo popular''? Até a próxima. Depois da novela ''Em família'' a Globo colocou ''Império'', um novelão e a audiência voltou, porque a novela é acelerada e o público gostou. Em uma semana de exibição a novela recuperou os pontos perdidos no ibope e não apareceu até agora nada de ''apelo popular'', os personagens são milionários e vivem no seu mundo, não apareceu ninguém de comunidade. Mas até isso gente da Globo explica, dizendo que a classe C adora ver ricos na televisão, novamente puxando essa divisão. E ficam ali perdendo tempo para saber se é ou não ''apelo popular'', esquecem que o que dá audiência é o produto bem feito que atrai o público.

As emissoras estão perdendo tempo demais atrás desse fator ''apelo popular'', em vez de se concentrar em fazer as coisas bem feitas.

Essa nova novela da Globo, ''Império'' precisou de uma semana para provar isso, quando o produto é bom o público liga a televisão, não é questão de ser rico ou pobre, todo mundo gosta de uma boa novela, de um programa bem feito.

Dividir a audiência entre ricos e pobres é um resquício terrível da mentalidade que ainda se arrasta neste país, me surpreende ver que a televisão não é dividida em casa-grande e senzala. Ninguém fala em programas para a sinhá e o outro para a escrava. Mas dizer ''apelo popular'' é uma maneira disfarçada e ciníca de dizer que ainda somos um país de falsos nobres e escravos. Até na televisão aparece a linha que divide e atrasa este país.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Apelo popular... sei, incompetência agora mudou de nome, né? É só pensar um pouco: pra quê eu vou ficar assistindo programas idiotas, cheios de fofocas, baixarias e bundas ou então novelas que são sempre a mesma coisa (todo mundo assiste já sabendo como vai terminar) com a internet do meu lado, cheia de coteúdos variados, interessantes, com filmes e leituras pra todos os gostos enquanto a TV só oferece lixo? Não tem nem como fazer concorrência.

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