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03 abril 2014

Punir torturadores é uma exigência histórica se queremos um Brasil melhor


Minha avó dizia que o único lugar que devemos pensar a curto prazo é na cozinha, temos segundos para jogar a comida na panela antes de que ela queime, fora dali tudo deve ser pensado a longo prazo, quais serão as consequências de uma ou outra decisão?

Graças a Deus ( caso ele exista) finalmente estão vindo à tona diversos crimes cometidos pelos militares na época da ditadura no Brasil, no período dos anos sessenta e setenta. Achei que ia morrer sem ver isso e assistia sem acreditar outros países que passaram por uma ditadura semelhante, como Chile e Argentina correndo atrás de tirar documentos das gavetas.


Tive a esperança que a Presidente Dilma fosse um pouco mais inclinada a permitir a abertura desses documentos, até porque para ela seria uma jogada política sensacional, seria coisa de prestígio internacional.


Mas nada disso aconteceu. E apenas agora saem à tona alguma informação pela ''Comissão da verdade'', onde militares estão indo apenas para prestar depoimentos e contar o que acontecia, mas estão amparados pela Lei da Anistia, que garante a eles não serem processados pelos seus crimes.


Tenho acompanhado pelo Facebook a repercussão e tanto ali como em outros lugares a sociedade tem exigido punição aos torturadores, mas também ainda existe uma parcela bem expressiva que justifica esses horrores dizendo que eles cumpriam ordens.


A tortura não foi inventada pelos militares brasileiros, ela começou quase que ao mesmo tempo que a humanidade apareceu, apenas foi se aperfeiçoando e sendo usada por diferentes razões, mas seria ingenuidade pensar que é um problema local e aconteceu apenas durante a ditadura.


A questão que fere o mundo é a nossa tolerância a ela. É a sociedade que tem que reagir diante dessa barbaridade, até porque por não pensar a longo prazo todos pagam as consequências de uma educação desumana. As torturas não acabaram nos porões da ditadura, continuam em todas as delegacias, prisões e sabe Deus onde mais, porque a mentalidade militar ficou e ainda persegue este país.


Um dos maiores militares americanos disse uma vez que a tragédia da tortura é que ela é eficiente. Os americanos não reagiram, deram total apoio e continuam mantendo centros de torturas no mundo inteiro. São um povo bélico e a curto prazo pensam que a tortura soluciona os problemas, mas esquecem que a longo prazo aquilo determina uma maneira de pensar que pode durar décadas e seus soldados que torturam também podem ser torturados pelos inimigos.


Tortura não resolve nada nem a curto nem longo prazo, é apenas uma das maiores vergonhas da humanidade, uma desgraça que não deveria acontecer nem em pesadelo.


Ser tolerante com a tortura e seus torturadores faz do Brasil um país menor, pequeno e miserável. O país que não se importou quando crianças foram torturadas durante a ditadura também não se importou com a moça arrastada pela viatura no mês passado nem com os ''suspeitos'' presos a postes.


A violência da tortura começa a ser diluída em todas as nossas expressões, já vi até videogame com essa questão.


Manter a anistia e proteger torturadores é um passo em falso que o Brasil não deveria dar. É preciso punir para começar a jogar água na nossa cultura, começar a limpar essa mentalidade de violência. Não existe outro jeito de querer ser um país melhor, até porque a violência dos militares hoje se reflete em todo o corpo de segurança do país, somos conhecidos no mundo inteiro por ter uma polícia violenta, descontrolada e ineficiente.


A curto prazo fingir que nada aconteceu e deixar os torturadores livres pode funcionar para que as pessoas esqueçam logo esse assunto. Mas a longo prazo isso vai nos afundar cada vez mais, vamos continuar sendo um país precário, violento e a margem de conflitos internos constantes e vendo crianças de oito anos carregando armas.


Existem momentos que a coisa sai do controle, sai da esfera e começa uma exigência história, ou o país enfrenta o problema, ou fica preso no passado, na época medieval e volta a ser considerado ''quinto'' mundo, um lugar sem lei onde só a tortura resolve. É o momento perfeito para trazer à tona toda a dor que os militares causaram e punir os torturadores, sem isso não vamos avançar. É não é pessoal, são os livros de história que exigem esse capítulo, aquele onde um país deixa de ser um lugar violento e se transforma em uma grande nação.




Iara De Dupont 

2 comentários:

Daiane disse...

Você não tem medo que, se revisar a anistia, os militantes que sequestraram também não vai ser revisados e condenados?

Você não tem medo que, com puniões, não se consiga efetivamente ter dados sobre o que aconteceu?

É a segunda vez que você fala sobre isso nas últimas semanas. Mas ainda acho uma discussão rasa. Parece só vingancinha pra mim.

Eu nasci em 81, não estudei direito essa parte, nem pro vestibular, nem na escola, então não faço a menor idéia de como foi a discussão para se chegar na lei de anistia. Você sabe?


Com todo esse auê que tem rolado nos portais eu sempre fico me perguntando e pensando, se fosse eu pra assinar esse papel, o que eu faria?


Iara De Dupont disse...

Então Daine, a discussão é rasa e vai continuar assim até o governo abrir as gavetas e tirar todos os papéis e a sociedade acordar e decidir o que vai fazer com a informação.

E não acredito que ''medo'' deva ser um norte em qualquer situação, não leva a nada, sou a favor de derrubar a anistia e isso implica revisar muitas coisas, mas o que seria o contrário? Continuar quietos, fingindo que nada aconteceu e sendo um país atrasado eticamente?

E não é vingacinha da minha parte, até porque considero derrubar a anistia pouco para quem torturou e estuprou crianças...



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