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05 maio 2014

Patrícia Secco (Dra. Frankenstein): escritores brasileiros, acharam que não podia ficar pior?

Patrícia Secco é a nossa .....
Dra. Frankenstein

Depois de muitos anos no teatro aprendi a cruzar a rua e cumprimentar outros grupos. Quem está ali sabe o trabalho que aquilo dá, teatro é uma das poucas coisas no mundo que só se fazem por amor, porque o caminho é árduo.

Mas durante anos vi grupos apelarem para jogadas de marketing e estratégias para conseguir todo o tipo de verba. Vi coisas que nem Deus acredita, mas aconteceram.

Uma vez eu estava em um dos projetos mais incríveis que já trabalhei e lutávamos por uma verba da cidade. No fim ficamos entre os dois grupos que disputavam essa ''verba''. Eu dormi tranquila, o trabalho do outros eu conhecia e não era melhor do que o nosso, mas perdemos a verba para eles. Quando eu questionei uma pessoa ela me respondeu:
-Teatro não é só fazer, é saber vender e teu grupo não sabe nada disso. 


Foi uma lição que não esqueci e hoje tenho a humildade de apertar a mão de quem sabe ''vender'' uma ideia. Tenho certeza que se encontrasse com a Bruna Surfistinha eu parabenizaria ela pelo fato de vender tantos livros sem ter nada a dizer.

Vejo isso todos os dias na mídia mundial, pessoas ''vendendo'' ar e se mantendo, enquanto eu me pergunto como são as coisas.

E o limite da venda não existe, não tem manual nem nada que diga que ''vender'' é um ato ético, a pessoa é livre, pode fazer o que quiser, finalmente o trouxa é quem compra.

E a semana começou com uma professora, Patrícia Secco ''vendendo'' sua ideia. Está com um grupo de amigos ''refazendo'' clássicos da literatura para ''facilitar a leitura'' dos jovens. 

Mas eu sou antiga mesmo! Poxa, na minha época ninguém quis facilitar, tive que ler os ''clássicos'' da maneira que foram escritos e vou dizer uma coisa, não morri nem peguei nenhuma doença.

É porque eu tô velhinha, mas nos meus tempos clássicos eram clássicos e a obra do autor se respeitava, ninguém entrava no meio do caminho querendo fazer um Frankenstein dela.

E vai meter mão em livros alheios para que? Só para se promover e ganhar em cima disso, porque se tivesse um interesse real em ajudar os jovens a ''entender'' um clássico saberia que o buraco é mais embaixo, tem que mudar toda a estrutura do ensino, investir em bibliotecas e museus.

Mas ela quer facilitar! É, imagino que vai lançar uma versão microondas onde Capitu vai mandar ''beijinho no ombro'' para todos os seus leitores ''recalcados''.

Quando eu era pequena meu pai ficava revoltado com livros infantis com desenho e só me comprava o que não tinham. Mas Deus existe e agora vou tirar o trauma, imagino que essa nova versão dos clássicos vai estar cheia de desenhos que vejo no Facebook e no twitter.

Não entro na questão acadêmica, porque desconheço o que ''facilitar'' a leitura quer dizer, mas entro em uma questão de alma. Isso não se faz a obra de ninguém. Como escritora eu posso subir em uma montanha e dizer, isso não se faz, mexer no que o outro demorou para construir é uma falta de respeito, não só com o escritor, mas com o ser humano que sacrificou seu tempo e energia para fazer uma coisa que acreditava.

Mutilar o trabalho de alguém deveria ser crime. Machado de Assis trabalhou duramente para construir seu texto, se alguém não entende o que está escrito então que se pense em melhorar o ensino, mas mastigar e dar na boca não vai resolver nada.

E se vão fazer isso quero ver na matemática, porque eu ralei demais na escola, nunca entendi essa porra. Só vai valer para as aulas de português o texto mastigado? Quero ver alguém facilitar aquelas coisas de raiz ao quadrado, quero ver!

Simplificar um texto para que alguém entenda é chamar a todos de burros, as pessoas não são burras, elas apenas são vítimas de um Estado ausente e de um ensino fraco, débil, vergonhoso. Já trabalhei com pessoas que estavam aprendendo a ler e escrever depois dos cinquenta anos, e vi isso, as pessoas são dedicadas e não são burras, com um bom ensino todo mundo aprende. Tudo que existe na leitura é para nos desafiar e ensinar, não para ser lido e mastigado, livros não são comida, exigem atenção e leitura cuidadosa, mas tudo isso se aprende, ninguém chega sabendo.

Essa mentalidade ''fator Brasil'' me tira do sério, sempre procurando soluções mágicas para problemas que se arrastam há séculos. O problema do ensino no Brasil não vai se resolver apenas ''mastigando'' os livros e tentando se aproximar do que os jovens gostam. Nesse caso imagino que Capitu vai virar Anitta e Bentinho vai ser Mc Gui.

E literatura não é um Mc Donalds, que tenho certeza também pensaram em ''simplificar'' a vida das pessoas, ora, se gostam de comer frango, eles inventam os Mc nuggets! Tiram das pessoas o trabalho de desfiar frango e dão tudo molinho em uma pedaço pequeno. E vamos levar essa mentalidade aos livros? Transformar em Mc Nuggets qualquer livro que passe de cinquenta páginas?

Minha única vantagem é que não espero nada do Brasil, até acho que demorou para jogar seus clássicos na fogueira. O Brasil não procura soluções a longo prazo, remenda o que dá, é mais fácil mutilar uma obra do que melhorar as escolas e preparar os alunos.

Eu só posso dizer que se um dia mexerem nos meus textos eu volto do inferno, como naqueles filmes de terror, vou perseguir quem fizer isso, porque no Brasil todos os escritores já lidam com a falta de respeito por todos os lados, com editoras ambiciosas e míopes que preferem apenas comprar best-sellers lixo de fora, livros sem preço acessível e pouco incentivo a leitura. Isso já é suficiente para qualquer escritor, não precisa agora jogar a Dra. Frankenstein em cima dos escritores para mutilar sua obra.

Criar doí e isso merece respeito, não existe no mundo obras ''simplificadas'' para que o público possa entender, não se mexe nunca no original.

Bom, se nem os clássicos foram perdoados nessa mutilação imagina os que estão chegando, qual será o destino deles?

Ainda bem que essa ''comissão'' de amigos vai poder apenas detonar os clássicos brasileiros, Deus me livre e guarde de pensar que podem colocar a mão nos outros.

Mudar um texto para que alguém entenda é passar em cima da história, pisar a cultura e explodir o pouco que fica de um país. Somos intelectualmente falidos perto do resto do mundo, temos poucos escritores reconhecidos no planeta por questões políticas muito amplas, um governo que não apoia quem escreve e já tivemos um presidente analfabeto funcional. Se como cidadãos não podemos fazer muito, pelo menos deveríamos respeitar quem já fez, como os escritores dos clássicos.


E agora vamos a parte dos parabéns. Patrícia, meus parabéns pela sua ideia de se promover e conseguir verba para teu projeto tão fantástico! Você conseguiu em um dia o que eu levo anos tentando e olha que eu sou uma pessoa humilde, não quero mutilar a obra de ninguém, só quero fazer minhas coisas. Mas da próxima vez moça, seja mais direta, não fique mutilando clássicos, melhor jogue uma bomba no país inteiro, se é para explodir o pouco que fica do trabalho dos escritores é melhor o Brasil voar pelos ares. 

E Patrícia só quer na sua nobreza de coração ''simplificar'' a leitura. Mas as entrelinhas me dão arrepio. O que vai chegar na alma desses jovens é uma mensagem bem clara, vocês são burros, incapazes de aprender a ler um clássico e não importa estudar nem melhorar no Brasil, não importa fazer nada direito, não faz diferença se esforçar, sempre vai ter alguém que vai ''mutilar'' qualquer coisa bem feita. 

Machado de Assis trabalhou muito duro para defender um idioma, que hoje uma professora quer ''simplificar''. Essa é a mensagem Brasil, não estudem crianças, porque aqui isso não significa nada, continuem fazendo suas rimas na frente do espelho e com um pouco de sorte podem ser os próximos Mc Guime, porque ali as letras da música são tão curtas que não correm o risco de serem mutiladas.

Iara De Dupont

8 comentários:

Suzana Neves disse...

Esperando o Apocalipse em 3 2 1....
Já esto cheia de tanta merda.

Anônimo disse...

Engraçado que eu também tive que ler os clássicos do jeito que eles eram, com aquele português antigo e formal, tendo como única ajuda aquelas notinhas de rodapé do editor. E sabe o que mais? Eu amava! Teve uma fase em que eu entrava na biblioteca da escola e ia direto nos clássicos. O primeiro que li foi O Guarani, que pertencia a um tio. Depois Helena, Iaiá Garcia, A Moreninha, O Cortiço, Dom Casmurro (esses não gostei muito não), Lucíola (um dos meus favoritos apesar de achar o final "injusto", rsrs). E sempre gostei muito de ler, compro livros (caros que só o caramba, mas vale a pena), leio livros online, leio de tudo, dos clássicos aos gibis. E fico triste quando penso em quanto os jovens dessa geração vão perder com essa história de não ler nada mais complexo que um meme de internet. Mas como ser diferente? Minha intimidade com a leitura, inclusive com os clássicos, começou em casa, nos gibizinhos, nos livrinhos infantis que meus pais e avós compravam pra mim, nos contos de fadas, na mini biblioteca da família, nos livros dos mais velhos que eu pegava emprestado. Como a nova geração de hoje em dia vai ler se os pais não tem nem uma revista de TV em casa?

Sorry, falei demais. É que eu realmente amo leitura.

Iara De Dupont disse...

Não conheci até hoje nenhum trabalho mais solitário do que escrever e até porque tenho como comparar pelo teatro, onde o trabalho criativo sempre tem direção e colegas por perto para orientar. Já escrever é um momento de solidão e de afastamento de todos, por isso fico muito feliz quando recebo comentários, pra mim ninguém comenta ''demais'', eu sempre sinto que a pessoa está conversando comigo e fico alegre ao perceber que ela se interessou pelo assunto e veio me contar sua visão. Te agradeço muito o comentário!bj

Iara De Dupont disse...

Su, tô na torcida do apocalipse desde os meus dois anos de idade...acho que agora vai....

Anônimo disse...

Beijo pra tu Iara! Seu blog é lindo, um dos melhores que já li.

Anônimo disse...

O que essa senhora está fazendo, junto com seus cúmplices, é um atentado contra a integridade de uma obra, literária ou artística. Não se faz isso nem mesmo com um livro de um Paulo Coelho. E, pra piorar, esse crime foi cometido com o dinheiro dos impostos que pagamos. Será que a ABL vai ficar calada? Os nossos escritores contemporâneos devem protestar, qualquer um deles estará sujeito a ter um livro seu "reescrito" por essa, digamos, escritora. Abrenúncio!
Francisco Sobreira

C.Belo disse...

Gente, quando li isso achei se tratar de mais uma piadinha infame de facebook!

Ah, sacanagem isso! Eu tb me esfalfei para ler Machado na adolescência, me esforcei pra entender e hoje colho os louros disso, que é conseguir entender um texto minimamente complexo.

E outra, cara, pra que isso? Se é a SÓ a história que vale, não a construção da escrita, a riqueza e complexidade da linguagem utilizada, pq não fazer filmes de uma vez de todos os grandes clássicos da literatura, não é mesmo? Ao menos, é uma outra linguagem, é outra "obra" dentro da obra, por assim dizer, e por isso, além de não ser uma atitude tão picareta, se é pra facilitar, que se facilite de uma vez, oras! Essa moçada que já detesta ler iria adorar de verdade.

Imagina Iara de Capitu??? Rs!

Anônimo disse...

Sempre gostei mais de revistas, jornais, até li livros, mas não mtos... já antes da minha filha nascer, arrumei vários livros que eu tinha ganho "Patrícia Engel Secco" a maioria, e coloquei numa prateleira pra ela, desde pequena ela msm pede os livros e fica folheando, adora quando leio uma história, até gosto dessa escritora, já conheci pessoalmente.Mas tbm acho que não se mexe no que já foi escrito, tanto pq as coisas escritas por eles vem da alma, e só entende, quem mergulha na alma do escritor, então um resumo não vai ajudar, quem quer e se interessar por um livro desses, vai procurar o original, agora se a escola exigir a leitura, certamente vão pegar o resumo dela kkkkkkkk

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