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08 março 2014

Dia da mulher. Dois meses na minha pele ''doida''


Uma amiga me deu uma definição que gostei muito sobre o machismo: é uma mancha de óleo no mar, difícil de remover, mas não impossível, mesmo assim devastadora para a natureza que precisa de anos para se recuperar.

É bem assim que sinto o machismo no mundo, se alastra por todas as partes, mas talvez um dia alguma coisa possa deter e ele pare de se espalhar nessa velocidade.

Chegar aqui e explicar o que é ser ou não uma mulher em uma sociedade machista, um mundo misógino, um ambiente violento, muitas vezes nem em casa encontramos paz, pode ser complexo, prefiro então contar seis situações que passei em menos de dois meses, essa é a vida na minha pele.

Situação 1- Uma delas foi em um parque, onde vou de vez em quando caminhar um pouco. Tem um senhor lá que deve ter a idade para ser meu avô ou pelo menos pai. Algumas vezes passou perto de mim e me disse - Boa tarde.
E eu sempre respondo- Boa tarde.

Há dois dias ele passou, me deu boa tarde, eu respondi e ele disse:
- Quer ir algum lugar beber alguma coisa?

Perguntei o que ele tinha dito e repetiu. Agradeci o convite e sai andando.

Isso foi semana passada. Ontem eu estava caminhando no parque quando ele passou por perto e me disse - Vaca.
Ignorei e continuei caminhando, mas agora mudei os horários.

Situação 2- Em um grupo do Facebook um rapaz de trinta e três anos, ou seja, uma nova geração, disse uma coisa aparentemente sem sentido, pelo menos eu não entendi. Achei que seria mais educado perguntar para ele em off, fora dali. Mandei uma mensagem e ele foi educado, respondeu e explicou o que queria dizer. Mas dias depois me comentou na maior cara lavada que eu ''cheguei paquerando ele''. Fiquei chocada, até porque se quisesse paquerar teria assumido isso e teria feito de outro jeito, não precisava entrar em um assunto que não entendi, teria chegado de outra maneira.

Fiquei tão constrangida que tentei me explicar, cai nesse erro e quanto mais eu tentava argumentar que apenas falei com ele por uma dúvida, mas ele insistia que eu estava dando desculpas e não queria assumir que ''paquerei ele na cara dura, sem disfarçar''.
Tudo isso me irritou demais. Me deixou chateada ver uma pessoa tão jovem com essa atitude machista.

Situação 3- Vou a banca procurando uma revista, não tem. O jornaleiro tenta ser educado e me oferece outra, que eu recuso, acho cara demais. Então ele diz:

-Você poderia sair comigo e ler todas as revistas de graça.
Deixo a revista na banca e vou embora.


Situação 4- Entre um supermercado e minha casa existe uma rua escura, que sempre desço correndo, mas ao carregar quilos de frutas vinha caminhando devagar. De repente do nada, um rapaz que eu não tinha visto, se atravessa na minha frente. Levei um susto e gritei. Ele se vira e diz:
-Tá maluca? Achou que eu ia te agarrar? Nem que fosse bonita..

Fiquei ali parada, gelada, sem saber como reagir. Lembrei da minha avó dizendo que homens têm ataques de fúria se a mulher começa a discutir, a melhor coisa é sair correndo. Em segundos lembrei que carrego uma faca na bolsa, só precisaria colocar as bolsas no chão e pegar, mas o rapaz se afasta. Espero ter certeza disso e saio correndo, nem eu sei como corri tanto.


Situação 4- Contei a Romeu sobre uma  fantasia erótica e ele me chamou de '' cachorra''. Já tinha mencionado que queria ver a ''menina má'' que existia em mim. Não existe nem menina má nem cachorra, sou uma mulher igual a todas que têm suas fantasias e vontades, mas ao se expressar corremos o risco de escutar isso de um homem, que ela não passa de uma ''cachorra''.


Situação 5- Na fila do caixa de um supermercado, senti alguém passar a mão no meu bumbum. Me virei e era um senhor de idade, dei um escândalo. O gerente chegou, tentou acalmar os ânimos, o senhor negava, me chamava de doida e o gerente me lembrava que eu não podia ofender assim um ''idoso'', protegido por lei. Eu vi o idoso quase rindo quando isso foi dito e fazendo cara de anjo. O gerente me pediu para sair da fila, com medo da reação do vovô. A maluca era eu. Meu bumbum nem foi mencionado,  porque mulheres são loucas e sentem mãos estranhas no seu corpo, quando isso não acontece, faz parte do fato de ser mulher, a gente alucina em lugares públicos. Sai do supermercado sem minhas compras e com a impressão de que o gerente me queria o mais rápido possível fora de lá. Loucas ninguém quer por perto.

Situação 6- Em uma festa meu irmão me apresenta seu amigo. Ele se aproxima de mim para cumprimentar, coloca a mão na minha cintura e fica encarando minha blusa. Me afasto e ele faz cara de surpresa, parece que tratei ele como leproso, mas não acho natural alguém que você não conhece colocar a mão na tua cintura. Apesar da cultura não gosto de gente se aproximando de mim fisicamente, mas sou mulher e e ao não tolerar isso sou considerada ''maluca''.


E não contei o que já passei em transporte público, as humilhações de homens misóginos da família, os problemas familiares que caem nas minhas costas porque eu sou ''mulher'', os comentários em relação ao meu corpo, o eterno desprezo pelo fato de ''escrever'', os Romeus machistas, o acosso de diretores e atores, as lições de moral sobre meu comportamento, as críticas pelo blog....

É, feliz dia da mulher. Parece que ''temos'' muito para comemorar.


Iara De Dupont

2 comentários:

paty pimenta disse...

O MACHISMO MATA TODOS OS DIAS ISSO É VERDADE,MATA DE RAIVA,DE TÉDIO,FERE A ALMA DA MULHER ,DEIXA FERIDAS PELO CORPO E PELA ALMA,ISTO E´INCURÁVEL ,MAS COMO NOSSA SOCIEDADE MACHISTA É TÃO EGOÍSTA E PRESUNÇOSA,NÃO ESTÃO NEM AÍ PARA OS DISSABORES FEMININOS.LAMENTÁVEL.

Suzana Neves disse...

É uma bosta mesmo eu reajo bem rápido se não for fisicamente ou como olhar não gosto de gente me tocando sem autorização também.

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