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18 abril 2014

A loucura humana não conhece limites


Tudo o que tem a ver com a violência em crianças e animais me choca e deixa horrorizada. Sempre acho que só por isso a humanidade não terá o perdão, caso o dia do juízo final chegue. E fico impressionada de ver o silêncio das autoridades em relação a tudo isso, como se nenhum deles tivesse filhos.

E a mensagem para todos é a mesma, neste mundo não se confia nem na sombra, ninguém é o que diz ser.

O México é um país muito parecido com o Brasil, principalmente em relação ao descaso com as crianças. 

Nos anos noventa o México tinha seus abrigos cheios e fazia campanhas pedindo para as crianças denunciarem caso sofressem maus tratos ou abusos. Depois disso a criança era levada para um abrigo do Estado, até que o juiz estivesse de acordo em devolver a criança para seus familiares. Mas o México não tinha mais vagas e aceitou a ajuda de uma Igreja, chamada de Igreja Cristiana Restaurada, que ofereceu vagas a essas crianças abusadas em seus abrigos religiosos.

A relação entre Estado e Igreja sempre tem sido sinistra e cheia de sombras, tanto assim que esses supostos abrigos religiosos até hoje são alvos de investigação devido as denúncias dos abusos que acontecem ali dentro.

Em 2006 na Cidade do México a polícia recebeu umas denúncias, entre elas de uma menina Ilse,  alguém denunciou que a menina sofria abusos sexuais, então ela com outros 14 menores que tinha denúncias parecidas foi levada para um abrigo dessa Igreja.

A avó da menina entrou com um pedido de guarda e conseguiu ele dois anos depois, mostrando a ineficácia do sistema mexicano, mas ela ganhou a guarda da menina e o juiz mandou ela buscar a garota. Ela foi lá com a mãe da menina, mas as pessoas do abrigo nem deixaram ela entrar.

Tanto a mãe como a avó não deixaram barato, foram atrás da polícia, que levou um ano para invadir o abrigo depois de uma briga legal bem arrastada. E ao entrar no abrigo toparam com com uma cena maluca, 129 crianças, desnutridas, sem registros e com um discurso religioso na ponta da língua que incluía dizer seus direitos, avisando a polícia que eles não poderiam ser tirados dali, caso contrário iriam despertar a fúria divina, se comportaram todos como se estivesse em uma seita. No meio da confusão da invasão a menina Ilse desapareceu.

E voltou para casa agora, sete anos depois. Ninguém sabe onde estava nem com quem ficou, no momento nem sua família sabe o que aconteceu, a menina hoje com quatorze anos se recusa a abrir a boca. As outra 14 crianças que foram levadas a esse abrigo não foram resgatadas porque não estavam lá no dia da invasão e ninguém sabe onde estão.

Essa Igreja Cristiana tem diversos abrigos em várias cidades do México, mas de uma maneira que ninguém consegue explicar as autoridades não conseguem ter acessos aos lugares nem aos registros.

No México é assim, tudo que é ligado as crianças desaparecidas é ignorado, porque o país vem sofrendo demais com os traficantes, que dizem sem pudor que tráfico de crianças dá mais lucro que drogas, tanto para redes de pedofilia como para tráfico de órgãos. O governo fica paralisado e prefere não se meter na questão, então qualquer desaparecimento é ignorado. No caso da menina Ilse a coisa só foi adiante porque a mãe e a avó lutaram até o fim, caso contrário nunca teriam conseguido desvendar o que estava acontecendo.

Até a imprensa ignorou o caso, todos sabem que essa aliança entre Estado e Igreja sempre deu merda. Países como Escócia até hoje se afogam em dívidas para indenizar crianças vítimas de abusos em abrigos religiosos que faziam parcerias com o Estado.

A história da menina Ilse só veio à tona por um detalhe macabro, assim que o abrigo foi invadido e uns responsáveis presos se chegou ao dono da Igreja, a pessoa que fundou e desenhou os abrigos e seu programa de educação, o dono de tudo isso é Jorge Ederly, um dos homens mais ricos do México, já que sua família é proprietária de uma empresa que vende uma cola parecida a Super bonder.

O ponto com Jorge é que ele é o maior acadêmico no México em relação a construções de seitas religiosas, construiu uma respeitável carreira atacando a Igreja Católica e todas as igrejas que adoutrinavam  quem cruzasse na frente deles. Ele ficou famoso por não ter medo de denunciar os escândalos da Igreja em relação a pedofilia, cansou de escrever e falar sobre o assunto, ficou famoso por lutar duramente contra as seitas no México, mas fazia isso ao mesmo tempo que ia construindo sua igreja e doutrinando as crianças que de uma certa maneira foram raptadas. Pessoas ligadas a ele disseram que Jorge chegou  a falar várias vezes que o México precisava de uma liderança religiosa.

No momento ele está desaparecido e sua família alega que é bipolar, mas tudo isso iria muito além de uma simples bipolaridade, até porque não se sabe quantos abrigos ele têm, nem quantas crianças estão ali. E ele só confirmou minha teoria de que ninguém é o que parece ser e qualquer um pode enganar o mundo inteiro, as pessoas pensaram que apenas porque ele é o maior especialista no assunto de seitas destrutivas ele jamais teria nada a ver com elas, mas não só tem a ver como construiu um império enganando a todos e ganhando um bom dinheiro com seus artigos contra as seitas. Nesse mundo não se pode confiar no discurso de ninguém.

Mas agora o assunto parece encerrado, nessa ferida o México não encosta, resolver um caso de desaparecimento de uma criança implicaria em resolver vários e o governo não mexe nessa água. Mas fontes ligadas ao governo disseram que o presidente Peña Nieto está aliviado com essa história, pensaram que as crianças desaparecidas tinham sido sequestradas e mortas pro traficantes, mas graças a Deus podem estar em algum abrigo religioso sofrendo apenas maus tratos. Ainda bem que é só isso, a polícia não perdeu a chance de dizer que a imprensa ''sempre exagera'' e as crianças devem estar bem em algum lugar. É, como não são filhos deles devem achar ótimo uma criança ser levada pela polícia, entregue a uma seita, depois torturada. Em um país como o México que uma criança não vale nada parece que só a possibilidade de estar vivo é uma coisa boa. É, esse planeta é mesmo um lugar assustador.


Iara De Dupont

3 comentários:

Paula Santos disse...

Que história sinistra e triste!!! Eu não sabia desse lance com as crianças no México. Estive lá em agosto do ano passado, realizando meu sonho de infância, que era conhecer o país. Não fui pras praias, fiquei só na cidade do México, pq gosto de tentar ver como o povo vive e ser o menos turista possível (tenho essa besteira, não consigo mudar). Eu gostei muito, e mesmo sabendo dos problemas, tenho vontade de voltar e ficar mais tempo. Mas ler essas coisas mais especificas, como esse caso das crianças, embrulha o estomago, principalmente pq eu vou sempre viajo acompanhada da minha pequena, ela tem 2 aninhos, e o medinho que deu agora, sabendo dessa negligencia toda? :/ Não q por aqui seja diferente, mas a gente tem mais noção de como lidar.

Gosto muito qdo vc posta sobre o méxico, pois me ajuda a ter mais idéia do país de verdade e não só sobre o méxico q fantasio e e no qual estive por apenas 10 dias.

Beijos!

Iara De Dupont disse...

Paula, se você puder voltar ao México volte, porque realmente vale a pena. Muita gente fala das praias, mas tua decisão foi a melhor, a cidade do México é incrível mesmo apesar das contradições, eu gosto muito de escrever sobre lá pelo parecido com o Brasil, mas infelizmente apenas na violência e no machismo, no resto é um país com muitos contrastes e feridas diferentes das nossas, como dizem lá, coitados dos mexicanos, tão longe de Deus e tão perto dos americanos!

Mas é um lugar que vale a viagem, não importa aonde, a cultura é super rica e sempre vale ir, acho que é um dos lugares mais interessantes do planeta.

beijos!

Paula Santos disse...

Eu vou voltar sim, com toda certeza!!!

Das besteiras e cliches que escrevem sobre quando se é mãe, a única que pegou de jeito, foi a de ficar medrosa. Por exemplo, ando com medo de viajar de avião, coisa q nunca tive, sempre foi um prazer estar voando. Mas agora me bate um panico com algumas coisas. Aí qdo li sobre as crianças desaparecidas no méxico, me vieram milhões de maluquices na cabeça! rs Mas vai passar! Até pq, no caso da viagem ao México, ficou muita coisa pra ver. Eu voltaria só pra andar pelo zócalo, pq qdo eu fui, os profissionais de educação estavam acampados lá protestando já havia 1 mês e não deu pra conhecer, fui só na catedral. Falta conhecer um monte de museus, xochimilco, castelo de chapultepec... Tb falta andar pela cidade, ver o dia a dia com calma, me sentir parte... Acho q eu tinha q ficar no mínimo 1 mês! :o) se bem que por mim, ficaria muito mais, até moraria. Quem sabe um dia!!!

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