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09 maio 2014

Nunca mais vou ser ''fácil''


A vida é simples,  sou eu que complico e tento desesperadamente descomplicar com meu blog, por isso talvez, não sei, escrevo tanto, tento separar todos os fios da minha existência e desfazer os nos.


E uma coisa que levei décadas para entender, hoje sei que até uma criança entende, mas eu não percebia, não porque eu ''sou'' quer dizer que o outro também ''é''.


Devo neste mundo me limitar a fazer minhas coisas sem esperar que o outro pense  e faça como eu, mesmo que isso trave alguns pensamentos meus, como por exemplo, alguns aspectos do feminismo.


Tenho isso bem claro na minha mente, feminismo é a luta pela igualdade e isso é ''tudo'', não existe igualdade pela metade, ou é inteira ou não é. Mas na prática diante de um mundo machista começo a perceber que vou ter que ''negociar'' algumas coisas, apenas porque eu sou feminista em um planeta que não é, o outro lado da questão é machista e sem previsão de melhora.


Quando eu era adolescente um dia fiz uma reunião na minha casa. No final uns amigos iam caminhando para o ponto de ônibus, quando eu e minha prima decidimos acompanhar eles. Meu tio foi ao meio da rua e puxou minha prima aos gritos, dizendo que ''mulher não faz isso''.


Meu tio é como todos os homens, machista a sua conveniência, adora dar uma de ''machão'', mas não leva seu machismo em questões técnicas, suas filhas é que sustentam a casa. Acho essa parte do machismo bem engraçada, o homem que adora cantar de galo, bater com o martelo na mesa, mas não coloca um centavo nela. Pra mim se o homem é machista então que assuma isso, que pague todas as contas, faça aquele discurso obsceno de que ''mulher não trabalha, não faz nada'' e saia gritando ''nesta casa quem manda sou eu'', mas só gritar sem colocar dinheiro em casa é coisa de maluco.


Fiquei chocada aquele dia com meu tio, eram meus amigos e na minha inocência não vi nada demais em acompanhar eles na rua.


Mas eu entendi o episódio? Não.


E se passaram algumas décadas para entender. Fui criada de maneira independente e mesmo sem nenhum conhecimento de feminismo já trazia na minha alma a necessidade de liberdade. Não me acostumei a depender de ninguém e levei isso aos meus namoros.

Depois de um tempo achava normal ir a casa deles, nunca questionei isso.

E  uma vez aconteceu uma coisa. Eu dormia na casa de um namorado quando um amigo chegou e foi pegar uns filmes que estavam na prateleira do corredor, escutei eles conversando e quando meu namorado pediu ao amigo para falar baixo porque eu estava dormindo, e o amigo disse:


-Ela tá aqui? Putz, não curto mulher que gruda.


Meu namorado não disse nada, mas depois perguntei o que tinha sido aquilo, porque eu nunca fui mulher ''que gruda'' e ele desviou a conversa.


Corri para conversar com um amigo gay e ele me fez apenas uma pergunta:

-Quem vai para casa de quem?

Disse que eu ia na casa do meu namorado, pelo seguinte, ele trabalhava a semana inteira, ficava de saco cheio e não gostava de sair nos fins de semana, então me convidada para ir lá, nunca apareci, eu era ''convidada''.


E meu amigo disse:

- Te dou dois meses de namoro, essa merda vai acabar porque nenhum homem no mundo respeita uma mulher que é só pegar o telefone e ela chega em cinco minutos, na cabeça deles isso é outra coisa.

Argumentei com meu amigo que ele era meu namorado e qual o problema? Ora, se eu posso ir a casa dele, me convidou, por que vai pensar mal? Não é igualdade isso? Ou tenho que sentar e esperar ele chegar na minha casa e namorar no sofá?


E meu amigo falou:

-Iara, você está atropelando uma situação, não é porque você acha que é feminismo que ele vai pensar a mesma coisa. Você já superou a psicologia barata, que garante homens são caçadores e conquistadores, não gostam de mulheres fáceis, nem as que têm a mão, querem sempre a mais difícil. Você leu essa merda e entendeu que é isso, é merda, mas ele não deve ter lido, na verdade o mundo ainda nem foi avisado que isso é merda, vai na livraria e dá uma olhada na quantidade de livros sobre como conquistar um homem, a primeira regra é ''seja difícil e não facilite o acesso a você''.

Continuei discutindo com meu amigo, meu namorado era um cara super informado e lutava contra seu machismo, jamais pensaria que eu estava a disposição dele, mas na dúvida mudei alguma coisa. 

No outro fim de semana ele me convidou para sua casa  e eu disse que tinha feito jantar na minha, por que não vinha passar o fim de semana aqui?

Ele não topou, se disse cansado e ficamos de nos falar no dia seguinte. Ele não ligou e comecei a pensar no meu amigo. Meu namorado tinha ficado na minha casa apenas uma vez, bem no começo do namoro, depois disso eu ''facilitei'' para ele indo na sua casa.


O namoro desandou por milhões de motivos, mas com certeza o fato de não ir mais a sua casa foi um deles. 

Meses depois fiquei sabendo que ele começou um namoro com uma garota que morava do outro lado da cidade e ele não tinha problema nenhum em ir até lá e voltar, porque ela morava com os pais.

Quando eu soube disso entendi tudo, inclusive aquele bronca sem noção do meu tio. Não adianta fechar os olhos e acreditar que apenas porque sou feminista e independente os homens vão pensar a mesma coisa e ter os mesmos princípios que eu tenho. Para a grande maioria deles a regra é simples, mulher se conquista e tem que dar trabalho, se for fácil é porque ela é uma vadia.

Na minha cabeça isso é medieval, mas resolvi seguindo conselhos mudar algumas coisas na minha  vida.

Já conheci alguns homens depois desse namoro e sempre deixo claro, as portas da minha casa estão abertas, mas eu desvio convites de visitar a casa deles. Escutei várias vezes ''vem aqui'', ''você não quer vir aqui?'', ''ah, o que custa você vir?''. Respondi a todos ''não posso, mas se quiser jantar aqui em casa pode vir''. E sabe o que aconteceu? Nenhum veio.


Essa é a regra do jogo, principalmente com os brasileiros, folgados por natureza. Se eles tem o mínimo de interesse talvez venham uma vez, mas não passa disso, depois ficam nenéns e começam a pedir para ir na casa deles.

Isso me serve muito de filtro, até dou risada, mas me ajuda a separar os homens, sei que quando enrolam e não vem na minha casa é uma coisa superficial, não tem um interesse ''real'' em mim, caso ele tenha outra atitude, presto atenção no moço. 

E acho esse assunto mais atual do que nunca, apesar de parecer da idade média, porque apareceu um novo fator, a internet. Tem muita mulher conhecendo homens aqui e cruzando estradas para ver eles, depois chegam lá e a coisa desanda. Não conheci até hoje um namoro que tenha dado certo porque a mulher foi até lá e conheço mulheres que já foram a outros países conhecer o seu Romeu e a coisa não deu em nada.


Um amigo bem machista uma vez disse uma coisa que nunca esqueci:


-Pode ser ótimo mulher de atitude na Suécia, mas aqui na America Latina mulheres assim ''humilham'' o homem, fazem ele se sentir menos. 


Ah, então temos outro ponto, eles se sentem humilhados por mulheres que tomam a iniciativa e procuram as que fazem eles tomarem a ''iniciativa''.

E minha avó ainda dizia, ela era capaz de matar uma neta se visse correndo atrás de homem:


-O interesse tem pernas e vai atrás do que quer. E você vai fazer o que com um homem sem pernas?


É fato, se ele está interessado ele vai atrás, caso contrário a coisa morre na praia e eu posso garantir isso.


O lado que eu conheci, da igualdade e de não pensar que estava sendo usada porque era ''fácil'', posso dizer aos berros, não dá certo, esqueçam isso, homens são machistas e dividem as mulheres em duas, as que dá pra pegar fácil e as que são ''honestas e difíceis''.


Mas é machista isso! Sim, o mundo é machista e os homens são mais ainda, porque é da conveniência deles ser assim, do que adianta jogar pérolas aos porcos e me comportar com uma mulher bem resolvida se eles não passam de meninos estúpidos que em pleno século XXI dividem as mulheres em putas e santas? 


Os homens saíram as ruas antes das mulheres, são mais rápidos em se aproveitar de uma situação do que nós, por isso ao ver tantas mulheres independentes que acham normal ir na casa do namorado, por que não se aproveitar? A natureza masculina tem esse desenho.


Sempre tem alguém para me dizer que não são todos assim e que ''meu namorado não é desse jeito'' e eu sempre respondo a mesma coisa, ''aperta pra ver''. De um jeito ou outro o machismo sai e se existe no Brasil alguma mulher que não é explorada no relacionamento eu sugiro que corra a um museu e fique por lá em exposição, porque todas queremos ver quem é.


Já resolvi essa questão na minha vida, me transformei em pedra e me recuso a sair do lugar, não importa quem está do outro lado, pode ser o Ryan Gosling com aquela voz dele incrível me pedindo para ir a sua casa, não vou, não mexo. Se eles querem a princesa isolada na torre do castelo eu posso fazer isso, mas nunca mais vou ser a ''fácil'', porque ficou muito bom pra eles e péssimo para mim. No meu feminismo invertido agora sou eu que quero me dar bem.


Iara De Dupont


3 comentários:

Anônimo disse...

Ou seja, a manézada nunca está satisfeita. Se a mulher vai, é fácil, é vadia, não interessa, não serve pra casar; mas se ela não vai a macharada chora, porque o sofá de casa tá muito confortável e ele não quer sair. Te dizer, viu, esse povo precisa urgente crescer e decidir o que quer de uma vez.

Anônimo disse...

Na minha cabeça você não está levando vantagem nenhuma nessa sua tática. "Se eles querem a princesa isolada na torre do castelo eu posso fazer isso", "me transformei em uma pedra". Claramente você procura alguma coisa séria senão não teria porque pensar que ficou péssimo pra você e bom pra eles.
Eu não tenho muita experiência em relacionamentos, mas sou uma pessoa sensata, sei que existe machismo em toda parte e o que me dá mais raiva é que as mulheres continuam agindo da mesma maneira, agem como tolas concordando com as malditas "regras sociais" e seguindo a cartilha da revistinha feminina. Se separando do “saco”, da “manada” a fim de receber algum “prestigio social”. -“Porque eu sou diferente”-, -“Nem todas são assim”-...
Eu me sinto muito frustrada também, eu me sinto muito frustrada por entender o problema, saber a origem, saber o porquê e não poder solucioná-lo. Atualizar minhas idéias e ver que elas estão em perfeita desarmonia com o resto das pessoas que me rodeiam.
Mas veja bem , não estou te criticando, são apenas fatos, você viu a conseqüência de sua conduta e mudou-a, de alguma forma você entrou nesse jogo... como a maioria faz...

Anônimo disse...

Iara, conheci seu blog hoje graças o "escreva lola escreva" e passei a manhã lendo seu blog. Estou adorando.. uma pena vc pensar em termina-lo. Bom, elogio feito, valos a esse post especifico.

Com todo o repeito, vc està viajando na maionese. Eu sempre fui"facil"; Sempre dei quando quis, fiquei com muito homem, e ia na casa deles. E eles sempre vieram na minha. Nunca fiz jogos. E até hoje sempre fui eu quem terminei os namoros. SEMPRE!!!! E sou amiga da maioria até hoje.
Falo isso para mostrar que o caso é: temos que ser como somos, e fazer o que quisermos. Finjir ser uma princea inacessivel, quando na verdade a gente é andarilha, não serve.

COm meu ex marido ( sim, sou separada) a gent ese encontro e rolou uma quimica tão maravilhosa que nos comemos no primeiro encontro, e foi maravilhoso e ficamos juntos por 7 lindos anos.

Isso de se fazer de dificl ou facil nõa tem nada a ver. Se seus relacionamentos não deram certo, certeza que foi por outra razão.

Abraços.
YAra

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