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22 fevereiro 2014

O efeito Lola ( o amor é agora)


Na segunda-feira passada publiquei um guest post no blog da Lola, sobre estrias e meus traumas em relação a isso.


E ontem recebi um e-mail estranho ou pelo menos me pareceu assim. Era de um antigo paquera, nem chegou a ser um Romeu, saímos algumas vezes, mas naquele jogo estranho da vida eu não sei dizer o que ali não deu certo. Foi um e-mail delicado, onde ele dizia que naquelas coincidências da vida, a sua namorada é leitora assídua da Lola, leu o post  e acabou comentando alguma coisa, ele foi dar uma olhada e percebeu que era meu. E dizia que apenas mandava o e-mail porque se sentia na necessidade de dizer que não lembrava de nenhuma estria e que 

''você é linda e estou sendo sincero, acredite nisso''.

Não deve lembrar de nenhuma estria porque eu nunca deixei a luz acesa, mas de qualquer modo agradeço a gentileza de mandar o e-mail, sempre faz bem receber uma mensagem assim de alguém que te viu mais ou menos nua.


O que me deixou desconfortável foi o fato de me perguntar, por que naqueles dias não disse nada? Porque eu entrei em uma rota de privilégios, ele ficou sabendo de uma coisa que me machuca porque leu a respeito dela, mas e se não tivesse lido? Será  que todas as mulheres do mundo vão precisar abrir um blog para dizer o que magoa ou não e então vão receber mensagens de consolo e empatia?


Minha sensação é que a vida é agora, não adianta ler um post cinco anos depois e avisar a garota que achava ela linda e não parecia ter estrias. Ele nunca teria como adivinhar que eu tinha trauma com minhas estrias, mas podia ter me dito que me achava linda, isso teria ajudado.


E por que não fez isso? Não sei, às vezes penso que somos todos idiotas e agimos como cretinos, dominados por uma convenção social, se a gente falar para alguém que a pessoa é bonita ela pode ficar ''metida'', se a gente quiser conversar com um ex-namorado é porque '' queremos voltar''. Não fica espaço para ser espontâneo e se deixar levar pelos sentimentos, estamos tão presos a ideia de respeitar o espaço do outro que se ele dá um passo pra trás a gente recua na hora, não vai dizer nada para não ''pagar de chorona implorando amor''.


E lembro de uma discussão estúpida que tive uma vez com umas amigas. Estávamos no carro de uma delas, quando a gente resolveu ir a um lugar que ninguém lembrava o nome nem o endereço. Uma delas na hora disse que ia ligar para o ex-namorado e perguntar, porque ele era sócio do lugar, mas todo mundo pulou no carro, inclusive eu. Imagina, se ela ligasse ia ''pagar'' de ex que quer voltar, louca de amor, ia parecer que estava rastejando. Ela não quis nem saber e disse que eles ainda não eram amigos, mas também não tinham chegado nesse ponto de ''nunca mais se falar''. Ela ligou e todas nós no carro fechamos a cara, achamos um absurdo, outra amiga começou a chamar ela de ''lesma'' por estar rastejando, mas ela parecia bem resolvida, ele atendeu o telefone e deu o endereço.


Na hora fui a primeira em descartar a ideia de ir, se a gente fosse o cara ia pensar que a minha amiga estava perseguindo ele, cercando no lugar de trabalho.


Mas ela bateu o pé e lá fomos. Chegando lá no restaurante, era uma coisa assim, ele saiu e veio cumprimentar todas nós, eu não conheci o lugar e ele me mostrou tudo, inclusive sua atual namorada.


Passamos a noite toda encarando minha amiga, perguntando se ela estava nos usando para estar ali perto dele e ela parecia não se importar. No fim cansada de tanto cri-cri na orelha disse:

-Gente, eu namorei esse cara cinco anos, dormi com ele todos os dias, não somos amigos ainda, mas estamos bem, não preciso criar clima, não penso em voltar com ele, mas ele não é um leproso, vocês só pensam merda por isso não são amigas de nenhum ex! Ficam aí se revirando pensando no que ele vai pensar! Aff, quando as coisas rolam bem ninguém pensa nada, a gente leva na boa.

Eu fui uma das que não me conformei, para mim estar ali quebrava todas minhas regras de fim de namoro. Mas entendo ela, tinha razão, não havia motivo nenhum para manter um clima ruim e muito menos para se deixar levar por essa convenção social de que falar com ex-namorado é a mesma coisa que rastejar por seu amor.


Todas as palavras e atitudes boas quando não são ditas ou feitas se perdem no tempo e depois não adianta dizer nada, sai sobrando. Eu achei lindo o e-mail, agradeço de coração, mas o dito teria feito mais sentido e teria tido mais peso se tivesse sido falado no momento que estávamos juntos, ali, não depois de cinco anos. Agora que eu recebo esse e-mail, eu não sou amiga dele, nem sei onde está, mas naquela época eu saia com ele, essa é a diferença, uma coisa é uma coisa dita por alguém que te conheceu, outra é dita por alguém que divide a cama com você.


O que for acontece agora, deve ser dito já. Também me perco nisso, sou daquelas que gostava de resolver tudo na hora, mas isso dava tanta merda que mudei, agora deixo esfriar, não me meto mais no meio do fogo e nem tenho palavras para explicar o quanto o método de '' esfriar'' é pouco produtivo. Tão ruim que me desencontrei de um grande amor por isso, resolvi  ficar na minha e não procurar, ele ficou inseguro e também ficou quieto. Quando eu resolvi conversar com ele e mandei um e-mail ele me respondeu dizendo que tinha deixado o país dois dias antes de receber meu e-mail, eu sabia que ele estava de mudança, mas ele ao ver o fim do namoro resolveu antecipar tudo e eu perdi  a chance de ver ele de novo e conversar.


Amor, amizade, paixão, tesão, qualquer sentimento bom tem urgência de existir, de ser verbalizado, não adianta dar 

''tempos'', mandar e-mail cinco anos depois, ligar meses ou anos depois, tudo isso perde o sentido porque o coração sempre tem pressa de sentir. Ah, mas quando o amor é verdadeiro, o tempo não importa. Concordo com isso, mas me pergunto, quantos amores são verdadeiros  nesta vida? A maioria de nós vai viver poucas vezes esse amor fora do normal, o resto são sensações boas e se congelamos elas, o que sobra?

O tempo é agora, os amores são já e a palavras estão no ar esperando serem ditas. O tempo é bom para marcar no relógio, mas na alma ele não faz nenhum efeito, não existe. Se tiver que falar alguma coisa fale agora. Cinco anos depois o efeito não é o mesmo.



Iara De Dupont

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