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07 abril 2014

Pior que fogo só água


Uma vez conversando com um amigo místico falamos do fim do mundo. Não lembro qual era referência, mas em alguns lugares dizem que o mundo vai acabar pegando fogo.


Meu amigo me explicava sobre isso, mas eu achei cruel o mundo acabar no fogo, prefiro a água, não sei porque tenho a impressão que a água mata mais rápido e com menos dor, já que todo mundo, dizem que vai morrer nesse dia marcado.


Ele argumentava que o fogo era mais rápido e pelo menos era visível, a água não.


Nessa parte batemos de frente, pra mim a água é visível, dá pra ver, não é ar. Mas ele dizia que estava falando de ''sensações energéticas'', não importa se era água ou fogo real, a questão era como esses elementos mexem com nós fisicamente, mesmo sem ver eles.


Ele disse:


-Dá pra ver a água, mas energeticamente ela é mais forte do que o fogo. O fogo é uma sensação que sentimos no estômago, quando alguma coisa arde ou quando a gente se machuca. Mas a água energeticamente pode levar uma pessoa a sensação de loucura pelo sufocamento.

Não entendi e ele continuou explicando:


-Você já raspou sem querer? Aquilo arde, parece fogo, mas não altera tua percepção. Mas já se sentiu ''afogada'' emocionalmente? Parece que não dá pra respirar, por isso a água é mais perigosa do que o fogo, ela vem devagar e vamos sentindo a sensação do coração apertando, a alma sufocando, o pulmão parece que não respira mais. O fogo a gente sente no corpo queimando, mas a água a gente sente na alma, quando afoga ela.

Perguntei então qual seria a melhor solução quando essa sensação de afogamento nos invade?


-Senta e chora o que der, crie uma válvula de escape, às vezes a gente está tão bloqueado com uma situação que não consegue chorar, não importa, pense em outra coisa que te faça chorar e comece, o resto sai sozinho, o importante é pensar na alma como uma piscina que está transbordando, precisa ser esvaziada antes de colapsar.

Nos últimos tempos essa sensação de ser afogada pelas minhas emoções é constante, assim como minha resistência em sentar e chorar, já que ao mesmo tempo que sinto minha alma se afogando, sinto a outra parte seca e cansada demais para chorar.


Sempre fui maluca por água, mas tenho que concordar com meu amigo, o corpo ardendo doí menos do que a alma sendo afogada. O fogo a gente demora para sentir, mas a água vai subindo devagar, vamos sentindo quando ela dá coceira no pescoço e começa a chegar no nosso limite. Nessas horas só esvaziando a dor conseguimos respirar um pouco.

Como naqueles filmes onde mergulhadores entram em cavernas submersas e ficam procurando os ''bolsões'' de ar, lugares onde possam respirar, nos intervalos dos mergulhos. Tenho a impressão que minha vida está assim, procurando ''bolsões de oxigênio'' antes de mergulhar de novo.

Iara De Dupont


Um comentário:

Ricardo Alferes disse...

Acho de incrível sensibilidade essa interpretação de afogamento, muitas vezes passamos por isso, sendo que muitas pessoas foram educadas para reprimir suas válvulas de escape. Sempre que eu estiver sentindo esta sensação vou me lembrar do texto.
Isso me lembra muito uma frase que eu li no livro Ensaio sobre a cegueira:
"A mulher do médico disse, Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos capaz de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos."

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