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18 fevereiro 2014

Quando o tesão acaba (o meu)


Alguns assuntos ainda parecem que saem mais fácil da boca de um homem do que de uma mulher. É a mesma questão, mulheres são educadas para não se expressarem, principalmente se o assunto for sexo.


Em uma roda de amigos um comentou sobre sua separação, o discurso é igual a milhões, um casal jovem, bonito, que se separa porque viraram ''irmãos''. O meu amigo não teve nenhum pudor em dizer que tinha ''perdido o tesão''. Na cabeça limitada dele ajudou o fato da mulher ter virado mãe, homens mais pequenos sofrem demais com esse processo. Logo outro amigo defendeu, disse que entendia a separação, ele ama a sua mulher, mas reconhece que fazer sexo com a mesma pessoa ''enjoa''. As mulheres da mesa não falaram nada, inclusive eu. Não tenho experiência em relacionamentos longos e como mulher fui educada para 

''tolerar'' o mesmo parceiro, nunca fui incentivada a procurar saber quem eu era sexualmente e trocar de parceiros, pelo contrário, os aplausos que eu e minhas amigas recebemos é quando as pessoas ficam sabendo que o relacionamento é longo.

Fiquei pensando em relação ao tesão, quando um casal perde ele, já escutei muito isso de homens, mulheres são mais discretas e jamais escutei de nenhuma amiga a frase- A relação acabou porque perdi o tesão nele, no corpo dele, no fato dele ser pai.


Nunca toquei nesse assunto, mas não é de hoje que sei disso, alguma coisa aconteceu, não sei se sou a única ou é uma disfunção cerebral, mas eu nunca tive isso de perder o ''tesão '' pelo corpo da pessoa. O que acontece comigo e é bem seguido, é que eu perco o tesão pelo o que a pessoa faz ou diz. Não sei porque sou assim, não tenho orgulho, mas de repente um dia eu acordo e o Romeu que antes era uma graça, perde o sentido. Já me disseram que isso não é tesão, é o amor que acaba, mas eu sou uma pessoa que tenho tesão pelo o que o outro pensa, por algum motivo estranho meus impulsos estão mais ligados a questão intelectual do que física.


Eu tinha um namorado que sabia tudo de cinema, eu adorava escutar ele, até porque também amo cinema. Um dia eu estava na casa dele, deitada no sofá e chegou uma encomenda de filmes que ele tinha feito. Ele surtou e começou a falar de um por um dos filmes. Lembro que coloquei a almofada na cabeça e pensei- Porra, que saco!

Perdi naquele momento o tesão, mesmo assim ainda achava ele lindo e delicioso, mas não queria mais escutar suas chatices de cinema, do nada o que ele dizia não me interessava mais, podia ser de cinema, podia ser sobre o pão, tudo ali tinha chegado ao fim.

Isso me causou muito sofrimento, eu não sabia o que fazer quando sentia desse jeito e nunca consegui consertar.


Uma vez me disseram que eu pensava como homem, por isso me irritava tanto ao agir assim. Mas sou mais mental do que física, penso mais do que faço e não tenho culpa que todos meus centros de interesse em alguém estão na mente de uma maneira tão concentrada.


Meu tesão em homem é estar ali conversando, escutando, dialogando, às vezes discutindo, essa parte me diverte horrores, apesar de parecer meio doentia. Claro que se ele for cheiroso e souber beijar bem, então eu fecho nele na hora, não resisto.


Tive péssimos namorados, abusivos, loucos, viciados, mas todos eram imbatíveis na conversa, um era mais culto e inteligente do que o anterior. De tudo que vivi só lamento não ter contato com alguns para poder conversar de novo, porque era uma coisa que eu adorava. Meus amigos seguem o mesmo padrão, tem que ser bom de conversa, eu adoro uma, principalmente aquelas sem pretensão.


Por isso fico tão triste quando sinto essa sensação em relação a alguém, esse momento que coloco a almofada no rosto enquanto a pessoa fala e penso- Porra, que saco ouvir isso!

Sinto o gelo descendo pelo meu sangue. É o último aviso, o meu tesão acabou.


Iara De Dupont





Um comentário:

Anônimo disse...

É isso mesmo Iara,a maior parte de qualquer relacionamento passamos nos relacionando,ninguem transa todo dia e ainda que transe não demora tanto,alem do mais tesão se recupera,mas quando perdemos o interesse pela pessoa aí sim já era. O jeito é se reinventar e se redescobrir.
Anna

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