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26 fevereiro 2014

Novela "Em família'': Globo vocês merecem esses atores mimizentos


Em alguma timeline no Facebook li uma frase atribuída a um monge, onde ele dizia que ''apenas reclamamos da nossa realidade porque não conhecemos uma pior''.

Sou obrigada a concordar, apesar de ser uma '' reclamona oficial'', mas tenho consciência que neste mundo somos seis bilhões de vidas e nem todas devem ser tão incríveis, a grande maioria está em condições que nem o mundo imagina.

Uma vez conheci uma médica espanhola que defendia a unha e dentes o programa ''Médicos sem fronteiras'', desenhado por um ONG internacional que contrata médicos e manda eles para lugares remotos do planeta onde se precisa de ajuda. Ela defendia o projeto pela questão de mudança interna, porque o médico era tirado de uma realidade e colocado em outra tão difícil e violenta que acabava sendo um processo de crescimento espiritual para as pessoas enviadas. Contava o seu caso, uma mulher de classe média, de Madrid, acostumada a sair com os amigos, curtir a vida e reclamar do salário dado pelo governo no hospital público que trabalhava. Resolveu entrar no programa Médicos sem fronteiras e acabou na Índia, trabalhando no auxílio as prostitutas. Voltou a Espanha anos depois chocada com o que tinha visto e vivido, na Índia as prostitutas são consideradas uma das escalas mais baixas do ser humano, são isoladas e maltratadas e seus filhos não podem nem sair do prédio onde moram, para não contaminarem outras crianças energeticamente, por aquela velha história que existe ali sobre os ''intocáveis'', pessoas que pertencem a parte mais baixa da sociedade e não podem se misturar nem olhar nos olhos de outros.


Quando a médica voltou a Espanha sua vida era outra, parecia agora tudo maravilhoso, inclusive seu salário em hospital público. Por isso ela dizia tanto, antes de reclamar da sua realidade conheça as outras.


E hoje saiu uma nota no portal da UOL dizendo que os atores da novela global das nove, '' Em família'' estão revoltados, porque vão ser obrigados a trabalhar no carnaval.

A novela começou a ser feita em setembro e tinham um número ótimo de capítulos adiantados, como se diz no meio, uma frente boa, os atores estavam trabalhando tranquilos e no sossego, até a estréia, onde a Globo percebeu que o público não gostou da novela e mandou o autor acelerar a história, isso levou capítulos inteiros ao lixo e por mudar o rumo da história muitas coisas se perderam, ficou sem nexo nem explicação, o que piorou ainda mais a audiência.

Os atores recebiam os textos com tempo e tinham ajuda de uma preparadora de elenco, mas agora o tempo está curto e as cenas tem que ser gravadas logo, quase que em cima da hora, a novela tem agora uma semana de frente, o que não é nada, a Globo chega a ter quatro semanas de frente.


Tudo isso mudou o clima nos bastidores, alguns atores estão revoltados porque vão ter que gravar e não vão poder viajar no Carnaval e outros porque vão perder o cachê dos camarotes, já que fazem presença vip. O caldo entornou e a tendência é piorar, já que a novela tem apenas um mês no ar, a Globo já mandou cortar e acelerar o máximo para que a novela seja curta e o prejuízo menor.


Essa é a realidade do Projac, os atores revoltados por terem que trabalhar durante o carnaval em uma empresa conhecida por respeitar todos os direitos do trabalhador. Ninguém está ali de graça e são muito bem pagos, mas estão revoltados.


O outro lado da moeda são pessoas como eu, formadas em Artes Cênicas que não trabalham em televisão porque não tiveram oportunidade. E os outros lados, porque existem mil, são piores do que isso.


Quando cheguei em São Paulo tive que ir ao sindicato para arrumar meus papéis. Na época fiquei amiga de um rapaz ali que me ajudava, porque o trâmite era longo e descobri que morávamos perto, então quando eu ia lá levar algum papel eu esperava ele sair do trabalho e voltávamos juntos, porque eu sempre tive medo de andar nessa parte do centro de São Paulo, lá pela Avenida São João. Algumas vezes eu chegava mais cedo e tinha que esperar meu amigo, então eu me sentava e ficava escutando o que as pessoas diziam para ele.


Poucas vezes fiquei tão chocada, porque era uma realidade que eu não conhecia, a de artistas de circo e de grupos de teatro, que em seu momento tinham largado tudo para ir atrás do seu sonho, foram trabalhando durante anos no Brasil inteiro e de repente voltavam a São Paulo, sem família, sem aposentadoria e morrendo de fome, estavam velhos e terminavam morrendo na rua.


Escutei todo o tipo de histórias, uma pior do que a outra. Também vi artistas de rua irem ali pedir ajuda porque eram perseguidos pela polícia e não podiam trabalhar, como o caso de um rapaz que passou na televisão, ali tocando sua guitarra incomodou uma vizinha classe média, que fez questão de chamar a polícia e acabar com o meio de sobrevivência do moço.


E vi isso com pintores, poetas, com todo o tipo de artista. Escutei no sindicato histórias inteiras de pessoas que se dedicaram a sua arte e agora morriam de fome nas ruas. E claro que o sindicato não podia fazer nada, ora quem faz?

Eles tentavam, mas sem recursos não conseguiam vaga nem no asilo conhecido como '' Retiro dos artistas''.

No Facebook circula muito uma frase clássica '' Um país é conhecido pela maneira que respeita seus animais ou não''.

Eu diria a mesma coisa, apenas mudaria ''animais'' por ''artistas''.

Nenhum país é conhecido pela sua política, ao menos que seja radical demais, nós conhecemos o mundo pelo o que os artistas de cada lugar nos mostram, seja cantando, dançando, pintando, escrevendo, interpretando.


E o Brasil é um dos países mais desalmados nessa questão, capaz de ignorar a todos e ainda proibir de trabalhar. O Estado não chega nas cidades miseráveis, não chega a luz, nem o esgoto, mas o circo e o teatro chegam, carregados de pessoas que trabalham o dia inteiro, que muitas vezes não recebem nada, eu mesma já trabalhei em cidades perdidas o onde a única coisa que a população podia nos oferecer era um prato de comida e nós aceitávamos na maior alegria, fazíamos aquilo por amor e pode parecer idealismo, mas poucas coisas esquentam mais o coração humano do que levar uma peça de teatro a um lugar que não  tem nem luz. A maneira como as pessoas recebem  a arte sempre nos deixa a sensação de que aquilo ali vale a pena, apesar de toda a miséria ao redor.


São estradas sem asfalto, apresentações sem pagamento, dias sem a família, pouca comida e um coração apertado de ver tanta gente sofrendo na ausência do Estado. E agora vem esse bando de ator mimizento da Globo reclamar por trabalhar no carnaval!


Como eu posso ler isso sem me indignar? Tenho vontade de chorar de raiva e não só por mim, mas por todos esses artistas que estão morrendo de fome na rua e ninguém se importa com eles. E esse bando de mimados que recebem cheques milionários em vez de agradecer trabalhar debaixo do ar condicionado e do cheque garantido, se revoltam e colocam a emissora em uma situação tensa, como se a direção da Globo precisasse disso.


E digo mais, Globo, vocês merecem aguentar esses seudos atores reclamando, porque de gente que estudou como eu, vocês não querem nem saber, atores de teatro que trabalham fins de semana e jamais reclamariam de trabalhar em um carnaval, esses vocês também descartam. Então se preparem e se virem para conter suas crianças mimizentas, que ainda vão aprontar pelos próximos oito meses de gravação.


Assim como tem o '' Médicos sem fronteiras'' deveria também existir os ''Atores sem fronteiras'', aí era só pegar esse elenco mimizento e mandar lá pro fundão do Brasil, pra fazer teatro em troca de comida e pegar todos os artistas que tanto deram e dão a este país e colocar em uma zona de conforto uma vez na vida, um estúdio com cafezinho e banheiro limpo. A troca ia fazer do pessoal da Globo pelo menos melhores pessoas e dos artistas seria o que se chama ''justiça divina'', um pouco de reconhecimento, nem que seja no último ato.



Iara De Dupont


Um comentário:

Claudia disse...

Seria uma boa idéia, assim pelo menos alguns atores trabalhariam no teatro pelo menos uma vez na vida( dependendo do caso até leriam algum texto), pra conhecer a realidade dos atores verdadeiros.Sem pompas, paparazzi ou cachês, o trabalho na sua essência

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