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27 fevereiro 2014

Vinicius Romão: um país sem justiça ( isso que dá perdoar)

O ator Vinicius Romão

A Inglaterra é conhecida por ter um número baixo de crimes sem solução. Com um sistema bem desenhado a margem de erros é pequena, apesar daquele episódio grotesco e imperdoável envolvendo o brasileiro Jean Charles que foi morto pela polícia de lá apenas porque confundiram ele com um terrorista.

E não é de hoje que os ingleses perceberam uma grande falha no sistema, vítimas de grandes traumas, como estupros ou assaltos violentos mostram uma dificuldade maior em reconhecer o agressor. Existe um número alto de erros, mas isso acontece porque as vítimas não tem condição devido ao trauma de entrar em uma sala e ir reconhecendo, precisam de tempo e ajuda psicológica, até porque o cérebro tem sua maneira de confundir todo mundo.

Isso pode acontecer com qualquer um. Eu sofri um assalto com uma pessoa que estava de capuz, não sei se poderia reconhecer, mas fico gelada quando vejo alguém usando essa roupa.

Fica difícil entender algumas coisas, às vezes no trauma as pessoas não conseguem reconhecer ou se confundem, ao mesmo o tempo  nenhum país parece preparado para lidar com as vítimas e entender que o reconhecimento é um processo lento, não imediato, eu soube de gente que no hospital recebeu uma visita não oficial do delegado carregando fotos de criminosos, como se isso fosse possível, a pessoa na cama, arrebentada e tentando reconhecer rapidamente quem fez aquilo.

É um número alto de pessoas que se confundem, mas também muitas pessoas conseguem superar o trauma e reconhecer o bandido, graças a isso muitos pagaram pelos seus crimes.

Mas no Brasil tudo foge à regra, tudo parece virado e sem sentido. Um ator da Globo, Vinicius Romão de Souza, foi confundido por uma senhora que tinha sido assaltada na rua, ela diz que ''reconheceu '' ele depois do assalto.

A história pode parecer comum, ora, quem não tem direito de se confundir? Eu estou no auge da minha juventude e já me aproximei de um rapaz no parque, quase pulando nele, apenas porque jurei que era meu irmão, usava até a roupa parecida.

Infelizmente a história do ator esbarra em outro nervo, ele é negro e isso levanta aquela questão do racismo, então qualquer negro é suspeito?

A confusão dela não foi mais longe porque ele teve como se defender, fosse alguém sem recursos ou um pai para lutar, o rapaz estaria até hoje preso e provavelmente morreria apanhando na cadeia. Mesmo assim o ator passou dezesseis dias na cadeia, o que é um tempo recorde para alguém que nem tinha os objetos roubados na mão, caso tivesse roubado.

Isso mostra a lentidão do sistema e como todos devem ser mais cuidadosos ao sair ''reconhecendo'' as pessoas.

O ator já saiu da cadeia e disse que PERDOA a mulher, que no pânico de levar um processo pediu o perdão e destilou seu rosário de explicações que incluem até dizer que estava sem óculos, por isso errou ao reconhecer o rapaz. Ora, mas não podia ter pensado nisso antes? Se ele não fosse quem é, ela teria mudado uma vida para sempre.

Tudo isso é deprimente porque traz à tona todas as fragilidades deste país, o racismo, o lei lenta e a essa capacidade que os brasileiros têm de não assumir seus erros, ela errou e ponto, deveria sim ser processada, até porque a ficha dele poderia ter ficado suja por um erro alheio.

Não sou a favor de tolerância quando encostam em você,  a mulher poderia ter acabado com a vida do rapaz, não vejo porque não processar. Vão dizer que seria injusto processar porque a mulher é pobre, mas ela não pensou no rapaz quando se confundiu.

Se somos órfãos de Estado pelo menos deveríamos ir com mais cuidado e menos sede ao pote, sabemos que um erro nosso pode prejudicar uma vida, então temos que andar devagar.

A posição dele de perdoar e não continuar o assunto deve ter seus motivos, respeito isso apesar de acreditar que tem horas que somos obrigados a reagir e finalmente dezesseis dias em uma cadeia para um inocente não é a mesma coisa que um fim de semana na praia. E  não é só a mulher que deveria ser processada, mas o Estado também, porque passaram em cima dos direitos deles, o rapaz ficou duas semanas na cadeia por ser acusado de roubar dez reais, já vi casos na televisão de pessoas que matam os pais e conseguem sair da cadeia no mesmo dia que são levados para lá.
Ah, mas ela apenas se confundiu, sim, é verdade, mas nós brasileiros estamos sozinhos e somos muito fofos, tudo bem que nossas leis são fracas e o sistema é lento, mas também queremos resolver tudo no perdão e no ''deixa disso'', esse parece ser o grande motivo da nossa desgraça. Somos nós que temos que reagir e nos levantar, não adianta nada tanta fofura e perdoar tudo o que acontece, um ato de racismo não é a mesma coisa que tropeçar em alguém e não pedir desculpas, estamos sendo babacas em relação aos nossos direitos e nossa liberdade.

Perdoar é meigo, mas estamos diante de uma justiça racista, elitista e fraca, extremamente dura na hora de agir contra quem não pode se defender e mole com quem pode bancar sua liberdade. E parece que não crescemos, ficamos como crianças ali, qualquer coisa a gente perdoa. E digo mais, nenhum negro deveria aceitar um pedido de '' perdão'', o país tem uma dívida moral histórica com eles e não deveriam em pleno século XXI aceitar qualquer pedido de ''perdão'', deveriam ir até as últimas consequências e lutar pelos seus direitos, porque isso não vai sair da mão do opressor, um país racista e abusivo de um lado e do outro negros ''perdoando'' atos de racismo faz com que a gente fique na mesma e não saia do lugar. Tem que brigar mesmo com o sistema, processar o Estado, não deixar barato nenhum ato de racismo, isso tem que custar a pessoa que fez, porque é fácil apontar para o rosto de alguém na rua e depois que percebe o erro sai pedindo ''perdão''. O racismo não perdoa um negro, então por que eles perdoam?

Ah, doce demais isso, mas um país se faz com justiça e leis, e só viramos um dos países mais racistas do mundo por isso, porque estamos ''perdoando demais'', em vez de colocar as cartas na mesa e lutar pelos direitos, doa a quem doer. E sem perdão.

Iara De Dupont




4 comentários:

Vanda Munsueth disse...

As pessoas tem que ser responsabilizadas pelos seus atos, se errou, então assuma, essa sra deveria ser processada sim, assumir a inconsequência da sua falsa acusação. O ator pode até ser bonzinho com ela e dizer "sinto muito", mas jamais deveria perdoar, se ele não fosse quem é ia apodrecer na cadeia!

Vanda Munsueth disse...

As pessoas tem que ser responsabilizadas pelos seus atos, se errou, então assuma, essa sra deveria ser processada sim, assumir a inconsequência da sua falsa acusação. O ator pode até ser bonzinho com ela e dizer "sinto muito", mas jamais deveria perdoar, se ele não fosse quem é ia apodrecer na cadeia!

C.Belo disse...

Eu acho que a mulher errou, sim, mas o erro maior foi mesmo da polícia, claro! Eles que deveriam ser bem treinados para lidar com uma situação dessa, eles é que deveriam saber proceder, ainda que a mulher tenha afirmado que ele a roubou, sem provas conclusivas ele jamais poderia simplesmente ter sido preso. Ela é vítima nesta história, ela foi roubada, deve ter ficado desesperada por perder o pouco que tinha (que pra ela deve ser muito) e, na ânsia de recuperar, se confundiu. A polícia, enfim, o Estado é que deve ser processado.

Então como é isso? Se eu decidir me vingar de alguém que me fez mal eu posso simplesmente dizer que fui roubada e apontar pra essa pessoa e fazê-la ficar presa? Ah, se essa moda pega...

Anônimo disse...

Eu perdoaria,processaria e exigiria retratacao piblica,que ela reconhecesse que agiu movida pelo racismo e nao so pelo trauma. Perdoar nao é ser injusto,perdoar e não remoer o sentimento de magoa que só faz mal,e se livrar ou ao menos tentar dos sentimentos de vingança. Não é porque perdoei que vou deixar a injustice rolar solta. Não sei quando os negros vão se colocar no lugar deles,exigindo repeito e dignidade,gritando ou seja la como for,mas que tem que se mexer tem,baixar a cebeça e achar normal é que não dá.
Anna

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