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06 março 2014

O chocolate do amor


Nunca entendi porque sempre tive fama de mediadora, desde pequena, logo eu que sempre estou de um lado ou de outro.

Mas acontece e alguns amigos me procuram quando precisam de alguém para falar com a outra parte. Neste caso foi um amigo, casado com uma moça, ele traiu e a mulher não quis  nem saber, não teve perdão.

Ele veio atrás de mim querendo saber se existe alguma ''teoria feminista'' que mostre que ser infiel não é nada pessoal, é apenas um momento. Não conheço todas as teorias feministas, mas não lembro dessa. Até argumentei com ele sobre a teoria de que ser fiel é uma imposição social, o ser humano não nasceu para isso, mas ele fez um compromisso com a moça, é com ela que tem que negociar, não comigo.

E quando eu pensei que não podia ficar pior ele quis me explicar a sua teoria sobre ser infiel:

-Olha só, Iara, você não come carne, mas imagina que você adora carne. Então alguma coisa boa acontece na tua vida e de repente você tem todos os dias a melhor carne do mundo a disposição, o filé mignon. E tem todos os recheios, misturas, todos os dias são incríveis, um melhor do que o outro. Mas um dia você acorda de pá virada, enjoado e caminhando pela rua passa perto de um pé sujo, um boteco barato e sente aquele cheiro de coxinha de frango, você sabe que é vagabunda, pode até te fazer mal se comer, mas você não resiste aquela gordura nem aquele cheiro. Porra isso é motivo para o teu filé mignon surtar e achar que é igual a uma coxinha de rua? Dá pra comparar filé com coxinha? Não dá!

Então, nesse ponto a conversa ficou tensa. Primeiro não sei se filé é a melhor carne do mundo e depois comparações de mulheres com carne me dão enjoo.

Mas entendi o ponto de vista do rapaz. Tudo bem, é fogo a comparação, mas em explicações masculinas espero tudo.

E pensei nisso de tarde. Não sei se muitos homens pensam como ele ou muitas mulheres pensam como eu, mas entendi uma parte de porque às vezes sinto os homens tão rasos e sempre correndo atrás de sensações baratas.

Ele é louco por carnes, eu por chocolates. Se eu encontrasse um amor que fosse como um chocolate fino, o mais caro de todos e cada dia fosse distinto, um sabor novo, um recheio melhor, uma textura diferente, não consigo me imaginar tendo isso e um dia enjoada, caminho pela rua e vejo um bombom tipo Garoto, aquele chocolate barato, que gruda na boca e tem sabor de plástico, não me imagino entrando no bar e comendo. Tenho a impressão que na minha boca ainda vou ter o sabor do meu chocolate bom, fino, de qualidade e colocar um chocolate barato seria como morder um pedaço de papel.

E por que eu faria isso? Ah, pela sensação de ter algo novo! Mas que sensação é essa que pode te fazer perder tudo? 

Meu amigo insistiu:

- Iara, a gente enjoa das coisas, das pessoas, mesmo amando, é que você nunca casou, mas a mesma mulher enjoa.

Essa parte eu entendo, porque eu sou enjoadinha, daquelas que compra um perfume, enjoa e não usa mais.

Mesmo assim ficou difícil achar um ponto em comum. Não sei quantos homens pensam assim, mas eu me concentrei no meu chocolate, se tivesse ele não me imagino cedendo aos encantos de um chocolate vagabundo.

Me pergunto se as mulheres pensam assim ou eu sou a única que carrego essa sensação de que o mundo não é tão aberto assim, não acho tão fácil encontrar alguém que mexa com tua alma a ponto de você querer casar. Os rios não me parecem tão limpos nem o sol tão forte. Poucos homens me levaram a loucura e nenhum conseguiu me arrastar ao altar. 

Se um dia o encanto do chocolate acabar, prefiro ir embora do que ficar colocando na boca sabores baratos, cheios de farinha e sem cacau. Do amor e dos chocolates só quero a melhor parte, essa coisa de ''sensações vagabundas'' eu passo, nunca me interessaram.

E ainda lembro a noite com o Romeu que mais amei e comparo ao melhor chocolate do mundo. Isso ficou tatuado na minha pele,  cada um tem sua leitura, mas na minha essas pessoas eternamente insatisfeitas nos relacionamentos e galinhando por fora nunca conheceram o amor,  porque quem conhece resiste em sair procurando coisas vagabundas. Quem conhece  o amor sabe disso, o gosto fica na boca, na pele e na alma. Mesmo que  a gente tente depois colocar alguma coisa barata para enganar o paladar, aquilo volta, não desce. Amor dos bons é como tatuar o paladar, vai ficar ali e ninguém mais engana. E ainda penso assim, do chocolate e do amor, quero o melhor. O barato eu deixo para quem não mereceu nada bom de mim.

Iara De Dupont



3 comentários:

Tadeu Diniz disse...

Iarinha... Iarinha... Os homens sao assim mesmo, rasos e inseguros! O amigo come a coxinha barato por inseguranca de nunca mais comer filé... Enfim, o machismo acaba com os proprios "machinhos". Gostei da sua comparaçao, é muito bom ter um sabor especial, eu tenho um chocolate fino e requintado, nao tenho vontade de estragar meu paladar com parafina...

Anônimo disse...

não concordo com você (e sou mulher)
E não concordo com o comentário acimam. Isso de "os homens são assim" é o mesmo que reponder "por que sim" não responde nada.

Porque eu não concordo. Primeiro, sua analise tendenciosa coloca o chocolate como comparativo. E sendo uma pessoa do chocolate e para o chocolate me sinto na obrigação de defender sua valorização e desvalorização, quando necessário.

Uma coisa é você saber que tem um chocolate vagabundo na mão. Outra coisa é você ter um bombom embrulhado e brilhante na sua mão e você não saber o que é seu recheio.

Eu não troco chocolate fino (é meio classista chamar chocolate bom de chocolate fino?) por chocolate que eu *sei* que é vagabundo.

Mas eu só *sei* que o chocolate é vagabundo porque eu já comi e lambi até o caroço!

Ou seja, essa sua teoria de que quando se tem o gosto tatuado e blablabla não cola, simplesmente porque se eu tenho um bombom brilhante na minha mão, e não sei nem qual o sabor do recheio, me diz como é que eu vou conseguir não experimentar para saber se o tal do fino que eu tenho é realmente o mais-mais-mais fino de todos?

Não acho que essa teoria de chocolate se use para explicar traição. Acho que contrato é contrato e se está no contrato a clausula da exclusividade o cara é um babaca e tem que pagar a multa rescisória mesmo. ponto. Não há meios termos.

coitado do chocolate que não tem nada que ver com essa história :(

Anônimo disse...

Concordo com a tua teoria do chocolate... Acho que e por isso que estou sozinha....
Se não quer mais vai embora, não traia...

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