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09 junho 2014

As mensagens que não escrevi


Na minha casa todos os meses chegava uma revista, a Revista Seleções, sempre com matérias sobre tudo.

Eu era pequena quando li uma história sobre uma moça que perdeu um filho. Meses depois da tragédia ela se perguntou quem tinha deixado sua roupa e seus sapatos prontos em cima da cama antes de ir ao velório. Lembrou que os três filhos também tinha sua roupa em cima da cama e perguntou ao marido se ele tinha feito aquilo, ele respondeu que não, que uma vizinha ao saber da tragédia bateu na porta e disse que não podia dizer nada para consolar a família, a única coisa que poderia fazer seria ajudar a tirar algumas pedras do caminho e achava que quando a mãe voltasse do hospital não ia ter cabeça para separar sua roupa e a dos filhos para o funeral do mais novo, sendo assim ela pediu licença e organizou isso.

Achei essa história incrível e que resumia um momento delicado, quando não sabemos o que fazer diante de uma situação tão difícil como ver alguém sofrendo uma perda.


Às vezes que vivi isso com amigos eu estava por perto, então me parecia fácil ir ao velório e enterro prestar meu apoio.


Mas mudei de lugar e vi alguns amigos e conhecidos passarem por perdas. Quem era muito próximo a mim sempre consegui pegar no telefone, mas quem não era eu ficava sem saber com agir, achava que mandar uma mensagem no Facebook era estranho e frio, diante disso me calei muitas vezes.


Há um tempo fiquei sabendo que um colega da faculdade tinha perdido sua mãe, ele não era meu amigo e fiquei na dúvida de dizer alguma coisa, mas acabei cruzando com ele e conversamos um pouco, mas sempre me perguntei se eu não tinha sido invasiva ao conversar com ele sobre sua mãe.


Na última semana tudo isso mudou para mim. Vi meu e-mail e o Facebook cheio de mensagens, a grande maioria de pessoas que eu nunca vi pessoalmente, mas são meus companheiros de jornada aqui no blog. E não dá para descrever como me aqueceram o coração, é estranho pensar que mensagens podem fazer bem, mas fazem mais do que pensamos quando mandamos elas.


Eu passei os dias envolvida em questões técnicas e sendo bombardeada com perguntas sobre que roupa ia separar para meu pai vestir no caixão, o que ia colocar na coroa de flores, o que eu fazer a respeito disso ou daquilo, se eu já tinha avisado fulano ou beltrana, para onde me virasse vinha uma pergunta que me puxava ao centro do inferno. Ficava tão tonta que rara vez abria meu e-mail ou Facebook, fazia isso apenas de madrugada, quando já estava mais tranquila e não conseguia dormir. Por isso mesmo ao ler todas as mensagens era como beber um chá quente em um dia gelado, aquilo descia aquecendo a alma.


Só depois dessa experiência entendi a importância de uma mensagem, percebi que não existe nada de ''frio nem distante'' em mandar um recado, me arrependi profundamente das mensagens que não mandei, porque achava que fazer isso seria superficial diante da dor da pessoa. Entendi que não precisamos ver a pessoa nem ajudar ela a separar a roupa, podemos nos fazer presente e consolar apenas com um recado sincero.


E as mensagens que recebi tiveram outro efeito, além do esperado. Milhões de questões se juntaram em relação a família da minha mãe, incluindo meu blog e ninguém da parte deles falou comigo nem me mandou uma mensagem.


Meu pai era muito ligado a família da minha mãe e sempre foi um bom tio, gostava dos sobrinhos, mesmo assim por motivos que vão além da minha compreensão não me dirigiram a palavra. Até entendo um pouco do ódio das mulheres, sempre mencionadas aqui, mas nunca detonei meus primos, mesmo assim fizeram questão de me ignorar e se dirigir a minha mãe como se ela não tivesse filha.


Fiquei chateada porque isso afetou minha mãe, achei que pelo menos deveriam ter mostrado respeito a ela e a memória do meu pai e incluir meu nome nas suas longas mensagens, ligações e e-mails.


Por isso mensagens de pessoas que eu não conheço pessoalmente tiveram tanto valor, se eu não tivesse recebido elas teria duvidado da minha existência, já que ser ignorada em um momento assim confunde qualquer um.


É impossível descrever todo o apoio que essas mensagens representaram na minha alma, não tenho como agradecer e ainda me surpreende que foi pelo caminho do blog que essas pessoas chegaram a mim.


É uma ironia da vida, em um momento difícil não conheci o amor da família da minha mãe, mas conheci o de pessoas que passam por aqui. É uma das leis do universo e sou agradecida por isso, o amor é sempre bem vindo e vem de onde menos esperamos, a única coisa que interessa é que seja puro e sei que ele vinha nessas mensagens. Deus me livrou da hipocrisia das minhas primas e dos seus pêsames falsos, mas me presentou com o amor sincero de muitas pessoas e sou grata por ter vivido essa experiência. Só tenho a agradecer a quem mandou mensagens e se manifestou, recebi de braços abertos todo o amor que me mandaram. Obrigado.


Iara De Dupont


7 comentários:

Anônimo disse...

É normal não sabermos o que dizer nessas horas,eu só falo uma ou duas frases,sem pretenção de consolar,mas para que a pessoa saiba que eu de alguma maneira me importo com sua perda e sua dor. Pouco antes de voce perder seu pai uma outra pessoa muito querida de um blog perdeu a mãe,fiz questão de mandar uma mensagem pra ela saber que quem le o blog dela se importa de verdade.
Bjs
Anna

Sheila disse...

Meus sentimentos Iara, que Deus conforte seu coração.
O comportamento indiferente de seus familiares só comprovam tudo o que você pensa sobre eles. Não vale a pena gastar energia com quem não nos faz bem.
Bjos

C.Belo disse...

Passei por uma situação exatamente como essa dia desses. Uma garota do meu facebook, com quem eu praticamente nunca interagi por ali, perdeu a mãe e postou umas palavras que deram a entender o sofrimento dela. Eu mantenho essa garota no meu face por ela é amiga de uns amigos meus e, mesmo que seja raro, às vezes encontro com ela quando vou visitar esses amigos. Mas enfim, fiquei com vontade de escrever algo, mas me contive! Me coçei, mas achei melhor não dizer nada, com medo de soar falso! Mas acho que vc está certa....a gente deve sempre manifestar nossos sentimentos de empatia, pq é tão difícil, né? Afinal, quando temos de demonstrar nosso sentimento de desafeto, demonstramos numa boa...

anamaria disse...

Iara, só hoje fiquei sabendo do falecimento de teu pai. Não nos conhecemos e sempre que posso venho aqui. Nessas horas, uma palavra, um abraço valem muito. Espero que teu pai esteja em paz e que Deus conforte teu coração. Meus pêsames!
Um abraço.
Anamaria

Anônimo disse...

Meu abraço atrasado pra você, Iara. Que os sentimentos cheguem onde é preciso quando as palavras não conseguem descrever o que se passa no coração.

Anônimo disse...

Posso parecer fria também com você, mas vou te contar algo que passei. Fazem 16 anos que perdi meu pai. A familia dele era muito unida, nas festas, casamentos,reuniões , todos juntos comemorando, se curtindo. Quando meus avôs morreram, meu pai como mais velho, tomou as rédeas da família, mantinha a união, a comunicação entre irmãos e sobrinhos. Minha casa virou a casa das reuniões familiares, até meu pai adoecer... não tivemos nenhuma colaboração dos seus irmãos e sobrinhos amados, nem falo financeira, mas de uma doação de sangue, uma visita, uma palavra amiga, nada.
Quando meu pai faleceu, a casa se encheu de parentes tristes e chorosos que depois do sepultamento não mais me dirigiram a palavra, à minha mãe, ou ao meu irmão. Se conhece de verdade a familia para a qual fomos enviados nessa hora.Não quero me comportar como eles, não quero ser um deles. Se sou parente pelo sangue, não quero ser de alma. Perdi quem eu amava, mas ganhei em saber como são as pessoas que antes me tinham um falso " amor ".

Poeta da Colina disse...

Como você mesmo disse em outro post, apesar de tudo o amor prevalece.

Seja de onde for.

Deixo aqui mais um abraço, meio que anônimo, mas sincero. Meus pêsames , a dor também vai dar espaço para todo esse amor, só leva tempo.

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