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28 abril 2014

Só os pais sofrem ao criar os filhos? E os filhos não sofrem ao serem criados?


Alguns assuntos são tão chatos de mencionar que ao terminar sempre alguém me pergunta:

-Você tem filhos? Porque se não tem é bem fácil criticar os pais, quero ver tua cara quando tiver...

Minha mãe já me disse isso algumas vezes ''O dia que você for mãe e blá blá...''.


Mas existe um ponto, ninguém precisa ter filhos para colocar o senso comum para funcionar. Tem coisas que não se dizem nem a um cachorro quanto menos a um filho. E não critico meus pais, mas não vejo eles como intocáveis que merecem todas as honras, fizeram o que sabiam e o que podiam, mas nem por isso posso aplaudir. Erraram em muitas coisas, como eu erro e ninguém é santo para não poder ser criticado. Assim como eu falo deles, também falam de mim, especialmente meu pai que nunca escondeu de ninguém a pessoa ''difícil'' que eu sou e a ''feministinha de merda'' que virei.


Passo reto da ideia de que pais são santos e não merecem ser questionados. Por mais difícil que seja a tarefa de ter filhos eu posso garantir que é complicado das duas partes, assim como minha mãe ralou para ser minha mãe eu também ralo por ser sua filha, as duas temos sofrido muito, por temperamentos e ideias diferentes.


E venho pensando muito nisso, mas sendo censurada por pessoas próximas, às vezes que comento que vou escrever sobre o assunto alguém me pede para ''relevar'' ou não ''expor'' essas coisas. Isso sempre me irrita, na hora de escrever não aceito essa ''censura'' e ainda tô pra ver se existe algum assunto que eu queira ''relevar''. Se eu quisesse relevar eu não escreveria, faria outra coisa, mas sempre tive isso claro, quem escreve que aprenda a domesticar seus demônios e coloque no papel, caso contrário não tem nada a dizer.


Semana passada aconteceu uma coisa estranha. Caiu nas minhas mãos uma revista, Hola, sobre realeza. Eu estava ao lado da minha mãe e começamos a ver a revista juntas. De repente, sei lá, acho que foi como um raio de luz, não sei o que aconteceu, reparei em uma coisa que nunca tinha reparado.


Estava no meio da revista quando reparei que minha mãe tinha detonado todas as mulheres, absolutamente todas, ninguém foi perdoada. Uma ela criticou o nariz, a outra a roupa, o tom de pele, uma ela ficou indignada e quis saber porque fulana não operava o queixo, outra porque exagerava no botox e assim por diante.


Foi tanta paulada em cima de todas, tanta crítica, que eu me perguntei como consegui crescer ao lado da minha mãe sem me jogar pela janela. Entendi em segundos porque tenho tantos problemas de imagem, porque as coisas dançam tanto na minha mente. 


Um episódio que passei mostra tudo o que dava nó na minha cabeça. Fui a uma festa de trabalho, nesse lugar tinha um rapaz que era a estrela da emissora, não era meu amigo e rara vez me cumprimentava. Eu cheguei na festa e ele atendeu o interfone, e perguntou quem era e eu disse:

-Iara.

E ele respondeu:

-Aquela bonitona?

E eu disse:

-Iara.

E ele devolveu:

-Ah, é verdade, Iara, aquela que não sabe que é bonitona e usa aquelas roupas horríveis para se esconder né? Não dá mais trabalhar tentar ficar feia do que se aceitar como bonita?

E falou tudo isso no interfone, eu lá embaixo, congelando ao lado de uma amiga. Ele desceu e abriu a porta, passei reto, nem consegui cumprimentar.


Na segunda-feira ele veio falar comigo e me disse:

-Me desculpe ter dito aquelas coisas pelo interfone, eu estava bêbado.

E eu respondi:

-Ah, tudo bem, acontece.

E ele disse:

-Mas eu penso aquilo ali mesmo, tuas roupas são horríveis porque você quer se esconder e lamento te dizer, mas elas não te escondem.

Depois disso ele nunca mais falou comigo. Mas é a pergunta mais comum, sempre querem saber depois de me conhecerem da onde vem a minha ideia distorcida do meu corpo e aparência, e por que a baixa estima? E do que eu tanto me escondo com essas roupas largas e o excesso de peso?


E não culpo minha mãe, conheci bem minha avó, também era assim, implacável, sei que todas suas filhas ralaram na mão dela.


Mas poxa, ser mãe impede a pessoa de pensar? Fica tão difícil perceber que constantes críticas não ajudam em nada? Minha mãe pelo menos percebeu e nunca disse nada do meu peso, mas o resto ela ralou, meu cabelo, minha maquiagem, meu comportamento, minhas escolhas amorosas e profissionais, nada escapou do fuzilamento dela.


E digo a todas as mães, isso não ajuda ninguém, muito menos uma menina se desenvolvendo. Porque se de um lado temos uma mídia com todas as armas na nossa direção imagine do outro ter a mãe com uma arma atirando em tudo que fazemos?


E não sou a única, tenho amigas que as mães também foram duras demais, acharam que detonar comportamentos ou aparência iam ajudar em alguma coisa.


Se encosto nesse nervo logo me dizem '' Quero ver quando você for mãe''.


Quando eu for mãe vou cometer muitos erros, mas se eu cometer esse de massacrar a aparência da minha filha mereço um castigo divino, porque já tenho consciência que isso não se faz e exige constante vigilância, porque também me ensinaram a criticar outras mulheres, só melhorei depois que estudei o feminismo e percebi que era isso que os machistas queriam de mim, que eu detonasse todas as mulheres.


Minha mãe sempre diz que filhos são a prova de pais, eles consegue resistir as burrices maternas e paternas, mas eu digo que deveria existir um prêmio para os filhos que conseguem sobreviver. No momento eu mereço esse prêmio, porque esse dia que via a revista com minha mãe e percebi o quanto ela criticava todas as mulheres e nenhum homem merecia sua crítica, me perguntei como aguentei tantos anos dela, minhas tias e minha avó em cima de mim, uma alma sensível demais. Sou um produto do milagre, da resistência dos filhos diante da ignorância dos pais.


E este post não é sobre minha mãe, nem sobre o que ela fez ou deixou de fazer, é sobre mim, o fato de ter sobrevivido a esse massacre. Não falo dela, nem critico, falo de mim, da minha fortaleza que eu desconhecia e do meu conceito que estava errado, tanto me perguntei porque eu não consegui ignorar as críticas que vinham de fora em relação a minha aparência, mas só hoje percebo que não eram tão fortes como as que eu escutava na minha casa.


E não escrevo com mágoa nem ressentimento, apenas com surpresa, depois de entender uma parte de tudo que escutei a vida inteira, me sinto como uma sobrevivente, por isso contei essa história, queria dizer que é possível as filhas sobreviverem ao massacre materno e também é viável perdoar as mães, já que elas passaram pelo mesmo. Mas no momento que a história passar para minhas mãos não tenho mais desculpa, minha filha não vai ser vítima da minha ignorância em relação a aparência dela, imagino que outro desafio vai aparecer, mas o massacre que eu sofri termina na minha história. Essa parte eu não vou continuar e se sobrevivi foi justamente para isso, para não repetir e massacrar outra garotinha. Que Deus me ajude e tire da minha mão qualquer arma que possa destruir a auto estima da minha filha.


Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Iara,
Sou mae e sou filha,e acho que hoje em dia e mais facil ser filha porque nao ha tanta diferenca no conflito de geracoes,conhecemos mais o mundo do outro.Eu na contra mão do mundo sempre procurei ouvir muito os filhos,eu só tenho uma filha e não pretend ter mais,mas sempre ouvir muitos as queixas dos filhos dos outros e de minhas amigas como filhas e o que percebi é que as mães ou querem que as filhas sejam muito melhores que elas e por isso pressionam,ou se ressentem porque as filhas são muito melhores (livres) que elas,no meu caso eu sou daquelas que desejam ardentemente que minha filha faça mais do que eu fiz,conheça mais lugares,aproveite mais,seja mais bonite,mais inteligente,tudo,mas seguro minha onda,deixo livre,elogio e incentivo,guardo meus medos pra mim,que ela descubra os dela,porque a vida dela pertence a ela,nao a mim.Concordo com voce,quem não é mae pode falar sim,pois sabe o que é ter mãe,e quanto mais os filhos falam,mais aprendemos.
Anna

Carolina disse...

Acho que vc está certíssima, Iara. Infelizmente vivemos em uma sociedade que trata pais como se fosse santos e isso faz com que muitas questões sejam varridas para debaixo do tapete ao invés de serem discutidas.
Beijos,
Carol

C.Belo disse...

Minha mãe nunca criticou a minha aparência, mas em compensação criticava - e ainda critica - muito da minha personalidade e comportamento. De fato, detona a nossa autoestima e nos constrói pessoa inseguras.

Anônimo disse...

Sofri muito com bullying, na escola e em casa, e meus pais não sabiam como lidar com isso. Quem me ensinou a lidar com os bullies tanto da família quanto de fora foi uma colega da escola. Teve uma época em que meu pai foi uma pessoa horrível, eu desejei até ser órfã. Hoje entendo os dois e sei que eles fizeram o melhor que podiam, eram jovens e imaturos quando engravidaram de mim, já mudaram muito mesmo, mas essa época e a falta de preparo deles pra lidar comigo e com meus problemas ferrou lindamente com a minha personalidade e sociabilidade até hoje. Se as pessoas parassem com essa palhaçada de que pais são perfeitos e os ensinassem a refletir, repensar a paternidade e maternidade, a se analisarem frequentemente, ouvirem os filhos e os estimulassem a mudar, a não repetir sem pensar o modelo que herdaram dos pais, as coisas poderiam ser bem melhores.

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