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20 abril 2014

México: crianças abandonadas crescem. E agora?

Cartel de Jalisco Nova Geração

Às vezes tenho a impressão que se todas as pessoas soubessem os prejuízos que temos como sociedade pela ausência de Estado apenas na educação, tenho certeza que todo mundo sairia as ruas berrando pelos seus direitos e exigindo escolas boas do Estado, porque as consequências em países que não investem nisso é enorme.

O México tem uma estrutura política parecida com o Brasil, um Estado corrupto, ausente e a conta é mais alta do que se pode imaginar. Pelo fato do México ser fronteira com os Estados Unidos a vida dos mexicanos sempre foi complicada, principalmente no relacionado a drogas, os americanos são os maiores consumidores e o México virou seu fornecedor principal.

Houve um custo como país, diante da guerra dos cartéis o Estado recuou e largou as cidades a própia sorte, alguns lugares vivem em guerra, e o governo mexicano já gastou milhões de dólares e não conseguiu parar a violência. Mas essa é a mentalidade dos políticos, uma visão míope das consequências do tráfico, o governo investe milhões para equipar o exército, mas se nega a melhorar as escolas e olhar uma questão que atormenta o México há anos, as escolas rurais, distantes e abandonadas do centros e das cidades grandes. É desses lugares que está saindo o futuro do tráfico no México.

Grandes traficantes tem plantações de drogas no interior do México, em lugares pequenos e miseráveis. Lá eles contratam crianças e adolescentes, aqueles abandonados pelo Estado, que são obrigados a caminhar quilômetros para chegar a uma escola de chão de terra, sem livros e sem merenda. E como tem que ajudar em casa preferem largar essa escola sem futuro e trabalhar por uns centavos nas plantações de drogas. Quando alguns chegam aos doze, quinze anos, ganham dos traficantes armas e começam a subir na ''carreira''. Tudo o que o Estado devia fazer, dar acesso a uma escola e educar, orientar o futuro do aluno, os traficantes estão fazendo.

E o tráfico já começa a colher os frutos, vários traficantes importantes têm sido presos pelo exército ou mortos, mas em um sistema rotativo e perfeitamente bem desenhado, logo uma nova diretoria assume o ''negócio''. E para não deixar dúvidas essa nova geração está mostrando a que veio, mudam o nome do cartel e acrescenta na frente orgulhosamente ''Nova geração''. Já são mais de quatro cartéis, dos sete mais importantes que tiveram seu nome modificado, todos usam agora essas iniciais, NG (Nem generation) deixando claro que são a nova ''diretoria''. E estão dispostos a morrer por quem um dia os ajudou, são crianças que cresceram sem esquecer a fome que passaram e graças ao troco que os traficantes davam puderam ajudar suas famílias. Já são várias cidades conhecidas como ''escola de  traficantes'', porque todos sabem que as crianças trabalham na plantação de drogas, mas são incentivadas a sonhar com um futuro melhor, todos querem ser tão ou mais ricos que o principal do cartel, sonham com os carros, as casas e a mesa farta, como se não existisse nada na vida além disso. Abandonados por  todos essas crianças nem sabiam o que acontecia fora desse mundo, mas já cresceram e mostram que aprenderam bem o que foi ensinado pelos traficantes.

O perfil dessa ''nova diretoria'' é assustador. Cresceram a margem do Estado, abandonados por todos, ignorados e sem direitos, por isso mesmo jogam todo seu ódio na nova direção do ''negócio''. Ao contrário da administração anterior esses ''meninos'' adoram aparecer, são viciados em Facebook, gostam de festas com celebridades, mostrar os carros, as jóias e o mais importante, mostrar que são um grupo mais cruel do que seus rivais, isso incluí filmar sessões de tortura com seus inimigos e jogar os vídeos na internet. Grupos antigos marcavam o território em silêncio, os atuais marcam mostrando mais crueldade que os anteriores. A graça  para eles é o reconhecimento da sua criatividade ao exercer a crueldade, se divertem descobrindo novas maneiras de torturar as pessoas e assustar uma cidade inteira.

E de quem é a culpa? Do Estado que abandonou essas crianças, largadas no meio do campo, que ficaram a mercê dos traficantes que ofereceram um futuro a elas, uma ''carreira'', coisa que o Estado negou. Agora o Estado se desespera com as consequências, esses cartéis se alastram e tem no comando jovens adultos com menos de trinta anos que não se sentem ligados aos seu país e sabem que não devem nada a ninguém, nunca receberam nada e viram a família morrer de fome, então cresceram  famintos de dinheiro, poder e direitos, essa mistura está acabando com o México.

Isso que dá não investir em crianças, esquecer escolas rurais e deixar agricultores morrendo de fome. Esses meninos que nasceram no meio de tanta miséria acabaram perdendo a noção de compaixão, movidos pela dor tem se mostrado os piores seres que podem existir no mundo, herdado os cartéis e com fome de dinheiro estão ampliando os negócios, hoje o México é um dos mercados mais importantes de pedofilia e tráfico de órgãos e escravos, porque os traficantes perceberam que ''escravo'' dá mais dinheiro que droga e vender seus órgãos é lucro líquido.

E o Estado acha que só equipando exército vai resolver essa questão. Mesmo com todos sociólogos, especialistas, educadores avisando, implorando, pedindo ao governo para investir nas escolas e assim tentar evitar outra geração de subir ao poder do tráfico, mesmo com tudo isso o governo não destina um centavo as escolas, que vivem as traças, largadas de tudo. Escolas rurais estão abandonadas desde que o México existe e nem com tanta desgraça o governo pensa duas vezes, continua ignorando que sem investir nas crianças elas crescem e se viram para o outro lado, aquele que colocou um prato de comida na mesa deles quando morriam de fome.

Iara De Dupont

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