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14 março 2014

Letícia Spiller e Rodrigo Constatino: a piada é boa

Letícia Spiller, apanhando injustamente

Uma das coisas que mais gosto no Brasil é a política. Aqui é o único lugar do mundo onde tanto a esquerda como a direita são absolutamente patéticas, burras e ridículas, uma consegue ser pior do que a outra. Mas como diz um amigo pelo menos  a gente ''si diverte''.
Fica fácil dar risada, porque o humor em ambos lados é sempre garantido.

E ontem saiu uma crônica, uma carta, digamos assim, escrita por Rodrigo Constatino, para a revista VEJA, onde ele critica Letícia Spiller.


Não faço pose de santa, já errei muito no meu blog, destilei veneno sem precisar e já falei de pessoas que não mereciam ter sido atacadas, isso acontece com todo mundo que escreve sobre o que circula lá fora.


Mas no caso do Rodrigo é engraçado demais, ele critica Letícia e nem se deu o trabalho de checar a moça, confundiu ela com o ator Sean Penn, pensou que Letícia também é ativista política, imaginou que Letícia é nossa Angelina Jolie brasileira, que está muito preocupada com o mundo. E ainda sugere que Leticia :''Saia das sombras do socialismo e passe a defender a propriedade privada, o império das leis, o fim da impunidade e o combate ao crime, nobre missão da polícia tão demonizada por seus colegas''


De onde veio tudo isso? Letícia uma vez ao ver uma imagem sua vestindo uma camiseta com a bandeira americana disse que se fosse hoje usaria uma do ''Che Guevara''. Também disse algumas coisas à revista Caras, mas nada de importante,  soltou algumas frases perdidas sobre Cuba, mas jamais se posicionou politicamente em nada, tem um histórico igual a todos os funcionários da Globo, politicamente vazios e sem eco.


Esses dias ela foi assaltada e Rodrigo confundiu Letícia com uma grande figura política, e quis jogar na cara da moça o assalto, quis saber se ela pensou em termos ''socialistas'' quando foi assaltada.

Bom, essa parte é cruel, Letícia ainda está assustada, é sacanagem jogar isso na cara, mas o resto é engraçado.

Ah, tenho que ser eu a dizer, mas lá vai, vou contar para o Rodrigo o que ele aparentemente não sabe. Letícia é funcionária da Globo e é brasileira. Isso quer dizer o seguinte, por lógica, ela não se envolve. Não é só o povo que evita se envolver com política, como se isso fosse possível, globais tem alergia a isso, nenhum ator ou atriz no Brasil pode ser considerado ''ativista político'', essa categoria não existe e se duvidar de mim ligue para os editores da revista Caras e pergunte.


Funcionários da Globo estão preocupados em fazer seu trabalho e ter seu cheque no fim do mês, no caso de Letícia ela ainda corre atrás de comerciais, ou seja, não poderia se posicionar politicamente nem que soubesse o que é isso.


E tanta porrada apenas por uma camiseta? Ora, Rodrigo, você não tem senso estético? Aquela fotografia clássica do Che Guevara é linda, é um marco no mundo da moda, um sinal fashion para os moderninhos. Veja o que Letícia disse a respeito, ela nunca mencionou o Che da maneira que você pensa que ela fez.


E não digo que seja burra porque não conheço ela, digo apenas que ela é uma celebridade brasileira e elas são movidas por um código político que se chama  ''salvar o seu''. Brasileiro é assim, o único povo do mundo que faz questão de ser nulo politicamente e ainda tem orgulho, bate no peito e diz: Política é uma merda e eu sou um cara honesto!

Nosso silêncio e estupidez em relação a política é histórico. 

Não existem no Brasil tradição de ativistas políticos nas artes, o máximo que conseguimos disso foi durante a ditadura, depois o silêncio imperou e hoje ninguém quer magoar o sistema nem seus anunciantes.


É injusto tratar Letícia como se fosse uma grande figura envolvida em uma questão política, ela é apenas uma funcionária de uma empresa que teve sua casa assaltada. Não é Sean Penn, nem Angelina Jolie, não manda no seu trabalho, nem produz criativamente e não é livre, ela é funcionária, ao contrário de Sean e Angelina que fazem o que querem de suas vidas e podem se envolver com os problemas do mundo, sem levar bronca de patrão.

A carta é patética porque dá a moça um tamanho que não tem.

A miséria do Brasil não está apenas nas ruas, nem nas mentes, mas também no mundo artístico, somos um país órfão de grandes figuras e principalmente de pessoas que tenham vontade de se envolver com questões que nos dizem respeito a todos.


Aqui é o país do ''deixa disso'' e dos funcionários. Sonhar que Letícia vai ler e refletir sobre a carta escrita é isso mesmo, um sonho. Ela deve estar agora agoniada ainda com a experiência e resolvendo questões técnicas, como colocar mais câmeras na casa, mais segurança no condomínio, mais cachorros no jardim.


E você Rodrigo, continue sonhando, sonho lindo o seu, um país onde atrizes se posicionam e lutam contra o tráfico de mulheres, a justiça social, o abuso de menores, o abandono de idosos, as doenças. 


E não se esqueça, você também está dentro do sistema. Tua carta não foi publicada em um blog, é uma revista que adora celebridades e suas vidas ocas, fica chato falar mal dos ''colegas''.


Mas adorei a piada, dei muita risada, bati palmas, imagina no Brasil quantos atores formados estão na Globo? Imagina se além disso ia ter ativistas políticos ou pelo menos seres politizados? Fala sério hem Rodrigo? Viajou nessa carta...



Iara De Dupont

3 comentários:

Ana S disse...

Que bom, eu não fui a única que ri!
Mandou bem!

C.Belo disse...

Eu achei essa carta ridícula, mas não pelo mesmo motivo que o seu, e sim pelo fato de, pelo que deu para eu entender, ele acredita que uma pessoa só pq tem grana não pode apoiar as causas socialistas. Isso por si só já prova que ele tá é confundindo socialismo com comunismo. Nem vou me alongar explicando as diferenças, mas o caso é que ele claramente quis fazer alarde e ser visto. até aí tudo bem, a princípio todos querem isso, não é? Inclusive essa "atriz", a qual faço questão de frisar que não defendo, pois nem acho que atue assim tão bem.

Catarina Peregrino disse...

A carta do tal Rodrigo é uma tristeza não só por partir da falsa premissa de que a Letícia seria uma ativista socialista, como tb por querer sustentar a tese de que seria incompatível ricos abraçarem causas sociais. A cada dia a Veja se supera em mediocritade. Jornalismo de quinta! Parabéns pelo seu texto, Iara.

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