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30 junho 2014

Seleção mexicana, vocês não perderam, foram roubados


Já me explicaram mil vezes sobre essa questão do espírito esportivo e a grande união dos povos, mas eu sempre achei essas competições esportivas injustas, desde pequena me incomodam.

Tive uma amiga cubana que sua prima era de uma seleção de lá e me contava algumas histórias. Não tinham liberdade nem garantias econômicas, apesar de serem consideradas as melhores do mundo.

E lembro bem da época que uma ginasta brasileira, Daiane dos Santos resolveu se aposentar. Ela era patrocinada pela Caixa Econômica, não sei quanto isso representa em dinheiro, mas nunca me pareceu bom. Na época que ela competia lembro ter visto uma competição e ninguém disse nada de dinheiro, mas quando chegou a americana, Shaw Johnson, a imprensa fez questão de dizer que a menina tinha contratos de mais de vinte milhões de dólares.

Fiquei pensando, poxa, as duas, tanto a Daiane como a Shaw, se arrebentam nos treinos, sofrem, ficam machucadas e apenas uma ganha milhões? Achei injusto. Se fosse eu ia ficar revoltada lá no meu dormitório olímpico.

Quando Shaw se aposentou aos vinte anos disseram que sua fortuna passava de cem milhões de dólares, já quando Daiane se aposentou ninguém disse nada.

Tudo bem que o mercado americano é diferente, eles capitalizam tudo, mas eu fico pensando nas atletas cubanas e chinesas que são obrigadas a competir apenas pelo amor a bandeira, sem nenhuma recompensa além da sensação de servir ao seu país.

E hoje estou revoltada porque a seleção do México perdeu para a violenta Holanda e tive a mesma sensação de injustiça. Fiquei me perguntando se a seleção de Gana que está sem dinheiro tem a mesma tranquilidade para jogar que a seleção da Suíça que já tem a vida resolvida? E a seleção da Grécia, um país sofrendo na falência? E assim são diferentes seleções, que vem de países sofridos e sem garantias de um futuro melhor, ao contrário da seleção americana que já chega com a barriga cheia.

A seleção do México merecia a vitória, foram corajosos em enfrentar os super bem alimentados holandeses, já que o México é como o Brasil, os únicos atletas bem alimentados são os que chegam ao topo, são minoria, mas até lá passam muito aperto e vários jogam em times pequenos que não tem dinheiro nem para uma refeição decente.

Os mexicanos precisavam da vitória mais do que os holandeses, além de ter sido o justo, é para o México mais importante vencer do que para a Holanda, que já tem a vida feita e os mexicanos jogaram bem, levando em conta que não tinham a mesma estrutura técnica dos holandeses nem a frieza deles. Holanda fez sua parte, mas de barriga cheia sempre é mais fácil fazer qualquer coisa.

Nós, países colonizados ainda estamos em processo de construção de nossa identidade e autoestima, perder um jogo na injustiça ainda é um veneno lento que vai consumir os atletas durante anos.

Um amigo me disse que os holandeses têm mais técnica, por isso ganharam o jogo. Mas tem que ter mesmo, são bancados para ter tempo de estudar e não conhecem a realidade que os mexicanos conhecem, duvido que um holandês chegou a jogar em terreno baldio com bola de meia. Vencer assim não tem graça, é obrigação.

E não entendo nada de futebol, mas acho pênaltis uma coisa covarde, para mim futebol é driblar e meter a bola na rede, mas ficar na frente de um goleiro e chutar não é arte nem esporte, acho um gesto covarde e sempre joga tudo na sorte, é só uma trave aparecer no meio do caminho que a sorte vira.

Para os holandeses voltar para a casa agora não significa nada, no fundo eles devem achar todos nós latinos uns merdas, mas para os mexicanos voltar agora foi o pior que poderia ter acontecido, porque além de tudo foi injusto e um jogo roubado, aquele maldito holandês cavou o pênalti e o juiz deu o jogo para a Holanda.

O México é um país como o Brasil, apertado pela desigualdade social e com a sombra da injustiça permanentemente na sua vida, não precisava sair daqui com essa sensação de que sempre se fode.

Fiquei arrasada quando vi no Facebook uma frase de um amigo mexicano que dizia  ''México, jogamos como nunca, perdemos como sempre''.

Poxa, precisa disso? Quem disse que essas competições são justas e união dos povos? Se os atletas já chegam com esse enorme abismo social entre eles?

Ah, mas se fizer uma Copa apenas para países ricos e uma para países pobres é segregar, isso é injusto e o esporte sempre deve estar acima disso!

Já escutei muito essa merda, mas sei que treinar com barriga cheia em bons campos não é a mesma coisa que comer uma marmita e treinar em lugares sem manutenção. Sei que chegar a um país sonhando com uma medalha para garantir o mísero patrocínio mais uns meses não é a mesma coisa que chegar sabendo que os milhões de dólares já estão na conta.

A Holanda não merecia ganhar nem o México merecia ser vencido de novo por um país colonizador, essa parte me doeu. Achar que vamos conquistar a igualdade no esporte é um sonho besta, no fim do dia atletas holandeses têm mais garantias econômicas do que atletas mexicanos.


Os mexicanos já tiveram todo seu ouro roubado pelos colonizadores e agora ainda tem que ser roubados em um jogo que supostamente celebra a união dos povos? Para mim isso só vai acontecer no dia que todos os atletas, sem importar a nacionalidade, ganhem o mesmo salário para competir e tenham as mesmas garantias de futuro, caso contrário é deprimente ver atletas reclamando de não receber seus pobres pagamentos enquanto outros nadam nos milhões.

Os mexicanos precisavam dessa vitória, faria um bem enorme a um país tão sofrido como o nosso, poderia incentivar mais o governo para investir no esporte.

E dizem que a Copa é comprada, poxa, se for assim fica chato em um país colonizado como o Brasil favorecer os colonizadores, se foi comprada deveríamos fazer a ''Copa dos Colonizados, a vingança'', botar para correr todos os países que um dia nos exploraram. Em termos de justiça divina isso já aconteceu, porque Inglaterra, Espanha e Portugal estão fora, mas a presença da antipática Holanda ainda me incomoda.

Tem gente que diz que jogo é jogo, não tem nada a ver com questões sociais, mas tudo está ligado e eu sempre vou dizer isso, atleta bem alimentado tem obrigação de ganhar enquanto atleta de barriga vazia tem necessidade de ganhar. Obrigação e necessidade não são a mesma coisa, por isso competições são injustas. A união dos povos só vai acontecer o dia que todos jogarem nas mesmas condições. Pelo jeito esse dia está bem longe, e México, meu coração está com vocês.


Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Entendo,concordo com a injustice da diferença de oportunidades mas não concord que a Holanda não merecia ganhar. Eu sou revoltada contra os lideres de países pobres,eles não podem mudra tudo mas podem melhorar muito e não o fazem,se os colonizadores tratam seu povo a pão de ló,bato palmas,se são arrogantes,muitas vezes são menos que nós que gritamos mas não agimos. Mudar o mundo a nossa volta é dificil,mas mudar nossa mentalidade não é,nisso não fecho com os pobrezinhos,não com o povo que não tem visão porque não tem acesso,mas os governantes e elite tem,se eles defendem o seu e não dão a minima para o seu povo a culpa é deles.

Anna

Diego Rodrigues disse...

Iara, o jogador cavou o pênalti, induziu o mexicano a derrubá-lo, mas realmente foi pênalti, estava torcendo para o México, mas o jogo não foi roubado, o holandês usou de esperteza, se está certo é outra coisa, mas infelizmente passaram...

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