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01 maio 2014

Mereço um prêmio (não liguei Baco!)


Ontem foi um dia estranho. Talvez muito além disso. São esses dias que nem precisamos sair da cama para sentir que tudo está errado.

Foi um dia péssimo e todo mundo que passa por um momento assim e consegue sobreviver merece ser parabenizado.

E fui comprar umas batatas no supermercado e pensei, como o mundo pode ser tão pobre! A única coisa que tinha acessível para minha dor naquele momento eram umas batatas, quando na verdade eu queria outra coisa. 


Tive um namorado, o Baco, que sorria com a voz e essa diferença só as mulheres percebem, a gente sabe quando alguém está deprimido, feliz, ansioso, só de escutar. 


E quando eu ligava para ele parece que o sol se abria, um raio esquentava minha vida quando ele dizia ''Fala Iaaaaara''.


Tive uma vontade enorme de escutar a voz dele ontem. Eu queria ligar nem que fosse por um segundo, até porque apesar de ter terminado de maneira tempestiva e triste, ele sempre atendeu o telefone de maneira cálida. Mas eu nem sei como seria hoje, porque depois do fora que ele me deu nunca mais falei com ele.


E não queria ligar para falar nada sobre o que vivemos, nem sobre a vida, eu só queria escutar a voz dele.


É nesse ponto que acredito a vida deveria ter um supermercado de coisas boas, assim eu poderia ir a uma seção e comprar um pouco da voz dele, sem ele saber e sem ter que conversar sobre nada. Tenho uma amiga que sua mãe morreu quando ela era criança e nunca esqueceu o abraço da mãe, deveria então ter esse abraço para ser comprado em alguma prateleira.


Ter saudades de algumas coisas não quer dizer que queremos ver a pessoa ou voltar com ela, é apenas alguma vontade específica, uma coisa para amenizar a dor da existência, nem todos os dias neste planeta são fáceis.


Mas graças ao meu sangue indígena me segurei ontem, o telefone até tentou me seduzir, mas nem seria tão fácil. Não lembro do número dele e estava anotada em um papel que queimei, uma tradição que aprendi com minha avó para que uma emoção não te persiga, você junta tudo relacionado a pessoa e queima, faz virar pó, então entrega para o universo do mesmo jeito que veio, você desmaterializa a emoção para não ficar preso a ela.


Já queimei tudo relacionado a ele, então não tinha como ligar. Mas também não saberia o que dizer, eu só queria escutar a voz dele falando qualquer coisa, nem precisava ser comigo. Nunca conheci ninguém que tivesse uma voz tão calorosa como a dele, até as crianças parecem hipnotizadas por ele.


Fazia frio ontem na minha alma e só quis um pouco de calor dele. Mas Deus me livre discutir o que aconteceu entre a gente, essa parte ainda me surpreende e vou morrer sem entender como me enganei tanto, não entendo como pude sentir uma coisa e jurar que a pessoa sentia a mesma coisa, quando na verdade eu era a única que estava apaixonada. Mas nada disso importa, ou pelo menos não importa mais ou talvez um dia passe essa sensação.


Talvez todo meu trauma venha do fato do namoro ter começado ao vivo e ter terminado em uma mensagem de celular, sempre tive a sensação de que faltava uma conversa cara a cara, acho que  é sempre melhor terminar do jeito que começou. De vez em quando, se estou muito deprimida, penso que talvez um dia essa conversa aconteça e a gente possa esclarecer tudo e deixar as águas rolarem. Mas sei que não existe tempo para a covardia nem perdão para a desconsideração. Ele não foi legal na hora de terminar e só por isso não merece nenhuma oportunidade para se explicar, já teve muitas.


Mesmo com tudo isso continuo pensando que sua voz é uma das mais doces e lindas que já escutei na vida e sua risada é absolutamente deliciosa, eu dizia coisas totalmente sem sentido só para escutar ele rindo.


E ontem quis escutar essa voz. Só isso. Tem gente que é tão legal que queremos por inteiro e tem pessoas que valem apenas pelos pedaços, como esse meu ex-namorado. Ele inteiro não vale nada, mas a voz dele vale. E eu só queria esse pedaço dele ontem para amenizar minha dor. Mas ninguém nesse mundo tem acesso aos pedaços dos outros, ou levamos tudo inteiro, ou nada. E ''nada'' parece ser o que mais tem neste mundo.


Iara De Dupont

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