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22 fevereiro 2014

O abismo entre quem sou e quem eu tento ser


No começo quis me adaptar ao mundo para ser igual a todos. Escutei durante anos sobre meu jeito ''intenso'' de viver e fiz o que pude para ir dando uma contornada.

Mas não deu em nada, então resolvi mudar um pouco para deixar de sofrer tanto, finalmente se eu sou a que sinto tanto, sou a que sofro e isso me cansou.

Do meu passado e das coisas que eu ''senti'' demais nem sempre eu lembro. Mas do momento em que resolvi mudar e dizer foda-se, lembro muito, porque começou um jogo de erros que me persegue até hoje e correntes que arrasto apenas por não ter resolvido uma situação.


Uma delas foi quando minha avó morava na casa do meu primo. Eu nunca me dei bem com ele, mas ele era hipócrita e sempre me cumprimentava, eu levava na boa, evita o confronto. Em algum rolo de umas tias apareceu uma fofoca pesada sobre ele e resolveram dizer que eu tinha dito aquilo.


No meu ''eu'' anterior, teria ido lá e colocado as cartas na mesa, eu não disse nada então que provassem, teria feito o que fazia sempre e a família da minha mãe odiava, teria peitado quem inventou a mentira e isso geraria uma discussão terrível que sempre acabava com a seguinte frase deles "A Iara é impossível e mal educada''. Mas eu já queria ser uma adulta e me comportar como uma, então apenas pensei  ''foda-se''. Eu sabia que não tinha feito a fofoca e não via motivo para explodir à toa, porque eu queria agir como ''mulher''.


Ele reagiu a fofoca e mandou dizer que eu estava proibida de ir a sua casa, onde minha avó morava. Em outros tempos eu teria ido lá, a avó era minha e eu tinha o direito de visitar, mas de novo quis bancar a emocionalmente poderosa e não entrei em discussão. 


Me senti muito forte naquele momento, achei incrível ter sido jogada no meio da roda pelos meus cruéis primos e pela primeira vez em anos não ter reagido. Uma psicóloga amiga da familia veio me parabenizar, dizia que meus primos me perseguiam porque eu caia em provocação, se eu ignorasse como estava fazendo agora então eles me deixariam em paz, começariam a ver mudanças em mim.


O problema é que os dias se passavam e eu não sabia como avisar minha avó que não podia visitar ela porque meu primo tinha proibido, ele era esperto, fazia as coisas de um jeito que ninguém percebia o quanto ele era diabólico.


Eu tinha uma relação estreita naquele momento com minha avó, que estava confinada na cama. Eu sabia das revistas preferidas dela, da marca de chocolate e dos perfumes, já que tínhamos isso em comum.


E tive que viajar, mas pensei que quando voltasse tentaria avisar ela que eu tinha sumido para evitar um confronto com meu primo, porque agora eu era uma ''mulher que controla seus impulsos e não vive de maneira tão intensa''. Eu finalmente não estaria ''dando pano para manga'' para meus odiosos primos, meu silêncio provaria à todos que eu era 

''madura'', ao contrário deles que sempre estavam me provocando.

No meio da viagem fiquei sabendo que minha avó tinha morrido. Morreu assim, sem nenhuma explicação do meu sumiço, porque a família sempre foi clara:

- Isso é briga da Iara ( pra variar) com o fulano que é um santo.

Ninguém falou nem avisou ela o porquê de eu não ido visitá-la. Eu sumi no espaço sem ela saber meus motivos, apenas porque eu estava sendo coerente e controlando as minhas emoções, milhões de vezes pensei em ir na casa do meu primo e entrar para falar com minha avó, mas ao pensar no rolo que seria eu preferia pensar que agora era uma ''mulher madura'' e pessoas assim não agem no grito.

Tudo isso me persegue até hoje, já falei com minha avó em sonhos, em orações, em tudo, peço sempre que perdoe o meu erro, eu só queria agir como todos e ser normal, estava cansada de ser chamada pela família da minha mãe de '' essa maluca temperamental''.


Pela viagem não pude ir nem ao velório nem ao enterro, minha avó sumiu da minha vida como se não tivesse existido nunca.


E ontem aconteceu outra coisa que me fez perceber que eu não me ajusto na roupa da ''mulher madura que controla seus sentimentos'', passei por uma situação há uns dias que me deixou magoada e resolvi ser adulta. Evitei pensar no assunto e não quis reagir, porque eu sou ''madura'' e posso pensar antes de abrir a boca, finalmente sou um '' ser humano'', um ser consciente e racional, posso controlar minhas emoções.


E vi alguma coisa que me lembrou a situação, aquela que eu nego existir para não ir e resolver. E me deu vontade de chorar e resolvi não me controlar, sentei e chorei. E de repente percebi que estava chorando por tudo o que tinha segurado nos últimos dias tentando fingir que eu tinha ''lidado com a situação de maneira adulta''. Percebi que estava machucada com tudo, que foi mentira pensar que eu tinha '' relevado e entendido os motivos alheios''. Tive que chorar para perceber que não superei nada em relação a isso e ainda me doí tudo ali.


Mesmo com a dor da descoberta acordei mais aliviada, porque  percebi claramente que existe um abismo entre quem eu sou e quem eu tento ser. A única grande diferença é que ser quem eu sou nunca me fez perder ninguém nem chorar escondido de repente, mas quem eu tento ser me massacra e me fez perder minha avó, deixei ela ir sem explicações da minha parte, justo ela que tanto merecia isso.


O único problema agora é que fiquei no meio, de tanto fugir de quem sou parei no abismo, no ar, e nem sei mais quando sou eu e quando sou quem quero ser. Mas até decidir isso não quero mais perder ninguém nem ficar chorando escondido por uma situação que me quebrou o coração durante dias.

Ir lá e resolver teria sido terrível na hora, mas já teria passado tudo, mas ao não fazer isso fico a mercê da minha alma,  que do nada  aparece e aperta.

E lamento do fundo do meu coração que minha avó tenha pago meu erro de querer ser o que não sou. Lamento profundamente que ela tenha morrido sem saber o motivo do meu sumiço e lamento mais ainda ter chorado tanto ontem pelos dias que acumulei a dor. Isso não é maneira de viver, sentindo e causando dor, apenas para ''tentar'' ser o que não é.

Iara De Dupont





3 comentários:

C.Belo disse...

Bem, os mais velhos costumam ver coisas que para nós ainda são nebulosas. Seu primo pode até ser um belo hipócrita, mas sob os olhos de alguém mais vivido não existem tantos enigmas em torno de quem é quem. Enfim, será que ela de fato não sabia o porque de vc ter se afastado?

Mas de qualquer jeito, é chato mesmo não poder ter uma boa convivência com pessoas de nossa própria família. Chato demais isso, eu posso falar por mim que eu hoje em dia aguento cortar contato com quer quer que seja, menos com algum familiar próximo. Eu pelo jeito sou igual a vc, encaro de frente, tenho essa mania de por as cartas na mesa, nada de "deixar esfriar". Bem, pelo menos sou assim com quem eu julgo que vale a pena. E pelo que vc narra, esses teus primos não valem.

Poeta da Colina disse...

Um, nenhum, cem mil...

Iara De Dupont disse...

Poeta, maravilhoso te ver por aqui...obrigado!

C.Belo, meus primos são uma tragédia genética, mas tenho que ser honesta, ficam ótimos no meu blog, com eles nunca me falta assunto, foram trinta anos de convivência..
beijos!

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