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09 junho 2014

Programa Pânico: no Brasil todos são brancos e ricos



Pânico e Carlos Alberto de Nóbrega no país dos brancos e ricos
Uma vez no México um amigo me disse que o país nunca ia sair da merda porque tinha duas revistas sobre política e mais de cinquenta sobre celebridades. Ele me dizia para sempre que chegasse a um lugar fazer as contas, quanto mais revistas de celebridades têm na banca, mais alienado é o povo. Excesso de revistas de fofocas indicam até que ponto o governo tenta nos manter alienados e controla os movimentos contrários a eles.

Mas o México sempre viveu uma situação estranha, durante setenta e dois anos foi governado pelo mesmo partido, o PRI,(Partido revolucionário institucional), que chegou ao poder em 1929 e só saiu nas eleições de 2000. Mesmo assim parece que os mexicanos esqueceram o que aconteceu nesses setenta e dois anos porque voltaram a colocar o partido no poder com o último presidente, Peña Nieto.


A situação fora do normal é porque o PRI sempre alegou ser um partido democrático, mas manteve o México em uma dura e assustadora ditadura. Os mexicanos elogiam a economia estável que tiveram durante esse governo, mas esquecem os milhões de desaparecidos, torturados e mortos, apenas porque iam contra o sistema.


Meu pai contava uma história sobre isso, foi ao México em 1967, para trabalhar como jornalista por lá. Se registrou, recebeu sua credencial e foi convidado para junto com outros jornalistas ir almoçar com o então presidente mexicano Díaz Ordaz, ele se levantou e disse sorrindo que todos os jornalistas estrangeiros eram bem vindos e livres para escrever o que quisessem, mas que o governo era sensível e ficava ''magoadinho'' quando falavam mal. Meu pai me disse que nunca tinha escutado um discurso tão disfarçado, cínico e ao mesmo tempo tão claro e ameaçador.


E ontem assisti um trecho do programa Pânico e pensei que estamos agindo como os mexicanos, idiotizados pela imprensa direcionada as celebridades. Em si o programa Pânico não tem nenhuma obrigação moral nem social de fazer alguma coisa que preste, mas ver o grau de alienação diante do que estamos vivendo parece uma piada de mau gosto.


Eles foram atrás do prefeito e estavam lutando para dar o nome de Carlos Alberto de Nóbrega a uma praça, em homenagem ao seu programa de televisão. Em teoria é justo, Carlos é um profissional com mais de quarenta anos de televisão, fez sua história.

E o Pânico perseguiu políticos atrás do apoio para o projeto até conseguir chegar ao prefeito Haddad.

Muita gente detona o programa Pânico mas eles são um reflexo da sociedade que vivemos alienada, violenta, rasa, sexista, preconceituosa, racista e alérgica aos pobres, sempre jogando flores aos privilegiados. Carlos Alberto merece a homenagem, mas é uma exceção, está rico e continua no ar, se o Pânico fosse ao Sindicato de Artistas de São Paulo ficaria surpreendido com a quantidade de pessoas que fizeram história neste país e estão morrendo de fome debaixo das pontes.


Homenagear quem ainda tem seu trabalho e espaço garantido é uma coisa que sai sobrando, bem típica das ''crianças do clube'', aqueles meninos ricos e brancos que se apoiam entre si. A maioria dos integrantes do Pânico vem de famílias ricas, por isso sempre transmitem os valores de sua classe social alta. Ir atrás do prefeito para alguma coisa que preste eles não querem nem pensar, mas incomodar por uma homenagem que não muda a vida de ninguém tá valendo.


Todo mundo que atendeu o Pânico eu posso garantir que não vai ter meu voto, porque sei de casos de pessoas que escrevem e ficam na porta da prefeitura e de escritórios de políticos com casos sérios, desde gente morrendo em porta de hospital até questões de moradia e ver que nenhuma dessas pessoas é recebida e atendida me envergonha como cidadã, mas a equipe do Pânico teve todo o acesso a eles, até via redes sociais, apenas porque querem uma praça com o nome de Carlos Alberto.


Somos um país de alienados, mas reforçar isso todos os domingos com esse programa ainda me dá náuseas. Esse comportamento que eles insistem em ter, parece que vivem na Suécia e o único problema da cidade de São Paulo, as vésperas da Copa, com uma das piores greves de metroviários, centenas de ameaças de paralisação, e o Pânico está preocupado com uma praça? Ora, pra começar que deixem de ser tão idiotas e se informem, São Paulo é uma das cidades com menos praças do mundo e as que existem não passam por manutenção, o Pânico preocupado com uma praça quando não existe nem cidade pronta.


Não tenho nada contra Carlos Alberto, espero que tenha sua justa homenagem, mas ver o prefeito recebendo o Pânico e discutindo a questão me deu vontade de quebrar a televisão. A cidade colapsou e o Pânico se comportou como o que são, um bando de meninos ricos brincando com uma besteira porque sabem que qualquer coisa podem se mudar a Miami.


E sempre que escrevo sobre o programa Pânico alguém vem me dizer que é só um programa e se eu não gosto, por que assisto?

Mas para minha infelicidade Pânico não é ''só um programa'', é um retrato fiel de uma nação enorme, dividida entre ricos e pobres, governada por homens brancos e coronéis, que fazem questão de jogar o lixo na direção do povo e continuar alienando eles com essas besteiras.

Uma vez um amigo me disse:
-Por que tanta bronca com o pessoal do Pânico? Porque são brancos, ricos e no poder? Ora, eles só estão defendendo o deles, eles lutam para preservar seus privilégios, por que seria ao contrário?


Essa é a grande desgraça desta nação, não somos um povo unido, de um lado os brancos ricos lutando para manter seus privilégios e do outro os pobres tentando sobreviver. Por isso vivemos nessa ruptura social, longe de um acordo. Quem está na prefeitura esperando para falar com o prefeito Haddad sobre saúde, moradia, direitos, vai morrer esperando, mas se o Pânico voltar lá para falar sobre canteiros de flores em zonas nobres serão atendidos como reis. É, parece que só existe esse Brasil de brancos e ricos, onde o único problema é uma homenagem. Deve ser bom morar nesse país, parece melhor do que a Suécia.


Iara De Dupont


2 comentários:

Ana Carolina Serrao disse...

Ótimo texto!

Vivemos na Terra dos Piadistas, Futebolistas, Sub-Celebridades e afins.
E nada mais importa...

Anônimo disse...

Éééé, e dizem que esse é o país do futuro... só se for do futuro pós-apocalíptico que a gente vê nos filmes de zumbi, porque de um futuro que preste não vejo a menor possibilidade. E o Pânico é a maior e mais vergonhosa porcaria que a TV brasileira já passou. Não assistiria mas nem que fosse o único canal do mundo.

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