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15 fevereiro 2014

Queria poder amar em silêncio


Eu estava em uma peça  de teatro quando entrou um ator novo. Deve ter sido algum mel que passaram nele, mas eu lembro que todas as atrizes e o diretor surtaram com ele e hoje lembrando bem não tinha nada nele fora do comum, pelo contrário, era um garoto meio sem graça.

Fiquei apaixonada por ele. E não escondi, tanto que dias depois ele começou a me perguntar se eu queria uma carona e comecei a sair com ele. Não sabia, mas ele estava saindo com várias do mesmo grupo.


Um dia cheguei em um ensaio e ele estava de gracinha com outra, fui e disse um monte para ele, nessa hora uma atriz que não era minha amiga me puxou para um canto e me disse que ali não era lugar disso. No fim do ensaio sai com ele e falei de novo um monte, ele disse que só tinha ficado comigo e ponto. Fiquei com muita raiva, me senti um idiota, mas eu ainda gostava, então dava um jeito de estar perto dele nos ensaios e coisas assim, até que o diretor um dia me deu uma bronca na frente de todo mundo, dizendo que eu estava levando questões pessoais para o trabalho. Aí que eu quase surtei de ódio, mas fiquei na minha.


Dias depois marcamos um ensaio na casa de uma atriz e eu fui com a atriz que tinha me puxado para um canto, Carina. 

Eu não gostava dela, tinha aparência e passado de modelo e sempre tive preconceito com essas meninas que fazem uma peça e se acham atrizes. Mas estávamos lá no ensaio quando esse ator sumiu com outra atriz, fiquei eu e a Carina na sala olhando uma para a cara da outra. Ela começou a rir e sugeriu que trabalhássemos nossa parte. Não disse nada, mas voltei com Carina no carro dela e surtei de novo, contei tudo para ela, falei mal dele, me sentia estúpida em um grupo que todos sabia que ele pegava a mulherada. Ela escutou e não disse nada.

Finalmente esse ator acabou namorando com uma atriz do grupo, virou namoro sério e ficou por isso mesmo. Durante o tempo que trabalhamos juntos eu evitei falar com ele, estava magoada ainda.


Continuei no grupo e ele saiu, por outro trabalho, mas fiquei muito amiga da Carina, que virou uma irmã.


Muitos anos se passaram e uma noite louca, eu estava em uma festa com Carina, quando esse ator entrou. Eu fingi que não conhecia e ele passou reto. No meio da madrugada, antes de ir embora ele veio falar comigo e antes dele acabar Carina que já estava de porre entrou no meio da conversa e falou um monte para ele, disse que todo o tempo esteve apaixonada por ele e o bobão nunca percebeu, enfim, ela lavou a alma. Não sei se foi a energia e o ódio de duas mulheres, mas ao sair ele escorregou nas escadas e uma ambulância foi chamada. Ele não morreu, só machucou um pouco.


E esse nem era o ponto na história, o que me surpreendeu foi Carina ter escondido o amor que sentia, que ao contrário de mim que era paixão, ela nunca disse nada, tanto que no dia que ela resolveu dizer tudo ele pensou que ela me defendia e não percebeu que estava falando dela.


Fiquei chocada, sempre digo isso a ela. Com o passar dos anos só sei que está apaixonada porque ela me avisa, caso contrário parece uma estátua, uma esfinge, não diz nada. Sempre tive uma certa inveja desse comportamento elegante e básico, ao contrário do meu que sou de chutar o balde, de berrar, de gritar, de chorar, quando eu gosto vou lá e aviso, minha amiga sai dos rolos com dignidade, eu não, acabo na mão de um Romeu qualquer, que sabe que gosto e vai lá e se aproveita.


Queria ser sábia e viver o amor em silêncio, se é uma emoção minha, então que fique comigo, não existe motivo nenhum para sair surtando, mas ainda não consegui fazer isso, sou barulhenta. E não tem nada de errado nisso, se o Romeu gosta de você, mas se não gosta você fica parecendo um palhaço perdido.


Já passei tanta vergonha e ainda passo por ser assim. Queria apenas poder fechar os olhos e amar, sem dizer nada, sem me expor, sem levar foras nem ficar com vergonha depois das coisas que fiz ou falei.


Meu único consolo é que meu barulho tem data de validade, se vejo que a coisa não deu certo eu saio em silêncio e nunca mais apareço na frente da pessoa. Alguma coisa em silêncio eu sei fazer.




Iara De Dupont

Um comentário:

C.Belo disse...

Iara, eu sou o oposto de vc neste aspecto, sou como sua amiga; sou silenciosa. Mas olha, isso não é necessariamente melhor, não! Eu posso dizer por mim que isso já me fez perder muitas oportunidades e não apenas de me relacionar com alguém romanticamente, mas tb de fazer amizades. Talvez por eu ter sofrido sérios ataques de bullying na infância, eu desenvolvi um mecanismo de defesa que acaba por me "defender" tb de criar laços com as pessoas; exemplo, o fato de eu estar aqui, te elogiando, dizendo coisas boas que eu penso sobre vc e seu blog e expondo meus pontos de vista e experiências se dá pq estamos falando virtualmente, cara a cara sou outra coisa!!! Esse mecanismo funciona assim: eu parto do pressuposto que a pessoa não está interessada em mim, portanto, se eu expressar o que sinto serei ridicularizada e sairei perdendo.

Mas quer saber? Eu saí perdendo de qualquer jeito! Passaram tantas pessoas legais pela minha vida as quais eu não soube cativar para que continuassem nela...hoje em dia meus amigos sãos os mesmos dos tempos de escola (e uma apenas da faculdade) e conto nos dedos de UMA mão (e ainda sobram dedos, tá?) quantos são. Inclusive sou casada com um deles.

Assim, pra concluir, não se deixe enganar pelo velho pensamento de que a grama do vizinho é mais verde; qualquer escolha que fazemos implica em ganhos e perdas, cabe a nós saber o que nos importa menos perder.

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