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19 março 2014

O segredo da cama (outra teoria)


Uma amiga contava sobre seu namoro recente que vai chegar ao altar. No meio da animação outra amiga perguntou como o rapaz era na cama e ela disse que não sabia, porque ainda não tinham tido relações. De repente o silêncio mortal. Todas ali tem mais de trinta anos, algumas já tem até filhos e a moça que vai casar não transou ainda com o noivo? Não.

A explicação dela é curta e simples, parece que faz pouco tempo que se converteram a uma religião que aconselha ter relações depois do casamento e eles resolveram seguir isso, levam tão a sério que vão a sessões de aconselhamento.

Uma das amigas ali surtou, disse que é impossível hoje se casar com alguém sem ter passado pela cama dessa pessoa, como saber se rola química ou não?

Demorei para me posicionar porque fiquei na dúvida. Por um lado venho de família de mulheres onde muitas se casaram virgens e contam histórias ruins, é difícil dizer o que se gosta quando não se conhece nada e ficar apenas com um sem ter um mínimo conhecimento do resto fica complicado. Mas ao mesmo tempo acredito que os noivos já rodaram e sabem o que querem agora, então me parece bem se querem esperar.

Mesmo assim fiquei pensando, porque a amiga que foi contra isso insistia no ponto que a gente só  conhece o homem na cama, não adianta enrolar fora. Poxa, hoje tô sentimental, só na cama? Não pode ser fora? Não, parece que só na cama que sabemos com quem estamos lidando.

Falei isso e minha amiga lembrou de uma história minha que logo jogou na roda:

-Vai lá Iara, conta a história do nazista e do feminista.

Ah, não, eu não acredito.

-Mas não é? Vai me dizer que cama não revela?

É, mas eu diria que tudo revela e nem sempre a cama é a única fonte. Mas muitas coisas podem nos confundir, menos a cama, ali não tem como esconder quem é quem.

A história do nazista foi um rapaz que eu conheci, mas eu não sabia que era nazista e a gente namorou um tempo. Ele tinha uma tatuagem no braço que era um círculo, dividido em oito pedaços. Um dia pegou uma lupa e me mostrou o desenho minúsculo que tinha em cada pedaço do círculo, uma tatuagem que tinha custado uma fortuna, porque foi feita em miniatura e em Berlim. Cada pedaço da tatuagem era um símbolo, tinha o do nazismo, do racismo, enfim, todos esses símbolos agressivos e horrorosos. Fiquei chocada e perguntei se ele sabia o que era aquilo, ele me explicou que sim e não tinha vergonha de dizer que acreditava nos princípios nazistas e na superioridade branca. E ainda completou dizendo que a tatuagem era em miniatura justo para desviar a atenção da polícia em caso de prisão.


Foi a última vez que vi ele porque fiquei com medo, mas antes disso tinha saído com ele várias vezes e tive a impressão de um  garoto educado e direto, não era de enrolar e sou obrigada a dizer, o melhor amante que já tive, um homem super meigo, doce, generoso e atento na cama, posso dizer tranquilamente que era um cavalheiro.


Um tempo depois e ainda no trauma de ter namorado um nazista, conheci um rapaz que era o oposto, estudante de sociologia, cheio de teorias sobre a liberdade e igualdade. Tudo nele era ecológico, sustentável e cheio de boas intenções. Começamos a namorar, mas eu sempre desconfiei de alguma coisa ali, mesmo assim como dizem minhas amigas  '' me joguei'' e tive a pior experiência da minha vida na cama. Era agressivo, violento, cheio de ideias estranhas, egoísta, egocêntrico e eu sai de lá correndo.

Ele ainda me procurou, mas eu nunca mais quis saber nada, fiquei com mais medo dele do que do outro, que sempre me deu espaço e respeitou, este ecológico parecia possuído na cama.

Minha amiga berrava e dizia:

-Tá vendo? Tô falando isso há horas, sem sexo antes não dá pra saber como é o cara!

Pra mim apesar de tudo, continua sendo um mistério, acho que pessoas, no caso, homens, se definem na minha vida pelas atitudes e essas não acontecem apenas na cama, existe todo um mundo lá fora e é nisso que reparo.
Mas não gosto muito dessa teorias, acho chato pensar que só na cama vamos saber quem é o cara que está com a gente, mesmo assim sou sincera, jamais me casaria com alguém oficialmente sem ter ido pra cama, acho impossível isso pra mim.

Enfim, o mundo é enorme e deve ser coisa de sorte que duas pessoas se encontrem e cheguem a um acordo, seja tendo relações antes ou depois do casamento. 


Tem uma parte de mim que acha tudo isso deprimente, mesmo que eu queira negar, mas acho péssimo pensar que só a cama pode revelar a pessoa,  fico pensando se fora dela não dá pra ter uma panorama.


Uma vez me disseram que pelo jeito que o homem trata a mulher na cama a gente sabe que educação recebeu da mãe. Mas hoje as coisas estão tão abertas sexualmente e as pessoas tão dispostas a experimentar que não vejo muita lógica nessa teoria.


Na verdade faz tempo que parei de ver lógica em alguma coisa. Faz muito tempo mesmo.



Iara De Dupont

3 comentários:

Suzana Neves disse...

Cama não define ninguém, porque pode ser muito bem fingido, são nos momentos de raiva que se conhecem as pessoas.

Iara De Dupont disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Iara De Dupont disse...

A raiva é um clássico mesmo, não tem erro..

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