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12 junho 2014

Meu pedido de dia 12, dia dos namorados


Não demorou muito para que alguém me dissesse hoje que era uma pena ''estar solteira sendo bonita, justo na véspera do dia dos namorados''.


O tempo ainda me impressiona, se alguém tivesse me dito que tantas coisas iam se dissolver na água e nada mais me afetaria tanto eu não teria acreditado. Esse comentário poderia ter me machucado há uns anos, mas hoje foi como escutar  '' você acha que vai chover? ''.


Essas datas estupidamente comerciais e sem motivo não me comovem, o máximo é que me arrancam algumas lágrimas no Natal, mas fora isso é tudo a mesma coisa.


E ''estar sem namorado'' não me faz uma metade ambulante, mas meu olhar cínico talvez venha do ambiente que cresci. Desde que nasci vejo mulheres sendo escravizadas pelos seus Romeus e sempre soube no meu íntimo que eu não queria aquilo para mim, minha alma é velha, sabia que não era esse o caminho e não gostaria de ver meu amor sendo usado como moeda de troca.


Levei anos para me construir, porque fui convencida pelo mundo que eu era uma metade de uma laranja rodando como maluca procurando a outra metade, aquele Romeu que me completasse. Cansei de escutar que quando me apaixonasse mudaria esse meu jeito ''rebelde e agressivo'', quando um homem atravessasse meu caminho e me mostrasse o que é amor, então eu seria domesticada e entenderia a razão de minha existência.


E durante um bom tempo pensei que seria assim, eu só me conheceria pelos seus olhos, só saberia quem era pelo seu amor, antes disso eu era apenas um projeto de mulher, até encontrar um Romeu que me transformasse em uma ''mulher''.


Fui educada para não me perceber com uma peça única, como um ser humano completo. E não sei se foi a sorte ou os planetas cruzados, mas meu jeito ''rebelde'' sempre me afastava dos relacionamentos e eu não sabia o motivo, levei décadas para saber e era mais simples do que eu pensava. Nunca tive nada contra o amor, os Romeus, as declarações nem os muros pichados com frases baratas, mas eu precisava de mais, nem sabia o que era, mas sentia uma necessidade fora do comum de conhecer mais coisas na vida, o amor chegava a um ponto comigo que não era mais suficiente, eu queria conhecer o mundo, escrever e viajar.


Posso fazer isso com o Romeu, mas não posso ''ser do Romeu'', isso me sufoca. Acho fofo estar apaixonada e ganhar chocolates, mas minha alma não tolera pensar que isso é a coisa mais importante do mundo e sem ela eu não existo.


Já fui chamada de cínica, fria, distante e egoísta, mas não sou, pelo contrário, sou capaz de amar loucamente e apaixonadamente, desde que isso não seja a única coisa neste universo para mim.


Tive a sorte de passar por situações difíceis na vida e não ter ninguém por perto, isso me fez forte e ao mesmo tempo percebi que não preciso de um apoio masculino para existir, mas também tive azar de ainda não ter encontrado um Romeu que entenda meu lado e leve na boa. 


Sempre fui ambiciosa emocionalmente e com o tempo me construí, percebi que sou responsável pelas minhas alegrias e por me dar apoio nos piores momentos. E nada disso exclui o Romeu, mas eu sempre sonhei em ser inteira, me construir a partir dos meus sonhos e conquistas, sem ir atrás de ninguém nem usar o nome do Romeu.


Deve ser minha paixão pelo mar, mas vejo minha vida como um barco, estou ali vendo onde vai, se Romeu quer subir e curtir comigo será bem vindo, mas ele nunca será o barco nem o norte.


E cada vez que falo isso vozes se levantam e dizem em coro ''quero ver você dizer isso depois de se apaixonar''.

Já me apaixonei e mantive meu discurso, porque é uma coisa que vem da minha alma, é uma necessidade interna de acreditar que o mundo é maior do que os braços do Romeu. Quero achar minha identidade longe do xerox do Romeu. Só isso.

E alguém me disse uma vez que ''identidades'' usam muito espaço, é verdade, a gente se procura tanto que acaba ocupando todos os espaços disponíveis, mas sempre tem lugar para mais um.


Dos Romeus só quero o amor, não quero ser eco nem sombra deles, mas entendo o processo dos rapazes e sei que deve ser chato mesmo olhar uma mulher carregando seus tijolos tentando se construir longe do controle deles.


Não tenho nada contra ser esposa de Fulano e mãe de Beltrano, mas meu tempo é outro, é um chamado orgânico primeiro ser eu mesma, para depois pensar em outras questões.


E para o dia doze só quero a mesma coisa que quis ontem e a que quero amanhã, ser eu mesma. E depois de dizer isso, o coro se levanta e diz  ''e vai morrer solteira?''.


Bom, morrer eu sei que vou, isso é fato, mas solteira não sei. Essa parte se abre para discussões, porque desde que cheguei ao mundo estou na minha companhia e isso me parece muito bom, então posso estar solteira, mas não estou sozinha, na verdade estou bem ocupada me construindo. Posso estar errada e o mundo certo, de repente é assim mesmo, a vida da mulher só começa quando o homem ideal chega nela. Nessa parte me adiantei e comecei minha vida antes, culpa da minha alma ansiosa, que sempre está olhando pela janela do barco e se perguntado quantos mares faltam por conhecer. E o que eu faço se meus olhos brilham ao pensar nisso e não no Romeu? 


Iara De Dupont


4 comentários:

Anônimo disse...

Casamento nao é o caminho para a felicidade,ele faz parte do pacote para alguns,mas tambem serve para dar satisfacao para a sociedade e pra dar um falso sentido na vida,sem generalizar,claro,mas é bem mais confortavel se casar pra dar uma satisfacao pra familia e pra sociedade e assim se livrar de muito aborrecimento,o preço é alto,independentemente de o marido ser ótimo ou não,o preço é alto sim,isso as mulheres com syndrome do conto de fadas não falam né?

Anna

Anônimo disse...

As pessoas colocam nos ombros de outrem o peso da sua felicidade, e não entendem como depois de um tempo o outro não suporta mais a carga e vai embora... que os maiores casos de amor sejam primeiro da pessoa com ela mesma, e depois com quem chegar pra tornar a vida mais alegre. Feliz dia dos namorados aos que amam e aos que se amam.

Ana Carolina Serrao disse...

Perfeito, Iara!
Exatamente o que penso e o que projeto para minha vida : MEU CAMINHO, MINHAS ESCOLHAS, MEU EU INDIVÍDUO.

Patrícia disse...

Iara, quase tudo que voce disse, eu penso.
E cada dia que passa tenho mais certeza disso. Na maioria das vezes o que vejo as pessoas aturando para ter alguém do lado, pelos menos para mim, não vale a pena, não compensa, não quero. Sou feliz do jeito que estou e não troco minha paz de espírito por nada!!!

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