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16 junho 2014

A vida sempre vence

Desde que nasci fui convencida que deveria ''lutar e trabalhar'' caso quisesse alguma coisa na vida e nada viria fácil nem rápido.

Cresci nesse ambiente, por isso sempre vi as dificuldades como uma parte do processo, uma garantia de que meu futuro seria melhor. Tive a disciplina de um guerreiro japonês, fiquei de pé mesmo vendo todos caindo ao meu redor.


Mas algum tempo depois comecei a perceber que as coisas não estavam funcionando, não via os resultados, então vieram me explicar que sou ansiosa, desesperada e quero tudo na hora, por isso não via nada.


Comecei a procurar algumas respostas, não era possível tanta dificuldade em ver os resultados. Me deram muitas explicações e nenhuma me convencia, até que cheguei no Luis Gasparetto, meu muso. Em uma palestra que assisti uma moça da platéia se levantou e fez uma pergunta, muito próxima ao que eu pensava, ela queria saber porque não via os frutos que plantava e Gasparetto disse a ela que estava batendo na porta errada, a vida era simples, o que é nosso é nosso, ponto. O que é lutado, sofrido, chorado, não é pra ser, o fluxo da vida é fácil, o contrário não é a vida. E ela ainda tentou argumentar com ele, dizendo que ''desde quando as coisas caem do céu?'', ele disse que caiam, o que era para ser estava ali, mas era para ela não se preocupar porque a vida sempre vence e quando estamos errados ela nos cansa, até a gente jogar as pedras que carregamos no chão e dizer ''chega''.


Desde essa palestra mudei algumas coisas na minha vida, tentei caminhar pela linha da simplicidade, mas tenho tido uma dificuldade enorme em lidar com os restos de minha educação, aquela que me garante que sem sofrimento não existe conquista.


Mas Gasparetto tem razão, a vida vence e no meu caso venceu. Cheguei no limite da minha resistência física e mental em relação a várias coisas, que eu insisto em fazer, apesar das ondas virem na minha direção.


Em algum momento pensei que poderia abrir um chão de pedras com minhas mãos, mas percebi que estou na direção errada e só senti isso porque estou cansada, caso contrário amanhã eu sacudiria a poeira e começaria de novo o que vinha fazendo, mas o cansaço faz tudo perder o sentido e a graça.


A minha avó super católica sempre me garantiu que Deus gosta do sacrifício, ele ajuda quem rala e eu não poderia desistir nunca, para que não acontecesse o que já aconteceu com milhões de pessoas no mundo, desistem quando estão a um passo de ver a colheita, mudam de caminho quando estavam a um quarteirão da vitória. Em teoria é lindo, mas quem já se sentiu exausto de uma situação, de não ver resultados apesar dos esforços sabe bem  que eu estou dizendo.


Cansei de brigar com a vida, de insistir no que não parece ser para mim, paciência, se o caminho que escolhi estava errado, então limpo meus sapatos e começo outro, mas já não quero mais sofrer na insistência nem no vazio que causa.


Fico triste, mas sonhos quando se tornam pedras são pesados demais para carregar, meu único consolo é que acreditei no meu sonho, por um tempo fui feliz, mas a vida parece ter outros planos para mim e como sou de natureza melancólica sofro a perda do meu sonho, choro, me desespero, mas ao mesmo tempo sei que não faz mais sentido brigar por uma coisa que não é para mim. Sonhos têm que ser o vento que empurram nossas assas, não as cordas que amarram nossos pés.


Talvez por um tempo eu fique com raiva da vida e um pouco triste, mas faz parte, prefiro isso do que a sensação que carrego no momento de frustração, de não ver diante de mim o que tanto lutei para ter.


Essa parte da vida quando topamos com uma parede e percebemos que o nosso caminho não é por ali doí muito e pode ser uma questão de trabalho, de relacionamentos, de qualquer coisa, a parede aparece ali e ficamos na dúvida, se devemos quebrar ela com nossas mãos e pensar que é mais um obstáculo vencido, ou devemos dar a volta e ir embora? Nessas horas a vida decide, se ela quiser pode nos cansar até a gente perceber a burrada que está fazendo.


E lembro de um amigo místico que me dizia que o grande barato da vida não são as portas que procuramos e batemos, mas aquelas que aparecem do nada e se abrem para nós, mostrando um mundo que nem imaginávamos existir. Mas isso só acontece quando largamos mão de insistir nas coisas que não dão frutos e deixamos a vida fazer a parte dela. Brigar como eu briguei leva a exaustão e a tristeza e por mais chateada que eu me sinta hoje escrevendo sei que é  largar mão do meu sonho é a melhor coisa que posso fazer, já devia ter feito isso antes, quando virou pesadelo, mas eu sou teimosa e demorei em aceitar a realidade.

Abandono agora as portas que tanto bati e se a vida quiser que me abra as que são um caminho melhor para mim. Da minha parte acabou a luta e o sofrimento, se não era para ser alguma inteligência cósmica deve saber os motivos, eu só posso me resignar e largar as pedras que carregava, se errei nos caminhos escolhidos, vou seguir o que a vida me mostrar, porque pelo menos tenho esse consolo, ela sabe melhor do que eu o caminho a seguir.

Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Meu caso é diferente mas não menos perturbador,pra mim as coisas sempre vieram naturalmente e eu nao teria nada do que reclamar na vida,mas eu nunca tive um grande sonho para corer atras e achava que a vida estava boa. Este ano nasceu dentro de mim um sonho,um sonho pessoal,algo que quando penso me sinto viva e capaz de conquistar qualquer coisa,o problema é que para corer atras desse sonho eu teria que abrir mão de tudo o que tenho hoje,abrir mão das coisas materiais eu até acho facil,mas e das pessoas?
Anna

Poeta da Colina disse...

Sempre achei que a vida tem uma imaginação muito melhor do que a nossa. Só penso que ela traz o cenário, a trama, mas isso não isenta nossas decisões.

C.Belo disse...

Difícil mesmo é saber quando persistir e quando desistir. Para mim, essa percepção nunca foi fácil.

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