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14 junho 2014

O dia que fizeram ''macumba'' no namorado da minha tia


Escutei algumas histórias quando era criança e hoje me pego pensando nelas, achando que são estranhas e cheias de buracos. E revelam o lado sombrio da educação que todas as mulheres da família receberam, inclusive eu.

Tenho uma tia que conheceu um rapaz no seu emprego e foram namorados por oito anos. Depois desse tempo ela engravidou e ele quis casar, compraram um terreno para construir a casa e resolveram abrir um restaurante.

Quando minha tia chegou aos sete meses de gravidez ele terminou o  namoro e foi embora sem dar maiores explicações. Só depois de muita insistência de um amigo ele foi ao hospital ver a filha no dia que nasceu, mas não quis ver minha tia e nunca mais apareceu.

Minha avó fez  o que sempre fazia, jogou a culpa na filha. O problema segundo ela é que minha tia enrolou para casar, nunca demonstrou vontade de sair da casa dos pais, demorou para decidir as coisas e o rapaz se cansou e foi embora.

Algum tempo depois apareceu outra versão, minha tia e o namorado tinham começado a construir o restaurante, terminaram e alguém recomendou uma cozinheira, de uma cidade da costa do México, conhecida por ser um ''lugar de bruxas'', de rituais e tradições do mais além. A senhora tinha cinquenta anos, era excelente cozinheira e chegou ali com seus quatro filhos, morava nos fundos do restaurante.

Não sei quem disse, nem quem pensou, mas alguém correu o rumor que essa cozinheira tinha feito ''macumba'' para seduzir o namorado da minha tia, enfeitiçou o rapaz e diz a lenda que o estômago é uma parte energeticamente sensível, por isso a comida aparece tanto em rituais de magia. Tanto fez essa ''bruxa'' que ele se casou com ela e adotou seus filhos.

A vizinha da minha avó ''mexia com essas coisas'' e foi oferecer ajuda, mas minha tia recusou. Hoje tenho a impressão que ela passou por uma séria depressão pós-parto, porque desde que a filha nasceu ela mudou, ficou alheia a muitas coisas, parece que largou mão de tudo.

Essa foi toda a história que escutei. Mas anos depois veio à tona outra parte.
Minha tia se aposentou e sus amigas fizeram uma ''caixinha'' para ela de lembrança. Eu não fui na festa da aposentadoria, mas fui a um almoço e conversando com umas amigas dela fiquei sabendo que de todas era a que estava em pior situação econômica. Perguntei quem tinha dito isso e uma delas era amiga da minha tia há anos, me disse que minha tia passou por muita dificuldade econômica na infância e começou a guardar dinheiro, juntou uma grande quantidade, mas quando ela e o namorado resolveram se casar ela pagou o terreno da casa, a construção da casa e a compra do restaurante, gastou todo seu dinheiro, raspou as contas de banco e jogou tudo no que seria sua ''nova vida''.

Voltei com minha avó e contei tudo isso, mas ela apenas me disse ''esqueça essa história e entregue a Deus''.

Fiquei chocada com isso, minha tia foi mãe solteira, se dobrou em mil e o Romeu ficou com seu patrimônio porque estava ''macumbado''? Mas que porra foi essa? Que coisa mais conveniente ficar ''macumbado'' depois de roubar todo o patrimônio da namorada! Essa macumba foi um golpe de sorte, ele roubou tudo e depois deve ter espalhado que estava debaixo de ''feitiço'', sabia muito bem que minha avó como católica radical jamais iria procurar lugares para ''quebrar a macumba'' e com certeza teria convencido minha tia a não se mexer nem se meter com essas coisas.

Conheço minha família e sei que todas devem ter dito a minha tia para não correr atrás, que Deus faria justiça e mulheres não reagem.

Fui perguntar a um tio porque nunca ajudaram minha tia a recuperar seu patrimônio, ele me disse que ela nunca quis, queria evitar encontros em tribunais e o pior ainda, não tinha documentos provando ser dona de tudo. A pergunta é, que mulher dá o seu dinheiro ao Romeu e pede um recibo ou contrato? Quem faz isso? Pois é.

O que eu conheço de homem hoje posso dizer com uma mão na cintura, ele não estava ''enfeitiçado'' coisa nenhuma, precisava era de uma desculpa idiota para sair de um relacionamento que não queria mais estar, só isso. Foi esperto, roubou minha tia e fez um restaurante virar cinco, nada em rios de dinheiro enquanto sua filha se vira nos trinta.

Quando minha prima tinha vinte anos tentou procurar o pai, mas ele disse no telefone para que ela ''parasse de encher o saco'', acho que ela ficou tão magoada que nunca mais procurou ele. Essa parte é estranha, minha prima é malvada, tem sangue frio suficiente para processar o pai, provar que é sua filha e ter direito ao patrimônio, não sei porque nunca se mexeu.

Tudo isso aconteceu porque na minha família mulheres são educadas para não reagir, para não descer o  nível e não sair brigando por aí como se fossem homens.
Não sei da onde minha avó tirou isso, porque ela é de família de mulheres marrentas que defendem sua terra na bala se precisar. São assim desde que nascem, não agem como flores de cristal, mas minha avó foi dobrada pela religião católica e o desespero de se adaptar a uma ''cultura de brancos'', copiando tudo o que eles faziam e nessa cultura mulheres são submissas, não saem pela vida armadas.

É impossível descrever como não reagir atrasa a vida de qualquer um. Eu aprendi apanhando, tive que ser roubada duas vezes, uma por um dentista e outra pela família do meu pai que levou parte do patrimônio que meu avô me deixou e fizeram isso na minha cara, então acordei e percebi que se continuasse sem reagir minha vida já era. Aos olhos de alguns virei uma filha-da-puta, que ainda espera calmamente o dia virar para ver a família do meu pai de joelhos. Tenho plena certeza que nunca mais vou ver o dinheiro roubado, mas também tenho a convicção que não vou morrer sem ver eles pagarem pelo o que fizeram. Eles comemoram e dão risada, mas é precipitado fazer isso, a vida ainda está rolando e os dias acontecendo e na minha parede tenho uma frase dos guerreiros astecas que diziam ''um sol deu a vitória aos meus inimigos hoje, mas muitas luas vão me trazer a vingança''.

Deixei de ser boazinha e não escuto mais minha avó nem em sonhos me pedindo para ''não reagir''.
E é impressionante como a alma sabe das coisas, depois da morte do meu pai um amigo dele me ligou para dar os pêsames, a última vez que o vi tinha uns seis anos, ele me perguntou no telefone se lembrava dele, disse que sim, vagamente, mas sim. Depois ele me contou que eu adorava quando ele ia jantar na casa dos meus pais porque me contava histórias do cangaço, eu sempre pedia para ele repetir aquela das mulheres do bando de Lampião, que carregavam espingardas e eram tão boas cozinhando como matando.

Não lembrava disso, mas minha mãe confirmou, disse que eu desde pequena gostava de ouvir sobre mulheres que ''usam armas''. Mas como cresci no meio de mulheres submissas me parece natural essa atração por histórias de mulheres que se defendem.

Cada dia entendo mais a importância de separar o amor do patrimônio, a história da minha tia não é uma coisa dos anos setenta, minha mãe trabalha com imóveis e fica chocada de ver a quantidade enorme de mulheres que vão com o marido comprar um apartamento, dão o cheque da entrada, pagam parcelas e não pedem papéis provando que fizeram isso, ou seja, se um dia o casal se separar o imóvel será dividido em 50% para cada um, mesmo que a mulher tenha pago 80%.

Recibos, notas fiscais, contratos, tudo isso existe apenas por um motivo, porque a palavra do ser humano não vale nada. E deveria existir uma lei que anulasse todas as transações que as pessoas fazem quando estão apaixonadas, porque estão fora de si.

Todos os dias me convenço que Romeus e dinheiro não são compatíveis e não devem ser misturados, são como bebidas destiladas e não destiladas, quem misturar pode ter uma noite quente, mas quando acordar vai ter a pior ressaca de sua vida e ainda por cima corre o risco de encontrar a conta do banco vazia. O pior da história é que não vale a pena. A melhor coisa na vida é sempre reagir, é nossa única oportunidade de olhar para trás e saber que fomos até onde deu. Ruim mesmo deve ser olhar para trás como minha tia deve fazer de vez em quando  e ver que além do namorado que foi embora ela ficou sozinha, com uma filha para criar e sem um centavo.  Mas é culpa de quem, se ela não reagiu? Tem horas na vida que só resta tirar a espingarda da parede e correr atrás, para não passar a vida inteira chorando.


Iara De Dupont

6 comentários:

Patrícia disse...

Eu tenho a impressão que paixão emburrece só pode, porque não entra na minha cabeça mulheres serem tão passivas assim. Acho que enfeitiçada é a mulher viu, para o resto da vida, passando de cabeça baixa e aceitando as consequencias.

Anônimo disse...

Patricia,tambem acredito que paixão emburrece,mas ela tem prazo de validade,mas a cultura que trazemos dentro de nós achando que controlamos deve ser tão enraizada que fazemos coisas estupidas e nem percebemos.

Anna

Anônimo disse...

Nessa de ficar deixando passar porque não vale à pena, porque não quer se desgastar emocionalmente, porque pode ficar com o nome sujo ou ganhar fama de filho da p*, quantos desses safados não saem por aí fazendo a mesma coisa de novo e de novo, sem nunca serem punidos e deixando um rastro de gente deprimida e acabada por onde passam? Se cada mulher roubada fizesse questão de dar ao menos dor de cabeça ao salafrário, tenho certeza de que a quantidade de vítimas seria bem menor. E se tiver filho do infeliz, tem que ir atrás da pensão SIM. É direito do filho, oras, o vagabundo achou gostoso na hora de fazer? Então que assuma as consequências e pague o sustento da criança que fez! Não, dinheiro e amor não se misturam. Definitivamente não.

C.Belo disse...

Triste história. Mas infelizmente isso ocorre aos montes, fruto da cultura machista que dita que mulher não deve ser racional, essa parte fica para os homens.

Anônimo disse...

Minha irma se casou com um rapaz.Depois de anos juntos,ele largou ela pela esposa do meu irmao.E só a esposa do meu irmao saiu como a errada da historia.Era culpa dela.Tambem falam que ela fez macumba pra ele.Tentei explicar que ele foi embora pq quis,mas nao me deram chance

Isabela Matos de Resende disse...

Iara como sempre culpando a religião pelos males e pela fraqueza das mulheres de sua família
E muito cômodo culpar Deus quando somos fracos ou não temos capacidade para resolver nossos problemas. E uma crítica construtiva não me leve a mal mas ajudaria se você direcionasse seu ódio as pessoas certas.

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