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18 março 2014

Brasil: pra que negar? Todos arrastamos aquela moça na viatura..

A imagem chocante, a moça sendo arrastada pela viatura

Não deveria me surpreender com algumas coisas, mas não consigo evitar.

Morar no Brasil exige mais de mim do que eu gostaria. Às vezes penso como seria morar em um lugar onde eu pudesse sair a rua sem ficar como dizem aqui ''esperta'', nem segurar minha mochila cada vez que vejo uma situação estranha.
Me sinto como milhões de pessoas que moram aqui, de saco cheio de tanta confusão, cansada de estar afogada em impostos e saber que não existe nenhum serviço público decente.
Entendo o tédio, o cansaço, mas isso infelizmente nos levou  a um ponto de perder a identidade como país.
Não lembro ter visto nada mais chocante do que essas imagens que circulam de ''supostos bandidos'' amarrados em postes e espancados. Poucas vezes vi fotografias tão terríveis e tão distantes do que parece ser o Brasil. Imagino que existem centenas de lugares no mundo sem lei, no meio da guerra, da fome e da miséria e amarrar pessoas em postes deve ser o mais normal para eles. Mas isso acontece no Brasil, um país que não está em guerra nem no meio dos inimigos. E pessoas são amarradas em poste por cidadãos, não pelo exército do inimigo.
Não defendo bandido, apenas expresso meu horror ao ponto que chegamos, onde o Estado abandonou suas funções e as pessoas passaram por cima do fato que mesmo sem Estado ainda temos leis, não somos um país no meio do deserto esperando a guerra acabar para decidir como vai ser nosso futuro.

E ontem uma  imagem me deixou com náuseas, uma moça foi baleada no Rio de Janeiro, a viatura pegou ela  e colocou no carro, mas não reparou que a moça escorregou para fora e foi arrastada por duzentos metros. Complicado entender porque é a polícia que leva a moça, no caso o correto seria uma ambulância, já que ela tinha sido baleada, mas é o fator Brasil, a única coisa que funciona na lógica aqui é o pagamento dos impostos, o resto fica assim sem eira nem beira.
Toda a classe política, inclusive Presidente Dilma, se disseram ''chocados'' com o falecimento da moça.

Essa parte também me choca, mas a outra consegue chocar ainda mais, onde estamos? Cruzamos todos os limites éticos que um país pode cruzar, estamos tão acostumados com essa lógica de vida de Paquistão que tudo parece normal.

Um crime onde uma pessoa perde a vida por um descuido brutal da polícia teria derrubado governos inteiros em qualquer parte do mundo que tivesse suas leis estabelecidas, mas nós aqui no Brasil chegamos ao pior crime que uma nação pode cometer, o silêncio, a gente olha, fica quieto e a vida continua.

Fora os lugares de conflitos nenhum país teria acordado o mesmo depois dessa tragédia. E é tão corriqueira que a polícia do Rio de Janeiro sempre se supera, hoje não precisa mais de matos nem florestas para esconder os horrores que pratica, navegando na impunidade e contando com o silêncio de uma nação já sequestra pessoas a luz do dia e na frente de câmeras, também mostra total descaso com quem colocam a viatura.

Acontece isso porque sabem que nós brasileiros entramos na lei do silêncio. Ninguém viu nada, ninguém fala nada.
Mas um crime como esse mostra toda a nossa cara. Somos um país sem ética, sem valores, egoísta e covarde. A morte dessa moça derrubaria qualquer governador, mas aqui um pedido de desculpas resolve a situação.
Agimos como se fossemos um país invadido, tremendo diante do inimigo e nem temos a desculpa dos mexicanos, que diante das tragédias adoram jogar toda a culpa nos seus vizinhos, os maléficos americanos. Nós não temos problema com vizinhos nem com exército de estrangeiros.
Lugares pegam fogo no mundo e as pessoas reagem, aqui olhamos. Existem lugares onde a morte de uma criança leva pessoas as ruas e a mudarem leis, aqui a gente ''acha chato'' e a vida segue.

Sempre achei que brasileiro era meio  frouxo, meio fanfarrão, meio desencanado de tudo, mas nos últimos tempos vejo um desenho assustador, não somos boas pessoas. Talvez essa seja a realidade, aquela que tanto tentamos esconder dos estrangeiros detrás do sorriso malandro, não somos otários, somos uns filhos da puta indiferentes a tudo que nos rodeia.
Toda essa conversa de como somos ''coitadinhos'', vítimas de um sistema corrupto apenas esconde nossa frieza e distância de tudo.

E somos o país da malandragem, tão malandros que convencemos o mundo inteiro que somos boas pessoas, risonhas, divertidas com o coração gigante, quando na verdade não temos nenhum conhecimento de direitos nem de ética e somos capazes da maior filha da putice que um país inteiro pode cometer: o crime do silêncio diante de uma das maiores barbaridades e covardia que se podem fazer contra uma pessoa, a gente olha de longe, pensamos, ficamos quietos e perguntamos: '' Ó, sabe a Páscoa? Vai dar pra emendar o feriado?


Iara De Dupont

Um comentário:

Elisane disse...

Iara, concordo com você plenamente. Por vezes, me dizem que sou uma mulher pessimista, mas pessimismo ainda é um sentimento muito suave perto da descrença que sinto em relação ao ser humano. É cruel saber que somos iguais, olhamos com incredulidade, mas nos conformamos porque estamos muito longe(é o que achamos) desta realidade.

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