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09 fevereiro 2014

Os nervos mudaram de lugar


Durante três anos trabalhei em uma emissora de notícias. Não sei porque, mas me colocaram para correr atrás de toda a questão esotérica. Conheci metade da cidade e a maioria de xamãs, bruxos, cartomantes e todo mundo que procurava respostas espirituais.

Muita coisa que me disseram eu não entendi, mas guardei a informação e hoje parece que muita coisa faz sentido.

Uma vez entrevistei uma senhora que tinha uma loja de velas, um dos lugares mais incríveis que já conheci na vida. Eu estava lá, apaixonada por todas as velas e conversando disse a ela- Sempre vou amar velas!

Ela se virou e me disse- É bom ter uma certeza na vida, mas lembre disso porque você vai mudar de idéias, estamos em 2002, em plena mudança, você nunca mais vai ser como um dia foi.

Essas pessoas que vivem a energia e trabalham com coisas esotéricas sempre falam em código, difícil de entender muitas vezes, mas aquele dia eu perguntei o que ela queria dizer e de um jeito seco ela respondeu:
- Querida, o mundo está mudando, novas questões vão aparecer e todos teus nervos mudarão de lugar e você vai decidir onde colocar as coisas depois que elas forem tiradas e mudadas de dentro de você.

Essa conversa tem voltado a minha mente nos últimos tempos, porque comecei um processo estranho que nunca entendi, minha mãe diz que é velhice mesmo, a gente envelhece e muda, mas eu sinto que é mais interno. De repente e sem prévio aviso coisas que me interessam perdem o valor e situações que me deixavam chateada passam batido hoje. Mas ao mesmo tempo coisas que nunca me doeram começaram a doer, passei por algumas coisas que talvez meses atrás eu daria risada e agora me fazem cair na cama e chorar como criança.

Centenas de sites esotéricos tentam explicar o que vem acontecendo, mas as explicações são etéreas, difíceis de concretizar. Cada um diz uma coisa, numerólogos dizem que é a numeração do ano, astrólogos dizem que são os planetas, mas todos concordam em uma coisa, tudo está mudando e essa mudança começou dentro do ser humano e cada dia as coisas se mexem mais do que temos a capacidade de lidar.

Encontrei minha vizinha que estava arrasada pelo fim do namoro, me garantiu que não estava tão apaixonada assim, não sabia me explicar da onde vinha tanta dor. Mas os nervos mudaram de lugar, o que um dia machucou hoje não faz diferença e o que antes era neutro hoje machuca. Perdemos o reconhecimento que levamos anos para conhecer, os lugares onde sabíamos que ia doer, onde estavam os nervos, agora eles mudaram e só sabemos de sua existência depois que sentimos a dor, não temos mais como nos proteger por antecipação porque nem temos mais ideia do que nos machuca e do que não machuca mais.

Diante de tantas mudanças as pessoas se assustam, porque nem elas podem explicar suas mudanças de atitudes, eu nunca vi tanta gente sofrendo por coisas que nem eles sabem o que é. Até pela mudança de sentimentos muita gente está perdida nas relações, porque cada hora quer uma coisa.

Procurei alguma resposta e a única que encontrei mais perto do meu entendimento é que a melhor coisa é encarar essas mudanças do mesmo jeito que uma criança faria, na maior alegria e curiosidade, acordando na mesma frequência que uma criança acorda, um dia ela diz que é bombeiro, no dia seguinte um super- herói e assim  vai vivendo. Me recomendaram olhar no espelho  todos os dias e me perguntar quem eu sou naquele momento, como se ontem nunca tivesse existido e o amanhã fosse uma possibilidade remota. Abrir o pensamento e se permitir ser o que nunca se foi e jamais tinha vindo a mente. Essa pessoa me disse para manter o pensamento sempre no ponto de interrogação, como aquele dia que a gente entra em uma sorveteria, tem anos entrando ali e pedindo sorvete de chocolate, então por algum motivo temos vontade de experimentar o de menta, por que não? Vamos comer o de menta, porque ontem eu amava chocolate, mas hoje talvez eu me apaixone pelo de menta e amanhã seja a vez do abacaxi.

Um jeito de passar por tantas mudanças sem tanta dor é abandonar a ideia do que pensamos ser, é largar todas as certezas e todas as coisas que acreditamos amar até a morte.

De carne e osso nos transformamos em seres de gelatina, que tem que se adaptar a um mundo que muda sem prévio aviso e de nervos que caminham por outros lugares que nem sabíamos que existiam. Tudo está mudando e vai continuar assim, somos nós que temos que largar a ideia que carregávamos sobre quem éramos, não é o mundo que vai se adaptar ao nosso espanto. Não vamos mais ter como segurar a corda das nossas ideias, agora tudo vai mudar e soltar o que somos é a única coisa que vai nos permitir fazer uma transição menos dolorosa. E para onde vamos? Não sei, não tenho a menor ideia, talvez nem vamos, já estamos indo.

Iara De Dupont


Um comentário:

Anônimo disse...

Eu acho que nós é que mudamos e muito e cada vez mais rapido. Muitas vezes achamos que as pessoas e mundo mudaram,pode até ser,mas nossa visão do mundo e das pessoas eu sei que muda,a cada 5 anos pensamos diferente,vemos as coisas com mais clareza,ver as coisas como são traz liberdade e muitas vezes dor.

Anna

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