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28 junho 2014

Não gosto dessa seleção


Uma amiga me perguntou quando vou me animar com os jogos da Copa do mundo que estão acontecendo. Pelo jeito nunca, por milhões de motivos, o principal é que a seleção brasileira não me comove, se é que um dia já comoveu.

Tenho profunda consciência que escrevo isto no tempo errado, agora eles são heróis da pátria e dizer o contrário disso é coisa de gente mal amada, mas não posso mudar isso, eles não me comovem.

Um dos melhores livros que li na vida sobre um jogador foi a biografia de Garrincha, escrita pelo Ruy Castro. Esse livro deveria ser lido por todos, mais do que uma biografia é o retrato de um país injusto e corrupto. Na época de Garrincha não existiam grandes patrocinadores e jogadores não eram máquinas de fazer dinheiro, a grande maioria estava ali por amor a camisa e alguns melhoravam de vida, mas ficavam como Garrincha ficou, à mercê de muita ignorância e exploração, principalmente na parte física, sem a medicina avançada muitos jogadores eram submetidos a tratamentos experimentais que encerravam suas carreiras de maneira precoce, como foi a de Garrincha que viu sua carreira acabar por problemas em um joelho que nunca foi bem tratado.

O tempo mudou radicalmente isso e hoje os jogadores estão muito protegidos em todos os sentidos, a lei ampara, os clubes são obrigados a cumprirem contratos, a medicina avançou e eles hoje sabem o que valem, nesse caso todo o sofrimento de muitos jogadores ensinou a nova geração a se proteger.

E eu sou de uma geração onde todos somos filhos da Madonna, entendemos desde pequenos que arte pode ser negócio e negócio pode ser arte, muitos de nós acreditamos que é possível a união do dinheiro e da arte sem que uma modifique a outra. Nesse caso acho que se um jogador rende milhões para um patrocinador é justo que o jogador receba sua parte.

Mas a seleção brasileira chegou a um ponto de blindagem em relação ao preço de suas chuteiras que se congelou. A impressão que tenho é que todos os jogadores estão preocupados com sua glória individual porque assim conseguem mais dinheiro dos patrocinadores e não estão nem aí para a camisa que vestem. Não vejo nenhum jogador brasileiro apaixonado pela camisa amarela, todos parecem mais preocupados com suas chuteiras de marca própria ou seus patrocinadores estrangeiros.

Nessa parte entro em conflito, porque acredito na união de arte e dinheiro, mas para isso funcionar precisa de amor, só de arte e dinheiro a coisa não anda, fica exatamente como é a seleção, fria, longe, distante. Não vejo nenhum deles jogando por amor, apesar dos milhões e todos me parecem mercenários o suficiente para jogar onde o patrocinador mandar.

Eu sou um ser humano e reajo ao amor, se não vejo ele perco o interesse. Tenho a mesma impressão quando vejo o Luciano Huck na televisão, pode estar ali por milhões de motivos, mas não é por amor.

E amor é essencial para quem assiste, já que não temos acesso as fortunas que ganham nem a alegria que sentem queremos ver o amor, por isso mudamos de canal o tempo inteiro.

Se meu filho fosse jogador de futebol eu ia vigiar seus contratos, até porque é uma carreira curta, mas ia dizer isso a ele, para jogar com amor, procurar a bola com paixão, sem pensar nos patrocinadores.

E essa seleção também não me comove porque não vejo um time unido, um momento de irmãos que se juntam para conquistar alguma coisa, vejo apenas um monte de rapazes jovens que carregam em um sorriso falso diante das câmeras e na hora de jogar correm atrás da sua glória, sem espírito de equipe nem união. Esse individualismo deles me incomoda, me afasta do jogo, parece uma coisa tão calculada que mudo de canal.

Ver um jogo e sentir que os jogadores estão ali apenas para agradar um patrocinador estrangeiro e garantir seu cheque sem importar a camisa que vestem é como ver um péssimo ator em uma cena importante, dá vontade de sair correndo.

Não acredito em nada que não leve amor, não te faça sentir amor. Até entendo o amor pelo dinheiro, mas nem isso essa gelada seleção me transmite. Não se veste uma camisa da seleção mais importante do mundo com tanta frieza e individualismo.

Eles podem ser ótimos jogadores e podem ganhar a Copa, sorte deles, mas para mim não passam de um monte de robôs, matematicamente calculados para existir. E disso estou cansada, de tanta frieza e pouco amor neste mundo. É uma coisa que se espalha tanto que até no futebol chegou. 
Eu vejo eles jogando e não sinto nada, não me transmitem nenhum sentimento.

Ah, mas eles estão defendendo o seu! 
Tá certo, então que façam a seleção do seu jeito, com camisas dos patrocinadores e não usem a camisa da seleção, porque essa camisa é como tudo na vida, se a pessoa não coloca amor ali tudo perde o sentido. E quando as coisas perdem sentido não emocionam ninguém. E viver sem sentir está virando costume neste mundo louco, nem o futebol se salvou da epidemia do coração congelado.

Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Ai, Iara, eu concordo com cada palavra sua. Não torço pela Seleção desde 94, mas não assumo isso publicamente pq ninguém perdoa, kkkkk...
Mas é isso mesmo, essa Seleção só pensa em $. Além disso, é irritante esse ufanismo insuportável da Globo (nem assisto mais jogos lá por não suportar o Galvão Mala sem Alça Bueno). Estou torcendo pela Holanda e seu belo futebol.

C.Belo disse...

Olha, a seleção me me comove tb e eu tenho razões bem específicas para isso. No post abaixo vc mesma escreveu que nossas vidas não mudam em nada quando um deles faz gol, já começa por aí.

Eu como milhões de brasileiros estou aqui, vivendo num arroxo fudido, sofrendo com a falta de segurança pública e demais serviços que, se eu quiser ter, tenho de pagar caro sem nem sequer necessariemente recebê-los com alta qualidade!

E eles lá....ganhando horrores pra fazer algo que gera para eles um benefício tanto de saúde quanto estético! Benefícios estes que se eu quiser obter tb terei de tirar do meu bolso já minguado pelos impostos e pagar uma academia; e como se não bastasse, tenho de pagar caro por este benefício e perder TEMPO além do que já gasto trabalhando, tempo este em que poderia estar com minha família!

E não para por aí; eu, como milhões de brasileiros, se vacilar no trabalho não ganho dinheiro e, às vezes, até perco - e muito. Se eu não viver numa correria louca diariamente sem tempo nem de me coçar, na MELHOR das hipóteses, perco boa parte da minha qualidade de vida. NA MELHOR DAS HIPÓTESES!!!!!

E eles lá....ganhando ou perdendo, nada muda, não vivem a pressão de ter de desempenhar bem uma função e ainda de quebra ficam saradões e ganham fama de heróis!

Vc quer saber o que eu penso de quem "sofre" vendo um jogo???? TEM MAIS É QUE SE FUDER!!!!!

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