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20 fevereiro 2014

Meus porquês ( porra, Fê!)


Tenho uma vida igual a de todos, por isso é impossível sentar com uma velha amiga e contar tudo o que acontece. Até adoraria fazer isso, mas moro em uma cidade louca, seca e desgovernada, onde o tempo é artigo de luxo.
Então algumas pessoas que me conhecem passam aqui no blog para saber o que está acontecendo. Já sabem que isso aqui é como uma padaria, só escrevo no fresco e quente, não consigo esperar dias para esfriar uma emoção, não consigo me afastar e analisar o que sinto e depois voltar. Praticamente faço isso escrevendo. Se deixo passar um dia perco o interesse em escrever o que tanto se mexia na minha alma, por isso também não programo post nem escolho assunto, rara vez sei do que vou escrever até começar.

Minha amiga passa aqui e lê o  POST '' Minha orelha foi tua'' e me manda um e-mail dizendo  ''Porra, Iara, de novo? Nem me diz que foi aquele fulano, eu te avisei, por que você caiu de novo nessa merda de conversa? Te falei que era roubada!''.

Pois é. Por que eu caí de novo? Venho explicar para minha amiga isso, por que eu caí de novo? Porque sou humana, eu falho e espero coisas boas, não consigo pensar que o mundo é apenas esse lixo que está diante de todos nós, me recuso a pensar que o ser humano é esse robô sem sentimentos que vive preso a emoções rasas e programadas.

Tenho sangue e poucas vezes ele parece suco de laranja. Tenho a necessidade de acreditar em coisas doces, em momentos legais. Não consigo ser fria o dia inteiro, não consigo me esconder detrás de um super rímel, não consigo ir pela vida achando que todos os homens estão mentindo, tento acreditar que algum deve dizer a verdade.

E que mais eu posso fazer? Já mudei tanto! Desde pequena aprendi a mentir para não magoar ninguém, sorrir para esconder as lágrimas, dizer que ''tudo bem'' quando nada estava bem, esconder minhas dúvidas e dores.
Que mais resta? Pago meus impostos, sou discreta, não brigo com os vizinhos, cumprimento meus inimigos, desejo boa sorte aos meus desafetos, mando beijos para quem me odeia, fingo ser ótima em situações que sou péssima e já comi coisas por educação.

Querida amiga, não posso mais, o meu limite é esse. Sim, eu cai na conversa de outro Romeu e posso te garantir que ninguém paga mais as consequências do que eu, é minha pele que rodou, não a sua.

E foda-se se é como você diz, ataque de carência, que seja o que for. Eu preciso errar um pouco na vida, não consigo manter tudo tão artificial, o sintético me afoga, o verniz me sufoca. É vital para mim acreditar em alguém, achar que os animais têm alma, chocolate cura o coração quebrado, sol faz bem, lua dá sorte, água com limão cura qualquer doença, árvores tem coração, é só chegar perto e escutar. E não me explico e não me justifico, vivo assim, na corda bamba, me dividindo em mil passos para não cair, mas acreditando que alguma coisa boa ainda é possível.

Como vou viver pisando em ovos e evitando tudo que machuca? Como vou programar  minha vida de uma maneria estéril e deserta, para que nada altere meus planos nem me faça chorar?

Fê, eu sou humana e devo ser a última em ter orgulho de dizer isso, mas eu não consegui como o resto do mundo jogar cemento em meu corpo e endurecer, não consigo ir pela vida dizendo- Isso não é meu problema. Perdi o trem e você sabe, não consegui me azedar a tempo e largar minha pele humana, fiquei no estágio inicial, aquele que todos odeiam, eu ainda sou humana.

E posso te escutar aos berros ''Mas é homem, já viu homem que não mente?''.

Ora, eu sou mulher e minto! A mentira precisa de um caráter ruim para crescer, não só em homens ela aparece e se multiplica.

Prefiro o erro, tropeçar, que viver de uma maneira falsa, usando tudo ao meu redor para construir um mundo que não existe. Não gosto de bebidas energéticas, nem comida em plásticos, nem fruta seca. Quero tudo fresco, novo, zerado, pronto para começar. 

Tudo bem, você tem razão, ele mentiu. Mas eu não menti, minha maneira de viver é assim, quero ficar o mais próximo dos sentimentos humanos que eu puder, mesmo que sejam ruins, mas não quero viver calculando tudo e me protegendo de todas as palavras.

Depois de tanto tempo de amizade, ainda preciso te explicar quem eu sou? Você sabe disso, cores não me escondem, luzes não me atraem e sombras não me afastam. Quero viver do meu jeito e ele é esse, acreditando em alguma coisa boa, nem que dure um segundo. Quero acreditar que os gatinhos do parque ficam felizes quando me veem chegar com sua comida, quero acreditar que posso ver figuras nas nuvens, que existem outras vidas e que um maçã por dia mantém o corpo saudável. Quero abraçar tudo o que acredito e manter afastado tudo que me quer pasteurizada, plastificada, engomada, paralisada. 

Eu te disse aquele dia e fui sincera, antes de conhecer mil Romeus, eu te confidenciei ''Fê, eu quero acreditar que existe alguém como eu neste mundo, não quero morrer sem conhecer''.

Você sabe, eu quero acreditar nisso. Mais uma vez errei, mas ainda quero acreditar, não quero viver na mentira das relações artificiais e controladas, eu apenas quero acreditar que existe no mundo alguém como eu. 

Fê, eu quero acreditar que existem tempos melhores, pessoas melhores, uma Iara melhor, mas vou fazer o que se tenho que passar por tantos erros antes? Vou me congelar e criar uma pessoa fria, desconectada do mundo? Você sabe como sou, eu preciso acreditar. E vou te dizer, o tempo que acreditei nesse último Romeu fui feliz e te contei esse momento.

Para mim valeu a pena, porque são esses minutos de felicidade verdadeira que me fazem acreditar em uma eternidade feliz.

Eu não cai, apenas acreditei de novo. E se você é minha amiga se prepara, porque eu ainda vou acreditar muito. Melhor segura minha mão e deixa eu te contar como fui feliz no dia que acreditei no Romeu. Só sei viver assim, acreditando e longe de todos os recursos para virar robô, quero manter minha essência humana, quero viver e morrer como uma pessoa, não como um avatar virtual perfeito.

Fê, não saia da minha vida, talvez eu vou ser a coisa mais humana que você vai conhecer.
Posso errar muito, mas meus erros não conhecem a maldade, apenas a vontade de acreditar em alguma coisa boa.

Iara De Dupont

Um comentário:

Poeta da Colina disse...

Há um preço por acreditar na felicidade. Há um preço por querer um amor de verdade.

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