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21 fevereiro 2014

O dia que entendi um fora que levei


Tem gente que eu lamento ter perdido o contato, principalmente depois que percebo que entendi o que queriam me dizer.

É estranha essa sensação de finalmente entender o que foi dito, parece que mistura sensação de liberdade com a frustração de não ter percebido como aquilo ali era simples.

Namorei um cara que quando terminou comigo usou todo seu repertório de desculpas, eu apertei um pouco e ele acrescentou uma que me deixou chocada, disse que era carnívoro e tinha preguiça de imaginar que o namoro ia continuar, porque até aquele ponto eu não tinha dito nada, mas ele imaginou que um dia eu ia começar a me meter com sua alimentação e ia encher o saco dele. Fiz uma coisa que não faria nunca mais, eu argumentei, demorei em perceber que aquilo ali era um fora e disse que ''supor'' que eu iria perturbar pela carne que comesse era um pouco demais. E ele disse - Olha, o que não falta em namoro é discussão, quero apenas evitar algumas e comer carne vai ser uma, então prefiro nem continuar.

Sai da casa dele, chorei, fiquei mal e nunca entendi  o que foi dito, até hoje.

Conheci um vegetariano extremista e radical. E já no começo senti essa energia da discussão. Eu sou vegetariana há décadas, comecei por ser contra a maneira como os animais são tratados, mas para mim sempre foi um processo fácil porque eu sou alérgica a qualquer tipo de peixe, não gosto do sabor de frango e não me faz bem comer carne vermelha e carne de porco sempre me deu nojo, tudo isso desde pequena, sempre fui cheia de frescura para comer. Na hora de virar vegetariana e também largar ovos e leite, foi um processo simples.

Mas cometi muitos erros de alimentação, até porque não gosto de brócolis e alguns vegetais importantes. Mesmo assim, apesar de alguns conselhos, nunca consegui voltar a carne nem ao frango. Mas gosto de queijo, apesar de evitar.

Passei um tempo fora do Brasil e quando voltei descobri alguns gostos da infância, que incluíam um pastel de carne, salgadinho de festa infantil e pão de queijo. Não como nada disso com frequência porque engorda, a gordura me faz mal e eu não vou a lugares que tenham essa comida. Mesmo assim a vontade de vez em quando aparece e agora entendo meu ex-namorado, não quero ser vigiada nem controlada por uma pessoa próxima. Se amanhã tudo isso sumir do mundo eu não morro, mas não quero estar sempre com alguém no meu pé por isso.

Tenho vivido muito tempo de uma maneira rígida e pouco espontânea, sempre controlando o que como e com namorados me enchendo o saco para não engordar. Não consigo me imaginar com um vegetariano radical que um dia me dá aquele loucura por um pastel de carne e o assunto vira briga.

Em um grupo que estava de vegetarianos todos concluíram que eu não era vegetariana, porque era capaz de comer uma coxinha em uma festa infantil, me trataram como leprosa e eu da minha parte também condeno o comportamento deles, acho certo ser vegetariano, mas qualquer radicalismo hoje é apenas o outro lado do discurso que condenamos.

Mas entendo meu ex-namorado, discussões saem pelos poros durante um relacionamento, que preguiça que dá já entrar em uma situação que você sabe que vai dar merda. Como a carne vermelha me faz mal eu posso passar anos sem ter vontade de comer um pastel, mas que preguiça me dá pensar que posso acordar com uma vontade que vai fazer  o outro lado se irritar e arder Troia.

É nesse momento que você deixa de ser você, vai se limitando para agradar ao outro, se segurando e nem precisou demorar muito no relacionamento, já entra se controlando para evitar uma briga.

Não tem nada melhor do que ser você mesma e se isso pode ser ou não comer o que tem vontade, então que seja.

Relacionamentos tem sua parte chata e discussões são uma dessas partes. Eu não tenho nada contra discutir, mas não curto fazer isso por bobagens e mais ainda besteiras que já estavam escritas na pedra.

É a vantagem da idade, a gente vai filtrando as amizades e os amores, começamos a cortar coisas que são arrastadas e lentas, que já não nos identificamos.

E nem vou dar uma de gostosa, quem me deu fora foi o vegetariano radical, foi mais rápido do que eu e percebeu que não daria certo sair com alguém que tem a coragem de talvez comer um pastel de carne por ano, só isso mostrou a ele que eu sou o pior ser humano que poderia ter atravessado seu caminho.

Mas depois de um tempo sou obrigada a dizer que seu fora tinha razão, já existem suficientes coisas para um casal acertar, imagina discutir por um pastel. Tudo que puder ser evitado em uma  briga vale a pena, eu mesma corro de homens fumantes, porque me irrita o cheiro, não teria sentido começar a namorar um deles.

Não acredito em casais que já chegam na harmonia, ninguém conhece o outro para chegar na perfeição, mas se algumas coisas podem ser contornadas é melhor mesmo não arriscar e se machucar à toa.

No fim da história tudo deu certo, entendi finalmente o que meu ex-namorado queria me dizer, o vegetariano radical com certeza vai achar alguém igual a ele e eu sou mais feliz do que era ontem, porque escapei de ter outro homem pegando no pé. Deus que me livre, chega disso, eu quero ser feliz e isso inclui alguém que me aceite e entenda, com ou sem pastel.

Iara De Dupont

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