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29 abril 2014

Os dois lados da eternidade


Há uma década  me apaixonei loucamente, fiquei fascinada, parecia em outro mundo. Naqueles inocentes dias eu acreditava em ''almas gêmeas'' e pensava que ninguém neste mundo chegava sozinho, todos tínhamos alguém nos esperando.


Quando conheci ele acreditei piamente em todas as histórias, havia coincidências nas nossas vidas e pensei que isso era um sinal. Tínhamos as mesma referências culturais, emocionais e uma visão de vida parecida. Mas tudo isso virou uma bomba de tempo, porque no meio de tantas coisas similares sobrava o descontrole, o ciúme, a loucura do que pensávamos ser amor e toda nossa imaturidade.


Eu jamais teria pensado em terminar, para mim aquilo era o amor selado no planeta, um presente divino escrito em todas as nuvens. Mas ele terminou e eu quase morri. Nunca tinha passado por aquilo, a pior sensação do mundo, comecei a agir como drogada atrás da droga, porque ele se recusava a falar comigo.


Conheci então como dizia um amigo a '' sensação de eternidade'', aquela que você jura de pé junto que é capaz de estar com uma pessoa para toda a vida, tanto foi assim que quando ele terminou eu senti que fiquei sem ar, comecei a ter dificuldades para respirar, fiquei com dores no corpo, como se tivessem me arrancado o coração. Era a dor da eternidade que se quebra no chão como um cristal em mil pedaços. Parecia aquele amor onde tudo sobrava, nada era importante, além de estar ali. Eu sabia pouco dele e depois de saber algumas coisas, anos depois, tive certeza que não tínhamos nada em comum e aquilo ali não teria durado, mas a dor daqueles dias foi terrível.


Se passaram dez anos. Nesse tempo nada pareceu tão forte, nem impactante, eu parecia curada, a sensação de eternidade não se repete tantas vezes na vida.


E no ano passado conheci alguém e comecei a sair com ele. Eu já não era a mesma de dez anos atrás, fiquei cínica, desconfiada e bem humorada. Já tinha enterrado muitos sonhos e sabia que ninguém nasce destinado a ninguém. A vida é mais simples do que isso e as pessoas se encontram. E tive a sorte de encontrar ele. Na vida real era perfeito, seus defeitos não me incomodavam e os meus pareciam passar batido, então parecíamos destinados a um bom futuro. Pude sinceramente me imaginar com ele por uns dez anos, eu que não gosto de relacionamentos longos, mas alguma coisa me dizia que com ele eu poderia tentar. Tinha a impressão que se eu ficasse com ele dez anos seria pouco para conhecer.


E do nada ele terminou. Assim, como a noite chega, ele acabou com o namoro. E conheci outra eternidade. A primeira era baseada na paixão, na loucura, na ideia que os dois compramos, a segunda parecia o entendimento, a segurança, a vontade. Mas o chão se abriu aos meus pés e senti uma dor mais profunda que da primeira vez que me perdi na eternidade. Quando isso aconteceu na primeira vez fiquei sem respirar, achei que não podia viver sem ele, que o mundo tinha perdido suas razões. Mas na segunda a dor era mais profunda porque eu já conhecia o planeta e seus movimentos e me perguntava, como se perde alguém que levamos tanto tempo para achar? E não porque fosse minha alma gêmea, porque isso não existe, mas apenas porque era alguém que eu amava na sombra e na luz, gostava de sua companhia e neste mundo isso é um luxo. O que ele era na vida real me encantava, era humano e isso não me incomodava.


Perder quem imaginamos que é o outro é doí muito, mas aceitar e amar uma pessoa sinceramente, sabendo quem ela é, e perder é como rasgar a alma. Quem amamos na mente, criamos ali, não doí tanto quanto alguém que amamos da maneira mais humana possível.


Quem vive nas nossas fantasias e nos decepciona tem vida curta, mas quem é real e nos decepciona nos faz perder a fé no amor.


O primeiro que amei loucamente parecia pouco real, sempre me surpreendia com sua maneira de ser, mas o segundo me encantava com seu aspeto humano. O primeiro era um super herói, aquele que dizem que saí dos contos para salvar a mocinha, a velha história machista do homem que ''resgata a moça em problemas''. Tudo ali era encantamento, era uma história que seguia seu roteiro mágico. Era a eternidade que brilhava, deslumbrava, cegava, encantava, hipnotizava, seduzia.


O segundo amor eram dois seres humanos que se encontram e tentam lidar com suas carências e erros, tudo com o pé no chão. Era a eternidade que me ensinou a rir, a olhar para a lua, a ver fotos de lagos no computador, a pensar no futuro, a ver minhas estrias como se fizessem parte de mim. Quando perdi essa eternidade a dor foi diferente, foi quieta, em um silêncio de cemitério, de tarde. Não foi um cristal que cai no chão e se quebra em mil pedaços, parecia um pedaço de ferro que cai no chão e faz barulho, aquele som da certeza.


Na primeira eternidade tive certeza que não existia dor pior, na segunda essa certeza morreu. E entre uma eternidade e outra, eu também morri algumas vezes. Não se vivem amores intensos sem morrer de vez em quando.



Iara De Dupont


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