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23 abril 2014

Como ser um bom ativista


Quando eu tinha uns vinte anos ou menos, estava em uma sala de aula quando um grupo de estudantes entrou e convidou a todos para assistir uma palestra sobre animais. Eles eram da PETA, uma ONG direcionada a denunciar abusos contra animais.

Eu fui ver a palestra e colocaram um filme, aguentei firmemente durante quinze minutos, nunca tinha visto nada assim, já tinha escutado sobre testes em animais, mas nunca vi uma coisa como aquelas nem escutei nada igual. Saí de lá com as pernas bambas e correndo para vomitar. Eu já tinha uns sete anos sem comer carne, mas aquilo ali era muito além, era vídeo mostrando experiências com animais.

Me inscrevi em um programa da ONG e comecei a receber material, li tudo o que me deram e comecei a mandar uns e-mails que me pediam, explicava para as pessoas porque deveriam parar de usar produtos animais.

Mas do meu jeito fazia tudo errado, eu era impulsiva e esse assunto sempre me ''ferveu'' o sangue, eu perdia a cabeça logo e me desesperava, cansei de discutir com amigos, família e desconhecidos.

Até que conheci Penélope, uma ativista da PETA que ficou minha amiga e resolveu me orientar. Aprendi com ela tantas coisas em relação a vida que não dá nem pra descrever, isso levando em conta que ela era muito mais jovem do que eu.

O que eu na minha paixão pelos animais não entendia é que eu tinha meus argumentos e minhas bases para não comer carne nem consumir produtos que usassem animais, mas quem fazia isso também tinha seus motivos e razões, por isso virava uma conversa de surdos. Ou eu aceitava me sentar na mesa e negociar, conversar e escutar o outro lado, ou desistia de ser ativista, porque no berro e desespero eu só estava me atrapalhando.

Fui com ela a umas aulas sobre isso, e eram dadas por uma americana, pessoal que leva a sério a importância da linguagem e da maneira de colocar o assunto na mesa. Uma das coisas mais importantes que aprendi foi a ter como diziam '' a opção''. Se eu visse uma amiga usando um batom, de uma marca que usa animais em laboratórios, a maneira errada de me aproximar seria dizer que essa marca usa animais e ela é péssima pessoa por comprar. O correto seria dizer que essa marca que ela gosta usa animais em laboratórios, mas tal outra marca tem cores parecidas e não usa animais. Nesse nível as pessoas reagem e a conversa pode dar frutos.

É a mesma coisa com quem come carne, chegar chutando a mesa e chamando todos de assassinos de criaturas inocentes só levanta os ânimos e parece que deixa os carnívoros com mais vontade de comer carne. Mas chegar perguntando há quanto tempo comem carne e entendendo o lado da pessoa dá para jogar na roda o assunto sem ninguém se ofender. Porque todos têm seus motivos e suas crenças, assim como eu acredito em não consumir animais, existem pessoas que acreditam no consumo deles.

E por que falo disso? Porque uma coisa vem acontecendo e isso está me assustando demais. Entrei em vários grupos vegetarianos no Facebook e contra a crueldade com os animais e já saí de todos pela agressividade das pessoas em relação ao assunto. Apenas em um eu fiquei na roda, o resto eu acompanhava e via quando entravam em perfis de carnívoros e chamavam todos de ''assassinos'' e coisas assim.

E por experiência própia posso dizer que assim não se chega a um acordo, o consumo de carne é uma questão ética e isso não se discute com uma arma na mão. Tenho visto ativistas pelos animais agindo com uma violência verbal que eu me assusto e senão tivesse sido vítima deles, apenas por uma frase infeliz minha, eu não acreditaria.

Já tive todo tipo de anônimos no meu blog e nada supera o ódio que levantei com um post, sobre uma besteira que disse, quando comentei que comia um pastel de carne por ano, na verdade como o pastel, mas tiro a carne antes porque não consigo mais digerir, mas gosto do sabor. O fato de ter dito que consumia isso uma vez por ano me colocou na mira de um grupo de extremistas absolutamente assustador e me levou a questionar todos meus princípios em relação a isso.

Entendo a urgência do assunto e posso garantir que sei da onde vem essa revolta, é só assistir um vídeo de tortura de animais que dá vontade de sair matando quem faz isso, entendo a essência da impotência que dá ver um animal sendo judiado, mas de repente essa nova geração de ativistas está acreditando firmemente que agredir é a única resposta e sou obrigada a dizer, não é, porque ao agredir alguém pelas suas crenças dá espaço para que as outra parte revide e isso nunca acaba bem.

O diálogo, a conversa, é a única coisa que pode levar a um acordo e por isso mesmo a PETA é tão respeitada no mundo, porque prezam abrir a porta e sentar para conversar. É uma ONG que se aproxima das empresas que usam animais e tenta ''negociar'' , faz acordos, tenta de todas as maneiras, não são conhecidos por invadir laboratórios armados.

E não vou ser hipócrita, eu apoio a destruição total desses lugares, por mim podem tirar os animais de lá e colocar fogo ou invadir como fizeram no interior de São Paulo para libertar os beagles. Mas na prática isso não funciona, a sociedade não gosta porque acha que é vandalismo e o laboratório muda de lugar, e não é isso que se busca, o que se quer é a mudança de mentalidade, que deixem de existir esses lugares, que seja considerado falta de ética usar animais, não adianta quebrar um laboratório enquanto a empresa levanta outros cem pelas costas de todo mundo.

E tenho me sentido muito desconfortável com essa nova geração de ativistas, não me reconheço nem me identifico com eles pela agressividade que vejo, escrevem coisas terríveis e esquecem uma coisa importante, muitas pessoas são mais favoráveis a causa do que eles pensam, mas se afastam com medo. Em vinte anos de divulgar a questão dos animais em laboratórios apenas duas pessoas olharam nos meus olhos e disseram ''E daí?''. Só duas, duas. O resto entendeu o que eu queria dizer e me pedia lista de empresas que não usavam animais. O ser humano é mais aberto ao amor com os animais do que pensamos, mas se alguém se aproxima com raiva e agressividade nossa tendência é a defesa e assim começa a guerra.

Sei da pressa porque nos países emergentes aumentou o consumo de carne e a China não tem leis de proteção aos animais e já construiu e aluga os maiores laboratórios do mundo. Tenho tanta raiva quanto qualquer um que goste dos animais, mas meu blog tem mais de 1400 posts, já recebi e-mails suficientes de homofóbicos, racistas, machistas, fãs loucos e nenhum supera em ódio aos ativistas que me detonaram por um pastel de carne.

E foi a única vez que fiquei com medo, eram tantas ameaças que pensei em fechar o blog por um tempo, porque mesmo tirando o post em questão eles continuavam furiosos.

E o outro dia uma amiga minha postou no Facebook uma foto sua durante um churrasco na sua casa. A foto tinha uma frase engraçada, sobre feminismo, mas eu reparei na frase e ignorei a churrasqueira atrás dela e compartilhei a foto. Imediatamente duas pessoas do meu perfil foram lá e detonaram ela, escreveram coisas horríveis desejando que sua casa fosse invadida, ela estuprada e seu corpo picado e jogado na churrasqueira. Tirei a foto do meu perfil e eliminei as duas pessoas que fizeram isso.

E falo sem medo desta vez, assim não tem diálogo, nesse esquema guerrilheiro de chegar atirando não dá para sentar e conversar.
O meu temperamento não tolera sentar na mesa com uma pessoa que seja a favor de testes em animais, mas o tempo me ensinou a fazer isso, paciência, eu estudei o suficiente para sentar lá e explicar meus argumentos e tentar escutar o outro lado, mas no fundo da minha alma quero fuzilar essa pessoa, por mim todas as pessoas que judiam de animais deveriam morrer, mas não é assim que a coisa vai, não existe espaço para o diálogo se não é de maneira amigável, mesmo que seja fingido, se não tem de outra, a gente finge que está levando na boa, quando por dentro quer que a pessoa morra.

Uma vez Penélope me disse uma coisa muito linda, eu tinha acabado de perder a cabeça em uma discussão e depois fui embora com ela chorando de raiva, então para me acalmar ela falou:
-Sabe Iara, as pessoas acham que controlam os animais no grito, você já viu isso? Todo mundo grita com os animais, em um rastro, laboratório, circo, zoológico, até com um cachorro em casa, a pessoa começa a berrar. Você defende os animais, mas quando grita fica igual a eles. Não faça mais isso, nós somos diferentes e podemos mostrar ao mundo que ética se conquista no verbo, não na violência. Nós não somos como eles que gritam, judiam e consomem animais. Temos que ser melhores do que eles são, pelo menos para que os animais nos reconheçam, porque eles sabem a diferença entre quem ama e quem não ama. Quando você perde a cabeça fica no mesmo nível de quem critica. Nós não somos eles e os animais precisam da nossa paciência e no grito vamos perder duas vezes a batalha.

Penélope, onde quer que você esteja te agradeço por ter mudado minha vida. 

Iara De Dupont

4 comentários:

Elisane disse...

Bom dia Iara. Li seu post e admiro as pessoas que são vegetarianas. Desde a minha adolescência acalentei a ideia de parar de comer carne, mais infelizmente gosto muito de carne. Já assisti vários videos sobre a crueldade contra os animais, especialmente para ter base minha monografia, que foi sobre o assunto. Me doia o coração, profundamente, ver aquelas cenas horrorosas. Mais como disse, infelizmente não tive forças para me afastar do consumo alimentar de carne, inclusive por conviver com familiares excessivamente carnívoros. Admiro muito sua atitude e por abordar assuntos que por vezes é renegado em nossa sociedade. Abração

C.Belo disse...

Se um ativista age com este tipo de agressividade pra cima de mim, EU, que sou uma pessoa esclarecida, vou entender que o problema é DELE, não da causa que ele defende, que é válida, sim. Eu mesma, embora tb ainda coma carne (estou apenas diminuindo o consumo de carne vermelha por enquanto), admiro quem luta CIVILIZADAMENTE por essas causas.

MAS...eu sou eu, né....mas conheço (e convivo com) pessoas que só de ouvir falar em vegetarianos e ativistas de causas animais torcem feio o nariz! Quanto mais ouvir e se dar a chance de se convencer da validade dessas causas. Lógico, eles têm razão para isso né. agressividade só afasta as pessoas e a tendência vai ser elas irem pro caminho OPOSTO.

Ativistas bestas, acham que estão defendendo algo, se acham muito "úteis" quando na verdade estão é prestando um desserviço à causa!

Suzana Neves disse...

Eu sou contra teste em animais os produtos que uso nas minhas massagens não praticam pelo menos dizem,mas na vida não dá para abraçar muitas causas se tivesse mais dinheiro talvez poderia me tornar vegetariana mas sou alérgica a soja,e outras coisas, lamento pelo animais, mas lamento mais pelas crianças e vejo muita injustiça as crianças não recebem educação e os pais reclamando do Estatuto da criança e do Adolescente como se bater maltratar torna um ser humano melhor, acho hipocrisia, ninguém se meter nesses assuntos, mas quando uma mulher chuta um cachorro até a morte ela é um monstro, não vi ninguém comentando que o filho dela estava vendo tudo aquilo e provavelmente o cachorro era dele,todo dia crianças são abusadas, mortas e muito mais, não vejo nenhuma mudança a esse respeito.

Anônimo disse...

Pessoas extremistas se escondem em causas para destilarem seu odio,vejo muito isso na religiao. Odiar e desrespeitar não é e nunca sera em prol de nenhuma causa,para defender uma causa basta bons argumentos e ponto,o resto e com a pessoa se quiser refletir ou não. Pessoas extremistas tem problemas graves consigo e com o mundo e acabam atrapalhando o trabalho de quem respeita a causa e os outros.

Anna

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