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10 maio 2014

Me leva contigo: não tem uma gordinha ali por que?

Rafael Cortez, o apresentador do programa

Uma das minhas promessas de ano novo é que não voltaria a escrever sobre televisão. Sou apaixonada pelo meio, mas ele não é feito por alienígenas, é impossível escrever sobre o assunto sem mencionar alguém. Isso me trazia fãs enlouquecidos aqui, dispostos a passar dias me ofendendo e os eternos babacas das assessorias enchendo meu saco. 


Resolvi que seria assunto morto, não ia falar mais e ponto. Mas os assuntos que me interessam na vida de um jeito ou outro passam por ali, não tenho como falar de gordofobia, machismo, sexismo, violência e padrões de beleza irreais sem mencionar a televisão, até porque em um país como o Brasil, com um ensino fraco e sem Estado presente nas questões culturais a televisão virou referência em todos os sentidos.


E há um bom tempo não falo da emissora Record, mas isso é pessoal, desde que ela caiu nas mãos dos Bispos nunca mais voltou a ser uma ''emissora'', é apenas um veículo de comunicação para tirar dinheiro dos fiéis. Mesmo com as igrejas jogando dinheiro na emissora os Bispos se recusam a entender que televisão não é igreja, e tem que ser dirigida e administrada por pessoas que sabem de televisão, não de dízimo.


É tudo tão ruim que há meses nem meu controle remoto passa por ali, mas hoje eu estava jantando quando comecei a dar uma geral e acabei vendo a estréia de um programa ''Me leva contigo''.


Dever ser minha idade, mas achei tudo ali brilhante demais, barulhento, muita luz e demorei para entender o que estava acontecendo.

É um programa para solteiros, a produção arranja um rapaz e leva ao palco, onde uma das trinta mulheres que estão ali poderão escolher ele para namorar.

Eu teria durado um segundo  vendo o programa, de tão arrastado que é, mas bateu em um assunto que me incomoda demais, justamente porque sei o poder de influência que a televisão tem.


Eram trinta mulheres no palco e todas bonitas, de cabelos longos e brilhantes, com excesso de maquiagem e roupas curtas. E olha só, não tinha uma gordinha! Nenhuma! 


Onde já se viu gordinhas nesses programas? Não tem! Isso é gordofobia. E tanta mulher branca e loira é racismo. E tanta mulher de maquiagem pesada e roupa curta é machismo. Ficam ali as trinta mulheres se mexendo como bonecas, falando como crianças mimadas, procurando os príncipes, todas pareciam bobas e fazendo beicinho.


O formato do programa é comprado, vão dizer que o público  gosta de ver gente bonita, é verdade, mas existem dois elos que deixam a pessoa ligada assistindo, ou é a identificação ou é o sonho. Aqui nenhum dos dois elementos foi usado, eu como mulher não me identifico com trinta bonecas de plástico e não sonho em ser como elas, isso quer dizer que na próxima semana não assisto mais, hoje já foi suficiente para três anos.


Como mulher tudo me incomodou ali, a maneira como as mulheres se apresentaram, o jeito boneca de todas e a futilidade do assunto. Programa de paquera não quer dizer ''programa de lesados'', mas foi o que pareceu.


E ainda por cima mostraram homens que pareciam desenhados demais, todos eram atletas, músicos, cheios de boas intenções, sem vícios e loucos para encontrar alguém. Cada vez que entrava um eu ficava esperando ele chegar ao palco com o Papai Noel de tão irreal que é.


Conheço a estética da televisão e sei que é assim mesmo, todos são lindos e perfeitos, mas achei o fim do mundo não terem colocado uma gordinha, parecia um programa de misses procurando sua alma gêmea, só isso desmoraliza todo o programa e mostra a armação. E como estamos em tempos modernos não tinha gordinha, mas tinha um monte de mulher de tatuagem, as moderninhas. Não vi nenhum oriental, mas pode ser que tivesse alguma e vi apenas duas ou três negras.


Nesta altura do campeonato um programa sobre paquera que leva ao palco trinta mulheres magras e a maioria branca e loira deveria ser questionado, tem muita adolescente assistindo e isso se chama ''massacrar essas meninas com um padrão estético irreal''.


Se o programa era para divertir e se envolver com os participantes a direção da Record já devia saber, o público não se envolve com ''bonecos e bonecas'', falta gente ali e real.


A mensagem para as meninas é ''amor é aquilo destinado a brancas, loiras e magras'', se você não faz parte desse padrão não sonhe com isso.


E nem precisam perder seu  tempo me dizendo que o formato do programa é comprado e está no contrato só contratar modelos, isso como público não me interessa.


Meu recado é um só, para mim um programa que ignora as gordinhas é um programa que eu ignoro, nem perco meu tempo e só falo deste que vi porque estou cansada de ver tanta gordofobia em televisão, acho que chegou a um ponto que deveria ser crime contra a humanidade tanta discriminação e machismo.


E digo a todas as produções que insistem em ''ignorar'' as gordas, nós somos público e precisam da gente, caso contrário os programas de vocês não se sustentam no ibope por milagre. Mesmo sendo a Record quando o barco afundar nem Jesus vai ajudar. Ignorar 51% do público, esses que estão acima do peso é se dar um tiro no pé. No caso desse programa eu digo, foi um tiro na cabeça.


Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Haha, até parece que algum namoro de verdade vai sair daí! É só mais um enrola-trouxa de décima quinta categoria pra ocupar o espaço vazio na grade da emissora. Engraçado que quando eu vejo casais felizes por aí, tem gente de todo tipo: gordos, magros, altos, baixos, loiros, morenos, carecas, ruivos, mulatos, negros, brancos, cabelo liso, cabelo enrolado, cabelo raspado, cabelo pintado... qualquer pessoa que preste mais atenção à vida real do que as besteiras que a televisão fala vê que amor não é exclusivo pra gente com cara de boneca Barbie e boneco Ken. Mas por algum motivo que me foge, um pessoal aí prefere acreditar nas lorotas da televisão do que como a realidade funciona.

Anônimo disse...

Haha, até parece que algum namoro de verdade vai sair daí! É só mais um enrola-trouxa de décima quinta categoria pra ocupar o espaço vazio na grade da emissora. Engraçado que quando eu vejo casais felizes por aí, tem gente de todo tipo: gordos, magros, altos, baixos, loiros, morenos, carecas, ruivos, mulatos, negros, brancos, cabelo liso, cabelo enrolado, cabelo raspado, cabelo pintado... qualquer pessoa que preste mais atenção à vida real do que as besteiras que a televisão fala vê que amor não é exclusivo pra gente com cara de boneca Barbie e boneco Ken. Mas por algum motivo que me foge, um pessoal aí prefere acreditar nas lorotas da televisão do que como a realidade funciona.

C.Belo disse...

Ô anônimo, olha só, o que, pelo menos para mim, ficou claro que a Iara quis dizer foi que é um péssimo programa e que difunde preconceitos, independente das pessoas que o assistem "prestarem atenção à vida real" ou não.

E pro seu governo, existem, sim, muitas pessoas para quem a televisão é a única referência de mundo, ou pelo menos, de um mundo ideal. Como disse a Iara, isso acontece quando estamos em um país que ignora elementos tão primordiais para a sociedade, como a educação de qualidade.

Anônimo disse...

Entendo C. Belo, entendo. É que às vezes eu sou pragmática demais e acabo esquecendo algumas sutilezas. Eu mesma já me deixei levar muito pelas besteiras que a TV colocava na cabeça das pessoas e me esqueço que levou tempo pra sair dessa furada. No mais, concordo que é mesmo um péssimo programa. Em vez dessa porcaria bem que podiam passar desenhos animados, pelo menos servem pra descontrair depois de uma semana de dureza.

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