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07 março 2014

Rafael, você falou sério quando disse que ia voltar?


Hoje resolvi limpar minha caixa saturada de e-mails. E achei um teu, que tenho certeza não ter lido naquele dia.


Sinceramente Rafael, nunca achei que fosse te perder. Posso ter ficado cega de arrogância ou confiei no amor que sentia, mas nunca imaginei que ia te ver ir embora e muito menos com outra.


O teu e-mail estava cheio de instruções sobre onde deixar tuas coisas. No meio da confusão e das lágrimas não li as últimas frases, apenas hoje, 2014, eu li. A data do teu e-mail é de abril de 2002, aquele abril cinza que eu penso todos os dias esquecer.


Já se passaram doze anos e as últimas linhas dizem:


''Foi melhor assim Iara, mas talvez um dia eu volte...''


Ainda bem que eu não li isso na época, senão teria ficado esperando.


Ah, Rafael, hoje vou te perguntar, será que você voltaria? Será que eu ainda estaria esperando na mesma porta? Não sei porque meu coração às vezes me diz que você pensa em mim. Não sei porque sinto isso, não sei se estou me iludindo com nada, apesar dos anos que já se passaram.


E se voltasse agora? Estou sentimental hoje, com uma mistura de raiva e saudade, e esse e-mail mexeu comigo. A tua doçura sempre mexeu comigo. E por que eu acreditei que tuas palavras eram eternas? Nunca entendi porque acreditei em tudo o que você disse, mas acreditei.


Não sei o que você quis dizer ''..talvez eu volte...''.Pensou mesmo em voltar Rafael? Porque se pensou deveria ter voltado, talvez eu teria dito que sim.


Doze anos depois mudei muito. Em algumas coisas estou melhor, em outras não. A parte da gostosura é melhor, agora sei quem sou, mas a parte do cinismo piorou. Ainda me sinto ferida pela traição, nunca entendi como você conseguiu namorar comigo ao mesmo tempo que namorava com a outra. Essa parte me machuca ainda, me faz perder a vontade de te ver.


Mas tantas coisas me dão vontade de te ver! Tenho ódio da última ligação, quando você me disse que preferia passar na minha casa na hora que eu não estivesse lá. Fiquei com a sensação que você me negou o último momento, aquele que a gente poderia se despedir para sempre ou pensar duas vezes na separação. Tenho raiva disso até hoje, penso que se você tivesse me visto uma última vez não teria tido coragem de ir embora como foi.


Ah, Rafael, e se você voltasse agora? Não sei quem você ia encontrar. Não sei que tanto preservei de mim, nem se você iria reconhecer minha maneira diferente de ver a vida. O cabelo ainda está igual, preguiça de mudar, mas abandonei a maquiagem, coisa que tenho certeza você ia gostar. No resto o tempo parou,  mas mudei de endereço e de país.


Mas posso me ver na porta daquele apartamento te esperando. Lembro das ligações que me perguntaram '' mas é sério mesmo que ele foi embora com outra?''

É. Eu disse que era sério mesmo.

E quem é a outra? Não sei, não conheço, não quero conhecer. Nem sei se é a mesma que aparece nas fotos do teu casamento que vi no Google, um dia desses te catando por aí.


E também não sei se você está casado ou não. Falei com teu irmão há uns anos, quando ele me perguntou sobre o livro que eu estava escrevendo, queria saber se ia falar de você. Ora, mas eu falaria do que? Foi você que foi embora quando fiquei mal, por que eu falaria dos vizinhos?


Teu irmão não gostou, mas o livro vai ser publicado este ano e posso te garantir que ele vai surtar. Problema dele.


O meu problema é você. É tua ausência que navega na minha vida, cada vez que uma coisa me magoa quero correr pra você e te contar, cada vez que erro, cada vez que acerto são teus olhos que procuro na multidão. Cada vez que me quebro procuro teus braços nos meus sonhos.


E quantos posts de amor sobre você ainda vou escrever? Quantos homens ainda vou conhecer e pensar que são pequenos perto de você? Quantas luas ainda vão se passar pra tua lembrança sumir no espaço?


Já me disseram para queimar tudo e pedir ao vento que levasse as cinzas, elas levariam o resto do amor que eu sinto e me faz sofrer tanto, queimei tudo e ainda te amo.


Rafael, se um dia você quiser voltar te conto que minha avó já morreu e você sabe que ela não gostava de você, uma vez me disse que via nos teus olhos a dor que você ia me causar. Minha mãe ainda gosta de você, meu irmão sempre foi teu amigo.


Minhas amigas vão surtar, mas eu convenço elas que a nossa história de amor era superior a tudo e que um dia ficaríamos juntos. Eu sou boa pra contar histórias e posso convencer o mundo que nascemos um para o outro.


E quanto ao meu orgulho asteca, aquele que me impede de te perdoar? Esse eu não sei sei Rafael o que fazer com ele. Tua traição, tua partida, foram a mesma coisa que ter meu coração arrancado a sangue frio, ainda doí, hoje, uma década depois.


Não posso dormir do teu lado nunca mais, não poderia confiar nos teus olhos nem segurar tua mão. Você me traiu no momento que eu mais precisei e você sabia disso, você sabia que era a única corda que me mantinha saudável mentalmente. Mas que porra de responsabilidade! Eu sei, fui longe demais e exigi muito, mas se você tivesse segurado mais um pouco a corda eu teria conseguido chegar a margem. Porra, Rafael, tantos momentos para me deixar e escolheu o pior?


Falei pra minha mãe hoje que achei esse e-mail onde você dizia que  talvez voltaria e ela quis saber se eu te aceitaria de volta. 


Não sei Rafael, tô confusa ainda, magoada com o mundo, chateada com as coisas, triste com as pessoas, desapontada comigo, infeliz com tudo. Vamos fazer assim, melhor antes de te responder, bate na porta e depois a gente vê o que faz....



Iara De Dupont


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