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28 junho 2014

Vai Brasil, corre atrás da bola neném...


Quando eu cheguei ao México me impressionei com a cidade de manhã. Não sei porque, mas eu via as ruas cheias logo cedo e pessoas fazendo e vendendo comida. Tive a impressão que eram um povo trabalhador, não entendia porque não eram um país desenvolvido.

Mas logo achei a resposta, os mexicanos trabalham duro, mas seguem o calendário das festas religiosas ao pé da letra e são um dos povos mais festeiros que eu já conheci, adoram a farra e a bebida.

Talvez em um país pronto, onde todos têm seus direitos reconhecidos as pessoas possam se entregar as festas, mas em países em construção como são alguns não adianta trabalhar toda a semana e gastar todo o dinheiro e energia em farra e bebedeiras no fim de semana, a coisa não sai do lugar. Os mexicanos são como os brasileiros, se arrebentam trabalhando e tem todo o tempo do mundo para curtir com seus amigos, mas não para lutar pelos seus direitos.

Uma amiga socióloga dizia que o México era ainda um país-neném, aprendendo a viver longe do seu colonizador, Espanha, eram menos de quinhentos anos de liberdade.

Acredito que essa mesma teoria se aplica ao Brasil, caso contrário acho impossível explicar o que tenho visto nos últimos dias com a Copa do mundo acontecendo aqui.

Entendo a paixão pelo esporte, acho que é uma coisa tão marcada, uma droga tão dada que o cérebro de todos reage a ela, mesmo assim me impressiona.

Vejo as pessoas comemorando cada gol como se isso fosse mudar as suas vidas. Não entendo porque tanto barulho, confusão e rezas para um simples jogo nem entendo esse delírio que alguns jogadores provocam.

Tenho visto as pessoas totalmente hipnotizadas, como crianças assistindo desenhos.

Não entendo a diversão de berrar tanto, eu já assisti várias partidas e achei legal, mas não a ponto de rezar nem sair gritando no meio da rua, comemorar então me parece coisa de outro mundo, não faria isso nem que estivesse bêbada.

Já me falaram para deixar de ser pessimista e entender que é apenas uma confraternização, seres humanos são assim, carentes e precisam se juntar a outros que fazem a mesma coisa para se sentirem amados. Mas isso é tão patético que me deprime.

Quando vejo tanta gente vibrando com o futebol percebo como somos um país-neném, ainda gritando ‘’golllll’’ como se isso fosse uma coisa importante e como somos carentes de cultura, de perspectivas e futuro. O futebol tem seu lado arte e vale como esporte, mas isso não é a única coisa no mundo, é muito triste ver um país que só vibra com futebol e final de novela.

Tenho visto cenas nessa Copa que prefiro esquecer, pessoas falando de Neymar como se ganhassem em cima dos gols que ele marca, falando de escalação de time como se isso mudasse a vida de alguém. Tudo bem que futebol não foi desenhado para mudar a vida de ninguém, mas ver tanta gente hipnotizada por uma coisa que não leva a lugar nenhum mostra porque somos um dos últimos países em desenvolvimento, ainda estamos como crianças fascinadas correndo atrás de bolas coloridas.

Agora entendo o governo, para que construir hospitais e escolas, reconhecer os direitos de todos se basta apenas jogar uma bola colorida na direção de duzentos milhões de brasileiros e isso basta? Para que construir estradas, melhorar a infraestrutura, investir no comércio e reduzir impostos se as pessoas querem mesmo é ver um monte de jogador famoso correndo em suas chuteiras de ouro? Pela primeira vez concordo com o governo, se as pessoas querem futebol em vez de direitos, então que tenham sua Copa do mundo e sejam felizes.

Um país se constrói do que as pessoas sonham e fazem e se nós brasileiros sonhamos com uma bola, então podemos comemorar, porque temos muitas. Se ficamos diante da televisão hipnotizados por uma bola que corre, então estamos em esse estágio mental que não precisamos de mais nada, é só colocar a imagem que podemos ser felizes. E somos tão otários que esquecemos que os jogadores não estão ali por patriotismo, apenas por dinheiro, quando o jogo termina eles sobem em seus carros importados e somem no mundo. Quem continua na sua vida de merda e sem seus direitos são os duzentos milhões de brasileiros que assistem os jogos. Mas fazer o que? Neném gosta mesmo de ver a bola correndo, ainda falta comer muito arroz e feijão para virar adulto e lutar por uma vida melhor.

Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Sinceramente, tenho vergonha de ser brasileira. Claro que existem exceções, mas a maioria do povo é chucra e ignorante. São explorados de todas as formas, mas se consolam com futebol, cerveja e churrasco. Sei que é antipático dizer essas coisas, mas eu sempre me senti uma estranha no ninho nesse país.

Ana Carolina Serrao disse...

Eu também me sinto assim muitas vezes...questiono e acho graça de como o povo tem usado bandeiras e símbolos nacionais, esse patriotismo sazional, que só aflora a cada 4 anos , diante da Copa do Mundo.
Acaba-se a Copa, o orgulho de ser brasileiro vai para as gavetas, juntamente com camisetas da seleção e bandeiras.

Me dá vontade de sair nas ruas "vestida de Argentina" para provocar...rs... e ver a reação dos brasileiros, todos vestidinhos de verde e amarelo nos bares...mas que no resto dos dias e dos anos estão pouco se ligando no país...

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