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21 abril 2014

Em família: é novela ou tortura?


Novela no Brasil é tão bem feita que sempre gera a mesma discussão quando acontece alguma coisa pouco ''realista'', então todo mundo reclama com o autor. Mas novela é ficção e vale tudo para entreter, até essa falsa sensação de que é ''real''.

Mas vale o entretenimento, desde que seja bom, como as novelas mexicanas que não tem pé nem cabeça, mas as histórias são tão bem amarradas que divertem a todos.

Não sou dessas que ficam reparando se tal coisa poderia ser real ou não, mas acredito em bom senso na hora de encostar em alguns assuntos. Se é para brincar com algumas coisas e personagens que sobem em prédios sem passar por porteiros e vão chegando e abrindo a porta tudo bem, faz parte da novela, mas questões delicadas não se prestam ao absurdo.

Tenho um amigo que adora novela e garante que apenas um capítulo é necessário para saber se a novela é boa ou ruim. Sou obrigada a concordar, pelo menos depois do sábado passado, quando eu esperava para sair e acabei assistindo quinze intermináveis minutos da novela ''Em família'' e entendi porque a novela vem sendo a mais rejeitada da Globo e nem o pessoal do twitter fala dela.

Na cena que eu vi, duas atrizes, que interpretam mãe e filha e merecem meus parabéns, eu já tinha me comprometido a não fazer isso de novo, mas não resisto, tenho que parabenizar as duas pelo péssimo trabalho, totalmente inexpressivas diante de uma cena que deveria ser pelo menos em teoria ''bastante forte'' , mas enfim, a filha de vinte anos acaba de saber que é fruto de um estupro coletivo e exige que a mãe reconheça quem foi, porque quer saber quem é seu pai.

Sei que um estupro pode engravidar a mulher, mas disso a chamar o estuprador de ''pai'' achei demais. E vou a questão do gênero, foram linhas escritas por um homem, uma mulher mesmo que fosse  mais despistada do mundo jamais pensaria em escrever algo tão sem noção.

Então quer dizer que uma moça de vinte anos, bonita, nunca foi assediada? Não pode nem imaginar o que a mãe passou em um estupro coletivo dentro de uma van? Não dá mesmo para ficar no lugar da mãe um segundo?

E digo que esse texto é uma visão de gênero, homens sabem que a única possibilidade de sofrerem um estupro coletivo é se forem presos e não tiverem dinheiro, caso contrário é bem remoto o risco, já mulheres não precisam ser presas, podem estar saindo na rua apenas para comprar um pão. Daria para entender se fosse o filho exigindo explicações a mãe, mas uma garota de vinte anos não sabe mesmo o que estava exigindo da mãe?

Foi uma cena constrangedora, penosa, longa, mal feita e totalmente surrealista, sem eira nem beira, a moça lá pedindo para a mãe reconhecer quem a estuprou para que ela possa saber quem é seu pai.

Pra tocar nesse assunto só tem de uma, ou faz direito, ou não faz, mas jogar na roda esse crime para terminar em uma cena sem lógica não faz sentido e que filha é essa que em vez de se preocupar com a mãe quer apenas que ela reconheça quem estuprou? Poxa, essa mãe está encantada, primeiro é estuprada e depois tem uma filha insensível?

Não desejo a ninguém uma situação dessas, eu tenho uma prima que passou por isso e decidiu ter o filho. A mim nunca disse nada, mas para outra pessoa jurou que jamais a filha ia saber a verdade e ela está certa, Deus resolveu ajudar e o criminoso se envolveu em outro crime e acabou morto pela polícia, assim minha prima não tem mais nada para explicar.

Mas é deprimente ver isso em uma novela de uma maneira tão boba e sem sentido, eu não duvido que existam filhas assim, capazes de passar por cima dos sentimentos da mãe, mas não entendo como sendo mulher não podem imaginar por um segundo o que a mãe deve ter sentido.

Nenhum autor é obrigado a falar de estupros, mas em um país com os maiores índices de estupro do planeta poderiam pelo menos pensar duas vezes, antes de colocar uma filha retardada exigindo que a mãe reconheça seu estuprador, ora, nem a polícia exigiu, quem é a menina para chegar botando banca?

E é a primeira vez que escuto alguém chamar ''estuprador'' de ''pai'', a cena inteira ela se referiu a ele como ''meu pai''. Enfim, se tenho um consolo nisso é que falo de uma cena que ninguém assistiu, porque ninguém assiste novela e diante de uma cena tão grotesca isso é quase um sinal de justiça divina.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Será que o autor dessa novela poderia fazer o favor de admitir que é um péssimo profissional e nunca mais escrever uma linha que seja na vida?

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