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01 julho 2014

A imunidade da ''pica''



Não sei se acontece apenas na minha família, mas é uma coisa que me irrita cada vez mais. Todas as mulheres são pressionadas a exaustão enquanto os homens são poupados de tudo.

Parte desse comportamento veio da minha avó, foi educada de maneira machista e limitada e apenas reproduziu isso. Ninguém parece se irritar, mas eu me irrito, porque isso produziu duas gerações de homens inúteis, imprestáveis e de mulheres cansadas.

Minha avó teve cinco filhas e nove netas. Sempre teve gente na sua casa, ela nunca obrigou ninguém a ajudar em nada, mas algumas filhas e uma ou outra neta ajudava, já os homens nunca se levantaram. Parece que eles trabalhavam fora e chegavam cansados, isso dava imunidade a eles, como eu sempre dizia, eles tinham a ''imunidade da pica'', parece que só por terem pênis não eram obrigados a mais nada.

Mas todas minhas tias e primas trabalham também, mas quem se importa com isso? Esperavam que elas saíssem dos seus trabalhos, passassem nos supermercados, comprassem comida e chegassem para cozinhar.

E vejo isso até hoje ao meu redor, homens se estressam e tem todo o direito do mundo de se jogar no sofá e não fazer nada, mas se a mulher fizer isso já começam a perguntar o que está acontecendo com ela.

Na minha família é assim, para eles tudo, para elas nada. Tenho um primo que é mais atento e se percebe que falta alguma coisa tem a gentileza de sair para comprar, mas fazia isso de garoto, agora é um homem e fica sentado, porque tem que garantir seu lugar a mesa e seu domínio masculino.

Poucas coisas no mundo me irritam mais do que ver esse comportamento, sorte da família que não sou mais bem vinda nessas reuniões, porque hoje seria capaz de jogar laxante na comida dos homens, apenas para fazer eles se levantarem e se mexerem.

Esse comportamento reflete em tudo, na minha família homens não tomam decisões e quando fazem isso não são inteligentes, seus relacionamentos são precários e sua vida inconstante, tudo isso porque foram educados como intocáveis e com a ideia de que o mundo se abriria a eles apenas porque tem um pênis.

Se a história da minha família fosse contada a parte masculina seria editada, porque resultou em adultos medíocres e encostados, ninguém ali fez história, ao contrário das mulheres que se mexem e fazem sua vida, apesar de carregar esses encostos.

Mas essa foi uma decisão delas, não tenho pena, minha avó errou na educação mas não obrigou ninguém a ser escrava de marmanjo, se elas se comportam assim é por escolha, não tem uma arma na cabeça.

Não posso negar que a vida dos homens na minha família é boa, mansa e na sombra, tudo ali é resolvido pelas mulheres, que no almoço e jantar servem eles com gosto.

E não sou a única traumatizada com isso, algumas primas não dizem nada, mas não se casam nem carregam seus encostos. Já viram suas mães arrebentadas pelo machismo da minha avó e pela vida tranquila dos homens.
Um dos meus tios disse que tinha muita mulher solteira na família porque ''não prestavam para nada''. Graças a Deus isso aconteceu, na nova geração poucas ''prestaram'' para serem escravas de homens e de ainda por cima sustentar esses vagabundos.

Queria poder olhar para minha família e achar um exemplo de homem ali, mas não tem, vou fazer o que se todos são frouxos e aproveitadores?

Uma vez meu tio se irritou comigo e gritou para minha mãe:

-Você não educou essa menina, ela não respeita nenhum homem da casa!

É, ele tinha razão, não respeito mesmo, mas é porque nunca conheci um ''homem'' na minha família, só vi desde pequena um bando de molengas se aproveitando das mulheres, e não respeito gente aproveitadora, seja homem ou mulher. 
E homem na minha família não teve nunca e pelo jeito não vai ter.

Iara De Dupont 

4 comentários:

C.Belo disse...

Isso não é privilégio da sua família, infelizmente. Mas felizmente as novas gerações de mulheres só se submetem a esse domínio ridículo se quiserem.

Digo domínio ridículo pq se ao menos elas fossem escravas de uma vida doméstica enquanto seus maridos estivessem em seus maravilhosos empregos, dando duro para angariar uma grana violenta e dessem a elas presentes e mimos, levassem a restaurantes chiques uma vez por semana, etc...ainda vá lá. Mas em geral ocorre exatamente como vc descreveu: um bando de frouxo escravizando as mulheres por puro comodismo, sem dar nada em troca, apenas se baseando em preceitos do século passado. IDIOTA é a mulher que aceita isso.

Ana Carolina Serrao disse...

Pior que isso nao ocorre apenas em ambientes familiares...acontece em ambientes de trabalho! Onde o profissionalismo muitas vezes é colocado em segundo plano por comportamentos machistas...puxa saquismo de macho , supervalorizaçao dos mesmos, tratamento desigual, etc...

Musicista Feminista disse...

Esse negócio de escolher se vai ser mandada ou não não é beeem assim. Eu falo por experiência própria, demorou para eu ter consciência do que era certo e errado e ter coragem pra me levantar e enfrentar. O meu pai diz que a minha mãe não me educou, por isso ele tem que me "educar": me humilhando.
Todo dia quando eu acordava de manhã, no sofá da sala tinha lata de cerveja, pacote de chips e chocolate, que ele deixava lá pra gente ajuntar. Comecei a colocar num quartinho que ele pra guardar bugiganga. Me xingou um monte, mas parou de deixar na sala, pois o lixo ia parar no meio das coisas dele.

Uma mulher que está sendo mandada e explorada desde que nasceu e hoje tem 45 anos, como a minha mãe, é um caso difícil de abrir a cabeça. Hoje eu já consegui convencer ela de que ela não tem obrigação de limpar a bota suja que o marido traz do acampamento, de que pode sair para uma excursão com o pessoal da escola dela, que acontece só uma vez por ano, sem se sentir uma esposinha má que deixou o marido sozinho em casa sem a comidinha.

Mas ainda tem muito a consertar no meu pai. Quando pedimos pra ele fazer algo ele diz: "E eu vou fica fazendo um monte de coisas e vcs vão fazer o que? Ficar sentadas?"

Calma panaca, a gnt disse ajudar e não ficar coçando o saco vendo os outros limpar sujeira, quem faz isso é você, não a gente.

Carol disse...

Tenho a felicidade de ter um pai que é um exemplo de homem e de marido. Minha mãe trabalha fora e meu pai é aposentado. Quando a moça que trabalha aqui em casa não vem, é ele quem limpa a casa. É ele também quem faz o almoço pra quando eu chego da faculdade (e então eu lavo a louça). Ele lava a roupa de todo mundo e ainda faz os reparos na casa.
Sei que tenho sorte de ter uma família assim, que me ensinou desde pequena que as tarefas são divididas.
Não sei se é verdade, mas dizem que a gente procura pessoas parecidas com nossos pais. Se for verdade, estou no lucro. Só não é fácil achar.

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