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23 maio 2014

Não tem diálogo? Então vou sair às ruas nua


Entrei em uma dessas lojas gigantes de roupa, estava procurando um casaco, mas vi na vitrine um vestido muito bonito e perguntei a vendedora se tinha do meu tamanho e ela laconicamente me disse:

-Não.

Deve ser o clima geral do país e o caos da cidade de São Paulo, mas me irritei e fui embora da loja.

A sensação que tenho é que não existe diálogo entre o fabricante e meu corpo. Se entro em uma loja gigantesca, que sempre diz que faz tamanhos maiores acredito que façam, mas chego lá e não é bem assim, os tamanhos grandes ficam em um canto e são roupas iguais a milhões, as camisetas brancas com desenhos e algumas calças. Mas aquelas roupas legais na vitrine não são feitas em tamanhos maiores. Então a indústria está mentindo, blusas grandes não são as únicas roupas que as gordinhas usam.

E cansei de tanta besteira, sou obrigada como todos a aguentar as mentiras da indústria farmacêutica, que se recusa  a trabalhar de maneira transparente e jogam drogas no mercado que não sabemos o que são e a indústria alimentícia que também joga veneno em todos seus produtos e não somos informados. Agora vou ter que aguentar a industria da moda dizendo que faz roupas com tamanhos maiores sendo que isso é mentira?


Vão me dizer que eu poderia ter ido direto a uma loja de tamanhos grandes, é verdade, mas a loja que eu entrei trabalha aos berros dizendo que tem tamanhos maiores.


A matemática é simples, em 1878, um americano Frank Woolworth percebeu que as pessoas iam a diferentes lojas para comprar tudo o que precisavam, muitas vezes perdendo muito tempo. Pensando nisso abriu sua primeira loja, Woolworth, onde vendia de tudo, foi o primeiro a colocar no mesmo lugar comida e utensílios para cozinhar, produtos de limpeza. Foi o primeiro supermercado e deu origem a todos que conhecemos hoje.


Esse é o ponto, se me dizem que vou encontrar tudo na loja em tamanhos grandes, eu vou lá. Mas chegar e perceber que não tem nada além de umas roupas sem graça me irrita, chego a conclusão que a indústria da moda não está entendendo meu ponto de vista, eu não quero uma blusa branca com desenho, eu quero todos os modelos que vejo na vitrine em tamanho maior, caso contrário que coloquem uma placa sinalizando as roupas grandes que diga ''local da discriminação''.


Cansei dessas migalhas das lojas, espero que um dia declarem falência porque cada vez que entro em uma e não acho nada do meu tamanho me sinto discriminada e na hora lembro daquelas placas que existiam nos Estados Unidos onde avisavam as pessoas que o lugar não permitia a entrada de negros. É chocante ver isso e essas placas só começaram a ser arrancadas depois dos anos sessenta, quando grupos de direitos civis foram à luta. Quando eu entro em uma loja e não encontro nada para mim vejo na minha frente uma placa avisando que gordos não são bem vindos ali, lugar somente para os ''magros''.


Discriminação é discriminação, se a pessoa vai abrir uma loja tem que pensar nisso, se não quer fazer roupas em tamanhos maiores que abra uma loja de eletrônicos, porque lojas pequenas podem escolher o que querem vender, mas grandes magazines não podem se dar o luxo de escolher cliente nem de fazer propaganda enganosa.


Sei que no fundo o problema é que o diálogo entre consumidoras como eu e lojas no momento está encerrado. Elas vão lembrar de mim na hora que seus números entrarem no vermelho, então vão correr atrás do meu dinheiro. Até lá  a única vontade que tenho é de sair nua às ruas para deixar de ser invisível, se elas nunca viram um corpo diferente do manequim que está na vitrine eu posso mostrar. Podem até tirar minhas medidas, eu deixo, não me incomodo. Vão perceber que sou igual a todas as mulheres, só muda o tamanho e fazer roupas para pessoas como eu não mata ninguém, nem fere funcionários e ainda por cima dá dinheiro.


Tô seca de vontade de ir a essa loja e ficar pelada ali na frente de todo mundo, só não faço isso porque no momento estou muito gostosa e pode ser perigoso, mas se tivesse segurança eu ia! Queria que todos aqueles idiotas que desenham, produzem para essas lojas e se recusam a colocar tamanhos maiores pudessem ver que eu não sou uma alienígena e não é difícil aumentar os tamanhos, isso não é coisa do outro mundo.


Mas já passei da idade de fazer promessas, não posso garantir, de repente um dia eu me irrito mesmo e apareço na loja pelada, então quero ver.


Iara De Dupont

10 comentários:

Anônimo disse...

Eu sempre tentei entender a lógica das lojas só venderem tamanhos pequenos,quanto mais fashion a loja,menores os tamanhos. Nunca cheguei a uma conclusão final,mas a unica coisa que me vem a cabeça é que eles devem pensar que os corpos acima de 40 desvalorizam as roupas deles,por mais cruel que seja nao me ocorre outra coisa,quem sabe alguem do ramo poderia nos responder. Moro na Africa do Sul e como consumidora me sinto o maximo,compro na woolworths e encontro variedade,qualidade ,preço justo e todos os tamanhos. Nos supermercados nunca espero mais de 5 minutos,quando o movimento aumenta eles colocam muitos caixas,troco qualquer mercadoria por outra ou pelo dinheiro de volta sem perguntas,é muito bom ser tratada com o minimo de respeito.

Anna

C.Belo disse...

Cara, me recuso a aceitar esse tipo de coisa, viu!

Não sou a favor nem faço apologia aos elevados índices de IMC, mas isso que as grandes empresas fazem de simplesmente ignorar a existência de pessoas gordas é um absurdo. Tipo, até onde eu sei o mercado funciona pela lógica do lucro, não é???? Então pq não lucrar com as pessoas gordas tb?

E outra: vc, Iara, até pode ser "gorda" (de acordo com os padrões atuais), mas sinceramente não entendo o pq de pessoas como vc e eu sermos consideradas "plus size", já que esse nome sugere que temos tamanhos "a mais" do que deveríamos. Olha, se vc tivesse 200 quilos e fosse exceção, aí sim entenderia o fato de vc ter de ir a uma loja especializada comprar roupa, mas pessoas normais como vc e eu não conseguirmos entrar num vestido TAMANHO G!?!?!?!!!

Aí não dá, aí é MUITA forçação de barra, tanta que chego a criar uma teoria da conspiração na minha cabeça: creio que, na verdade, a exclusão de um tipo físico é, sim, bem mais lucrativa para a indústria da moda de maneira geral do que a inclusão de todos os biótipos. É como se, ao contrário do que imaginamos, a indústria da moda não está dissociada da indústria cosmética, que vende "tratamentos" e "soluções" para as pessoas "anormais" como eu vc desejarmos ardentemente entrar nos padrões e, finalmente, podermos consumir a moda maravilhosa que, não por acaso, tem tanto apelo à nossa vista. Parece tudo ligado numa conspiração para fazer as pessoas se fragilizarem e pirarem e, sendo assim, consumirem sem ponderação.

Tô até parecendo um dos seus "amigos ET's"! rs!

Anônimo disse...

Concordo visto 42 da loja: Mas meu peso e minhas medidas apontam para o 38 no max 40. Quem é 36 tem conseguido "entrar" num 38 com custo. Tudo isso porque agora além disso tudo é da china e as chinesas são da finura dos nossos braços. Cada dia mais as pessas normais são as novas gordas, as gordas são as novas obesas, e os obesos são masterobesos, as pessoas não estão engordando, a industria da moda que diminiu cada dia mais seus 36, 38, 40 e 42 para que ou você passe fome e entre nas roupas deles ou viva de jeans e camiseta o resto da vida.

Tadeu Diniz disse...

Eu quero saber quem é a linda da foto

Iara De Dupont disse...

Tadeu, sei que é uma modelo americana, mas não lembro o nome, quando lembrar te aviso tá? Beijo

Anônimo disse...

Se você pegar uma calça normal numero 38 fábricada nos anos 1980 e comparar com uma fabricada hoje, vai se sentir feliz novamente, eu cansei de ser oprimida por essa industria da moda, que hoje afeta até as classes mais baixas, todos tentando entrar em 38 que são 36 ou 34. E modelos anoréxicas mostradas como normais para que as normais se achem gigantes.

Tadeu Diniz disse...

Obrigado. Tem uma brasileira que também é linda demais

Anônimo disse...

Uma vez fui comprar roupa pra dar de presente, entrei numa loja da moda na época e pedi um tamanho maior porque a pessoa tinha os seios grandes. A vendedora me disse descaradamente que o tamanho G deles vestia alguém de número 36! Primeiro eu quase caí pra trás, depois fiquei indignada, e como sempre fui uma pessoa meio transparente é capaz que a vendedora tenha percebido de cara a minha revolta. Saí de lá e nunca mais voltei, absurdo! Eu não sou gorda mas minha família é de gente cadeiruda, até os homens tem bundão, e achar calça é um sufoco às vezes. Há uns poucos anos atrás eu usava 38, agora tenho que usar 44 e como não foi minha bunda que aumentou nesse período, tem algo muito errado com a indústria da moda...

Anônimo disse...

Sim exato, quem era 38/40 está comprando calças 44, o que será então das plus size? Minhas amigas que eram 46 estão comprando jeans 50 pra cima. Gente que inferno!!! É uma industria que realmente odeia mulher, só gosta de vender depressão e vestir cabides, não eu não sou gorda como vocês querem que eu pense e minhas amigas que são merecem ter roupas legais pra vestir, PALHAÇADA!

Anônimo disse...

Quase um ano depois, mas... fui comprar umas camisetas básicas, pra trabalhar, e as que vestiram melhor foram GG. Detalhe que tenho praticamente o mesmo corpo da adolescência e costumava vestir M.

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