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15 maio 2014

O preço de uma ideologia


Tenho duas certezas na vida, ou algumas pessoas me amam muito ou elas nunca passam aqui no meu blog, porque insistem em me contar algumas coisas mesmo sabendo que eu vou dizer o que penso.

E lá veio uma amiga me contar uma ''ideia genial''. Seu filho queria um brinquedo muito caro e ela não podia comprar, então decidiu explicar ao menino que o brinquedo era feito de plástico, coisa que polui o planeta, mata animais e contamina os rios.

Na minha época não tinha isso, minha mãe dizia ''não posso comprar'' e pronto, não destilava um rosário de explicações baratas.

Eu perguntei a minha amiga que sua ideia tinha sido brilhante até a página dois, é importante o menino saber que seu consumo afeta o planeta, mas como ela vai explicar o plástico que eles têm em casa? Que está desde no chinelo até móveis. O menino vai querer saber porque os pais podem consumir plástico e ele não. Ela me disse que não sabia, mas ia dar um jeito. 

Não sei nada sobre educação infantil, mas me arrisquei a dizer que não me parecia boa ideia o que ela tinha feito, podia criar um ser humano com duas verdades, assim como um ex-namorado meu, a pessoa cresce sem encarar a realidade.

É mais fácil dizer ao menino que não pode comprar o brinquedo, do que ensinar ele a enrolar em um futuro. Mas entrou o ego dos pais, incapazes de assumir que não tem condições, esse é o  ponto. Não é só dinheiro, é em tudo na vida, todos somos obrigados a ficar na frente do espelho e às vezes dizer ''isso dá, isso não dá''.

Ensinar a criança a achar desculpas ou criar discursos artificiais faz ela ficar como meu ex-Romeu, um garoto verde até a segunda página.

Tive durante um tempo complexo de formiga, adorava um homem verde, ecológico, sustentável, consciente e amigo do planeta. Graças a Deus e a muita reza me curei disso, mas já corri muito atrás desses exemplares.

E conheci um radical, tudo na sua casa era ''sustentável e reciclável'', sua irmã trabalhava em um projeto na Amazônia como bióloga e vivia trazendo objetos de lá. Eu odiava, porque como eles são ''crus'', sem processos industriais acabam trazendo muitos animais pequenos, parece que sempre tem alguém morando ali nas cestas. Mas o meu Romeu verde era louco, radical de pedra. Só usava bicicleta e dizia que jamais teria um carro, nunca sustentaria a ''fome da indústria petroleira''. Na sua cozinha só tinha coisas orgânicas e integrais, era super extremista, todo seu discurso era baseado nisso.

Mas tinha seu lado sombrio, ou pelo menos eu acho isso de mulherengos, para mim homem que mente é sombrio. Ele tinha várias namoradas e ia levando, até que uma delas ficou sabendo das outras e deu uma prensa no rapaz. Tudo isso fiquei sabendo depois, no auge da minha ingenuidade achei que era a única.
Ele escolheu uma das três, por coincidência uma herdeira de uma rede de hotéis aqui de São Paulo. Uma moça estudada que trabalha quando quer, mas no geral se dedica a ser feliz, coisa que está certa.

E fiquei sabendo que ela deu um carro importado e blindado para ele. Mas não é?
Como assim, achei que ia dar uma super bicicleta, mas um carro blindado para alguém que não quer alimentar a ''fome da indústria petroleira?''.
Que porra foi essa?

E não foi só isso, os tênis ecológicos do rapaz foram trocadas por sapatos italianos e seu cinto feito por indígenas saiu para dar lugar a um cinto de couro da Hermès. Cadê o rapaz que surtou quando me viu comer um pedaço de queijo, porque era vegetariano radical? Cadê?

Não entendi nada. Mas tenho uma explicação, alguns discursos na vida são ditos para esconder o fracasso. Eu achava que o problema do meu ex-Romeu era ser um homem sem ambição e acomodado, mas o problema dele não era esse, era ser um fracassado e sonhar com coisas que não podia ter.

Foi um perdedor ruim, não soube ficar na frente do espelho e assumir que era um merda e não tinha dinheiro, preferiu adotar esse discurso verde para esconder seu fracasso econômico. 
Se meu ex-Romeu fosse realmente um homem comprometido com suas ideologias poderia ter tirado proveito da situação, por que não vendeu o carro e deu o dinheiro para uma ONG na Amazônia?

Penso que caso ele acreditasse no que dizia acreditar poderia fazer muito com o dinheiro da namorada, porque as pessoas mais engajadas com as questões ecológicas e direitos dos animais que eu conheci eram pessoas de dinheiro, caso contrario é impossível comprar alimentos orgânicos e viajar pelo mundo para conhecer alternativas de consumo.

Tenho a firme crença que existem ideologias nossas que não tem preço, o resto a gente negocia. Eu não tenho mais problema com isso, a única coisa que me recuso a aceitar e negociar são animais em laboratórios, acho isso inaceitável de todos os pontos de vista, mas o resto eu relevo, não posso fazer muito a respeito.

É isso que minha amiga está ensinando ao filho, a usar ideologias conforme seus interesses, não está ensinando o menino a assumir seus limites e aceitar quando quer uma coisa que não pode comprar. Também ensina o menino a ''flexibilizar'' suas convicções, a manter elas enquanto forem de sua conveniência.

E isso não envolve só o dinheiro, conheci já muitas mulheres gordinhas que comiam demais, exageravam, em vez de melhorar isso para não prejudicar a saúde preferiam dizer que não queriam ser magras, que era horrível seguir um padrão estético maluco. Sim, pareciam corretas, mas se alimentavam mal, cheias de açúcar e sal, em vez de encarar a realidade  e aceitar que estavam indo longe demais nas besteiras que comiam.

É melhor aprender desde cedo isso, a ficar na frente do espelho e se perguntar também o que podem fazer para mudar uma situação que não gostam, do que adotar o discurso da moda para parecer ''moderninhos e antenados'', escondendo assim no que fracassaram.

Nunca fui burra e sempre percebi que meu ex-Romeu era um ordinário, eu só não sabia até onde ia isso, mas já vi. E aquela velha máxima, todo mundo tem seu preço, no caso dele foi bem barato, acho até que estava em oferta.

Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente já me deparei com um sujeito, aliás dois destes.
Number one: não quero namorar, quero curtir, não gosto de menina patty, fresca, tem que ser assim roqueira e livre como vc, quem sabe um dia não será vc??
Resultado: Namora uma patty, classe média e fã de sandy #fazcomo????
O segundo: Veio de uma família que não é rica mas tem boas condições, poderia andar arrumado mas anda pior que um morador de rua pois acha frescura se arrumar, poderia ter um carro mas finge que odeia pois tem medo de tirar a carteira, poderia estudar mas prefere fingir que canta, esse cara pensava eu não vai mudar por ngm... Mentira é só cair uma pobre menina rica na lábia dele que se tiver vidão ele se arruma rapidinho... E nós mulheres que somos umas vadias interesseiras...

Anônimo disse...

Dinheiro costuma ser ótimo pra derrubar máscaras. Um dos melhores pra isso que existe, na verdade. Igual ao dinheiro pra mostrar a verdadeira cara de alguém, só poder. Coloque um desses dois na mão de alguém e você saberá rapidinho quem essa pessoa é.

C.Belo disse...

Cara babaca hein...


Agora quanto a dizer à minha filha que não darei algo por falta de grana, não terei problemas nenhum, e digo isso com a maior autoridade, eu não tenho problemas nenhum e herdar os brinquedos da minha sobrinha e dá-los a ela. Acho que 90% dos brinquedos dela são herdados. Ela nem está acostumada a ganhar brinquedos, e por isso nem me pede nada, nunca ouvi dela numa loja "compra mamãe". Sei que ela ainda tem 3 anos, mas vejo muitas crianças nessa idade já altamente consumistas! Fico pasma!

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