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31 março 2014

André Marques: calma porque a dor é mais embaixo...

André Marques, ante e depois da cirurgia

Hoje no SITE Globo saiu a entrevista que o apresentador André Marques deu a Ana Maria Braga no seu programa. Depois de fazer a cirurgia de redução de estômago ele voltou com o mesmo discurso de todos, que ser gordo é ruim demais e que a vida começou agora, pode comprar roupas e subir escadas, que gordos são pessoas doentes que precisam de ajuda. Essa parte de dizer ''todos os gordos'' me incomoda, porque não me sinto incluída no choro dele, se para ele estava ruim é seu direito, assim como é o meu dizer que não sofro o que ele sofria, cada um é cada um.

Não tenho nada contra essa cirurgia nem dietas, nem nada que a pessoa possa fazer para se sentir melhor e cada um tem o direito de pensar o que quiser sobre ser gordo ou não.


Minha única ressalva é que vejo essa cirurgia de redução de estômago sendo vendida como promessa de felicidade. O caminho é longo e doloroso, não é tão simples assim e não existe nenhum registro no mundo de que o corpo perfeito é a chave da felicidade. Queria só pedir ao mundo, não tratem do corpo achando que é a alma, essa mistura não existe, o corpo é o corpo, a alma é a alma. E os dois precisam de tratamentos diferentes.


Se sentir bem com o próprio corpo tem um valor enorme e muda a vida da pessoa, mas não é o fim do tormento da existência, desde os gregos o problema é o mesmo e começa com o nascimento  da pessoa, o ser humano é por natureza inquieto e com tendência a ser infeliz.


Quem me diz que o dia que perder peso será feliz sugiro que vá ler um pouco sobre filosofia, assim pode entender que essa sensação de não ser, não pertencer, não ter, persegue a todos os seres humanos desde que nascemos.


Também já  fiz isso e me dei durante trinta anos uma vida profundamente infeliz, porque estava no calendário que seria feliz apenas quando fosse magra, mas esse dia não chegava. Chegou outro, o que depois de umas semanas de dieta maluca me mandou ao hospital e tive tempo para pensar se valia a pena o que eu estava fazendo ou não. Quando sai de lá me afastei de agências de atores que me sugeriam ''emagrecer'' o tempo inteiro, cortei da minha agenda amigos que sempre me davam um toque para ''emagrecer'' e jamais voltei a atender um telefonema de Romeus que me diziam para ''emagrecer''. Fiz isso porque no hospital percebi que essa era eu, não sou magra e ponto, se um dia for é outro assunto e provavelmente ser magra tem seus desafios, assim como ser gorda tem os seus.


Depois dessa experiência encarei uma dieta lenta, bem lenta, para não alterar meu sistema, que já estava queimado depois de tantas tortura durante trinta anos.


Não tenho nada ruim para dizer as pessoas que fazem cirurgias, nem a essas celebridades, pelo contrário, vi por amigas o sofrimento que envolve o processo e desejo a todos que passam por isso que tudo dê certo, que eles consigam o corpo que querem, mas por favor, não vendam a magreza como receita de felicidade e libertação da alma, porque não é, a alma humana é complexa e merece respeito, não somos apenas um corpo, isso é ser míope em relação a humanidade. Por acaso as maiores obras de arte e descobertas científicas dependeram do peso dos seus criadores? É da balança que sai o melhor do ser humano?


É triste ver o ser humano apenas como um corpo, gordo é infeliz, magro chega ao nirvana. Eu sei que emagrecer pode ser muito bom, não vou ser hipócrita, se eu emagrecesse amanhã já teria meu lugar garantido em alguma novela, já tive diretores que me falaram isso. Mas hoje eu entendo que sou mais do que uma realização profissional, trabalhar em uma novela não é a única coisa que existe no mundo nem a única vontade da minha alma, eu sou um ser humano completo e meus sonhos e aspirações vão além disso.

E com a mão na cintura digo sinceramente, quisera eu pensar e acreditar que meu único desafio e problema no mundo é perder peso! Como fui ingênua ao pensar isso! Muitas dores que carregamos, que às vezes nos levam a engordar não somem na cirurgia, não são cortadas com bisturi.

Só queria que as pessoas entendessem que somos maiores do que o corpo físico, sonho em ver essas celebridades falando das cirurgias como um pedaço de suas vidas, uma vírgula em sua história, não o livro inteiro. Queria ver alguém assumir publicamente que é humano e isso inclui dor e não tem nada a ver com o peso, é a dor de ser, de sentir, se querer ser amado e não ser, a dúvida, a vida, a morte, tantas coisas e nenhuma delas é o peso!


Chegar em um programa de televisão mais magro, depois de um tratamento pago pela emissora eu também posso fazer, quero ver é chegar lá e abrir o jogo sobre o que sente, sobre suas dúvidas existenciais, sobre o choro na almofada, sobre as dores que carrega, quero ver isso, mas perder peso é bem mais simples.


Vejo amigas que fizeram a cirurgia de redução e não é tudo tão rápido nem fofo, conflitos e dores emocionais aparecem, tudo o que o ser humano carrega está ali.


Acho ótimo que emagreçam, só gostaria que o mundo entendesse que a infelicidade humana nunca esteve na balança, é a apenas nossa incapacidade de lidar com o nosso sofrimento que nos faz tão miseráveis e isso nenhuma cirurgia pode mudar. Só existe no mundo cirurgia de redução de qualquer parte do corpo humano, mas nada que reduza o sofrimento da alma humana.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu não tenho muitas palavras para comentar esse post,é perfeito,só não vou copier e guarder comigo porque não esquecerei de uma só palavra.
Obrigada.
Anna

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