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18 fevereiro 2014

Não cedi antes e pelo jeito não vou ceder jamais...


Em um grupo de teatro que estive um ator saiu e o diretor chamou outro, que era muito conhecido no meio e  tinha uma trajetória incrível. Éramos um grupo da mesma faixa etária e todos ficamos intimidados com a presença de um ator tão experiente.


Eu não percebi isso até que o diretor chamou as atrizes e disse que até nosso tom de voz estava diferente, como o ator falava baixo estávamos inconscientemente fazendo a mesma coisa, em uma frequência de ''adaptação''.

Mas isso não acontecia com os atores, eles pareciam nas mesmas.

Na época eu não entendi bem o que aconteceu, lembro da mudança de ares no grupo, as atrizes se fecharam um pouco e mudamos algumas coisas sem saber, lembro muito de alguns olhares entre umas atrizes, mas eu não pesquei a situação.


E só entendo hoje  o que aconteceu ali porque recentemente passei por uma coisa similar. Tenho um espírito rebelde e sempre tive uma dificuldade enorme em me ''adaptar '' aos outros, mas eu fui educada como mulher para me ''adaptar'' e passar por cima de mim, como se eu não importasse nada. Naquele grupo o que aconteceu foi claro, uma presença nova e intimidante e as atrizes como mulheres tentavam se ''adaptar'' a essa nova pessoa, esperávamos que ele marcasse o ritmo, ficamos a espreita, porque todas vínhamos de educação machista, mulheres fazem isso sem perceber, elas não questionam nem agridem um homem, elas tentam se ''adaptar '' porque desde pequenas são ensinadas se comportarem assim. Eu lembro muito bem das coisas que meu avô não gostava, ele deixava claro isso, mas não tenho a remota ideia do que minha avó não gostava, nunca disse nada, até o que se comia na casa dela era ao gosto dele, nunca ao contrário.


Na maioria dos meus namoros aparece essa pedra, eu não me ''adapto'' ao outro, luto por manter minha independência e liberdade, mas isso ofende demais aos homens e é questão de segundos que a guerra comece.


Namorei um cara que adorava exposições, coisas que eu não curtia muito. Mas eu ia, porque depois de tantas vezes que escutei que eu ''não cedo'', ''não me adapto'', resolvi mudar. A minha natureza é simples, se eu não tenho vontade de ir a um lugar, eu não vou, se não quero fazer, não faço, era mais simples dizer ao Romeu que eu encontraria ele depois da exposição. Não tive como fazer isso porque meus ouvidos já estavam cheios de conversa alheia, sobre o meu espírito livre que não fazia nada para agradar um namorado. De tanto que escutei, resolvi abaixar a cabeça e ir. 


Não era tão ruim a exposição, mas depois me deu vontade de comer uma coisa e Romeu queria outra, e ardeu Troia, apesar da minha voa vontade.


Cada vez mais vejo o desenho claro, o mundo machista espera e educa a mulher para que se ''adapte'' ao homem e seus gostos, quando não faz isso a corda aperta, eu que o diga.


E passando por isso de novo, com outro Romeu, escutei que eu atropelei ele, que se eu tivesse tentando entrar no mundo dele as coisas teriam dado certo. Porra, e eu não tenho meu mundo? Pra que eu preciso de outro?


Tenho plena consciência que um relacionamento são dois mundos e uma ponte, ceder e relevar é importante para que a coisa funcione, o que eu não consigo lidar é com a parte de ter que ceder e me adaptar imediatamente apenas porque a outra parte é ''um homem'', como se fosse uma criatura acima de mim, um ser superior.


Não faltou gente para me dizer- Te avisei, se ferrou de novo porque não sabe ceder em nada!


E o outro lado? Alguma vez cedeu? Ah, mas não é uma guerra, não é questão de ceder, é questão de gostar e ficar junto. Concordo com isso, mas cheguei a um ponto que não tenho mais condições nem físicas de lidar com tanta pressão e me sinto empurrada a ceder e me adaptar ao outro, apenas porque o mundo é machista.


Não tenho mais vergonha de dizer isso, mas não quero me adaptar a ninguém, já tive suficiente trabalho para me adaptar a mim mesma, imagina agora passar por isso de novo com uma pessoa.


E meu amigo me diz:


-Então respira  fundo porque vai ficar sozinha!


Melhor sozinha do que acompanhada e adaptada, como se eu não fosse nada, além de um cãozinho atrás do dono. Vou discutir com meu espírito nesse ponto da vida? Ele é livre e não tem tempo para se adaptar aos ''outros'', paciência. Mesmo assim não mudo ele, poucos sabem, mas existe glória em se aceitar e ser o que é, simples assim.



Iara De Dupont


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