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12 fevereiro 2014

Não brinco mais disso


Tempos atrás fiquei apaixonada por um escritor. Ele era irmão do meu amigo e acabei conhecendo. Fiquei encantada, fascinada, gamada. Ele era e é um homem lindo, doce, inteligente, mas como a grande maioria, ou talvez não, gostava de mulheres perfeitas, então imagino que por isso não entrei na sua vida. Sempre vi ele namorando modelos bem sucedidas e atrizes famosas e as que eu conheci era mesmo muito bonitas.

Mas eu tinha uma ligação mental com ele muito boa, a gente se dava bem. Nunca soube o que ele pensava disso, mas sempre foi gentil com a amizade e as vezes que visitei ele na sua casa fazia o jantar.

Era óbvio que ele sabia que eu era outra fã apaixonada, nunca duvidei disso. Mas ele não dizia nada e eu ficava na minha. Um dia eu não aguentei e falei que estava apaixonada, ele  sorriu e me respondeu que gostava de outra.

E continuamos amigos, o problema é que o irmão dele era ator e fazíamos parte do mesmo grupo, então muitas pessoas ali sacavam que eu era louca pelo escritor. Nunca consegui disfarçar, eu ficava quieta, mas era só ver ele que me rosto se iluminava.

Então uma gota aqui outra gota ali, as pessoas começaram a me convencer que grandes amores podem nascer de uma amizade, todos viam que nossa relação era boa e ele parecia feliz ao meu lado, então por que não tentar? Fiz no auge da minha inocência o que me diziam para fazer, fiquei por perto. Virei presença marcada na vida dele, fui a amiga que consolou ele pelo fim do namoro, fui a que correu a farmácia quando ele ficou doente, acompanhei ele para comprar um presente para outra que ele gostava e tentava estar sempre ali.

Eu reparei na época, porque ele dividia apartamento com outros amigos, que eles me viam de maneira estranha, não me assimilavam, hoje entendo que deveriam ter pena, porque meu comportamento era muito idiota mesmo. Uma amiga minha pescava comentários dele e dizia que ele gostava de mim, mas por algum motivo não assumia isso.

Tenho plena certeza que ele gostava de mim, mas como amiga. Fiz isso até que um dia contei tudo para outro amigo e ele me deu uma bronca gigante, me chamou de tonta, me disse que eu não entendia a cabeça masculina, ficou revoltado e tentou me explicar:
-Iara, homem divide mulher em duas, a puta e a santa, nesse caso seria a ''amiga'' e as que ele ''gosta''. Se o homem gosta de um mulher, ele cai pra cima, senão gosta ele se afasta, isso de amizade não existe, o máximo que pode rolar é um dia ele estar carente, você está  por perto e acaba rolando sexo, mas no dia seguinte ele vai se levantar e te tratar como amiga, não como uma mulher que ele goste. Sai fora de brincar de amizade, homem não brinca disso, somos visuais, se a gente gosta a gente quer na hora, não fica enrolando uma amizade falsa.

Fiquei com aquilo na cabeça porque era então um padrão que eu repetia muito, eu me aproximava e virava amiga, na esperança de um dia ele reparar em mim. Minha mãe me dizia que isso sempre dava certo, a amizade soldava e dava margem para outras coisas, inclusive o amor.

Sempre tive e tenho amigos homens, mas não tenho nenhum interesse neles como mulher, mas como eu aprendi muito nessas amizades achava que ser amiga poderia ser uma ponte.

Anos depois comecei um namoro e terminou, eu estava apaixonada e insisti em manter a amizade, ele sempre se negou, dizendo que entre duas pessoas que um dia se gostaram amizade não dava certo no começo, teríamos que esperar algum tempo para que a poeira abaixasse. Eu sofri demais naquilo  e em outros namoros aconteceu a mesma coisa, eles se recusavam a manter a amizade comigo depois do rompimento.

Esse assunto se encerrou para mim por anos, tenho um ex que mantenho a amizade, mas é porque sou ainda apaixonada por ele e ele se mostrou o melhor amigo que eu podia ter ,mas fora isso cortei o resto, coloquei as coisas no lugar.

Mas a vida faz questão de tirar tudo do lugar, é a função dela, então me colocou em outra posição, depois de um breve e louco momento, o Romeu me propôs uma amizade. Na hora era tudo tão confuso e estranho que aceitei, mas depois pensando cheguei a seguinte conclusão, por que porra eu seria amiga de um homem que gostei e ainda gosto um pouco? Por que eu me colocaria na posição de ficar de amiga, escutando ele falar sobre outras? Por que nesta altura da minha vida e já passando dos trinta vou brincar disso? Se quero ser vista como mulher por ele  por que vou aceitar que me veja como a amiga fofa e meiga que consola nos dias ruins? Eu quero que se foda, ele que pegue a amizade dele e faça o que quiser com ela, não quero nem saber, não troco mais o privilégio de ser vista e amada como mulher pela amiguinha assexuada que fica sozinha e sonhando com ele nas noites de verão. 
O fim com ele foi tão turvado, tão sem sentido, que uma ''falsa'' amizade a única coisa que me faria seria me magoar e ferrar mais ainda minha frágil auto estima com os homens, já que me acostumei a ser vista por eles como a ''gracinha fofa da amiga'', mas nunca como a '' mulher que eu quero ficar''.

Já não brinco disso, não quero ser amiga de quem eu gosto, ele tem o direito de não gostar de mim, entendo essa parte, mas eu não estou obrigada a fingir um sentimento, criar uma amizade alimentando a esperança dele um dia voltar. Se foi embora porque quis, então que pague todas as consequências de sua escolha. Amizade é como ouro, não é para qualquer um e hoje consigo ver isso com clareza, de um lado que fiquem meus amigos e do outro os homens que amo ou amei, mas não misturo mais essas duas linhas, cansei de brincar disso.


Iara De Dupont

2 comentários:

Suzana Neves disse...

Ai atè me doeu,fiz tanto esse papel de agradar querendo uma migalha.

C.Belo disse...

Iara, eu tenho uma teoria sobre isso de amizade com ex: a pessoa só aceita esse papel de amigo de alguém com quem já se relacionou fisicamente pq no fundo teve seu orgulho ferido pelo rompimento e quer provar algo ou pq ainda gosta/ se arrependeu e quer alimentar a esperança de que algo possa surgir novamente. No meu caso, admito que na única vez em que tentei amizade com ex me encaixei na primeira opção.

A experiência foi péssima, acabou bem mal e essa falsa amizade só serviu pra que ele tivesse munição contra mim depois que cortamos contato de vez. Numa amizade vc conta as coisas que te afligem, certo? Pois é, numa AMIZADE. Eu contei coisas a ele das quais me arrependi, pq ele as usou contra mim na hora em que essa minha ex amiga víbora adicionou ele (com o pretexto de terem um amigo em comum). No início eu fiquei na minha (afinal, quem não procura não acha, certo? Errado!), mas não demorou pra ele começar a me atualizar de coisas que ela vinha falando sobre mim, coisas que ele sabia que iriam me afetar (afinal, ele sabia do que aconteceu entre mim e ela), enfim, coisas que AMIGOS não fazem! Resumo da história: ele provavelmente tomou a iniciativa de "manter amizade" comigo pq, no fundo, deve ter ficado MUITO ressentido com o fato de eu em pouco tempo depois do chute que ele me deu ter começado a namorar e ter casado e se não bastasse ter tido uma filha!

Humildemente, se eu puder te dar um conselho, é que vc se afaste de vez MESMO, nada daquela coisa de "ir saindo pela tangente", se afastando de forma sutil...NADA DISSO, tem que se afastar mesmo, cortar o mal pela raiz; como dizem os antigos, quando um não quer, dois não brigam. E como vc mesma disse num post anterior, a sua obrigação é com VOCÊ MESMA, mais ninguém. Não é egoísmo; o exemplo bem esdrúxulo que eu costumo dar às pessoas que rezam naquela velha cartilha de que a mulher tem que ser solícita, compreensiva e abdicar de coisas para si em prol dos outros é o seguinte: num apocalipse zumbi, como em "The walking dead", se estivéssemos somente eu e minha filha de 3 anos e pouca comida, eu não pensaria 2 vezes em comer boa parte dessa comida para garantir primeiramente a minha sobrevivência! E seria justamente pensando nela que eu faria isso! Então sendo assim, pq tem de ser diferente com os relacionamentos? Pq temos de nos sacrificar em relações que não nos fazem bem em prol de não magoar os sentimentos dos outros? Meu lema é: ex bom é ex morto (figuradamente, claro). Tentar uma amizade com ex é como tentar trazer à vida alguém morto, e a literatura já nos provou que isso dá em merda e com isso criaremos um monstro que se voltará contra nós. Melhor deixar quieto.

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