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25 fevereiro 2014

Brasil: um país de todos (menos dos atores gays)

Sebastian Ligarde e o marido, ninguém morreu
Rodrigo Simas, no Brasil não pode..

Dos países latinos não conheci nenhum mais machista e violento do que o México. Quando eu morava lá ia a um parque fazer exercício e mesmo usando fones no ouvido escutava barbaridades. Na pista para caminhar aprendi logo a desviar, porque os homens lá acham que ''paquerar''  uma mulher é enfiar a mão  nela, então não se pode debaixo de nenhuma circunstância passar perto de um homem ali.

Quando voltei a São Paulo parecia estar no céu. Vou ao parque e não me preocupo se um homem passa perto ou não, porque eles não encostam em mim e nunca escutei nada, tenho a impressão que posso andar ali nua e ninguém vai me perturbar. E não é só a questão de não ser o padrão nacional, o parque está perto de uma escola de samba e muitas passistas saem da academia e vão lá correr, e jamais escutei alguma coisa direcionada a elas.


Mesmo o México sendo um país mais machista coisas acontecem lá que deveriam acontecer aqui. Há uns meses um ator muito conhecido, de larga trajetória, Sebastian Ligarde se casou no Texas com seu companheiro de vinte anos. Sebastian foi galã durante anos nas novelas, o vilão galã. Mas o surpreendente foi a reação da imprensa mexicana, aquilo passou batido, sem grande repercussão. Claro que ele esperou muito tempo, já chegou na casa do sessenta anos, mas ainda assim ninguém disse nada, nem ofendeu. Ele mora em Miami onde continua fazendo novelas direcionadas a '' família latina'', não foi demitido e até agora ninguém morreu pelo fato dele ter assumido que é gay.


É apenas um raio de luz, mas isso acontece com um ator de larga trajetória, os outros que estão começando ainda são obrigados a ficar quietos e manter sua condição sexual, mesmo assim  isso não se compara a perseguição que alguns atores estão sofrendo aqui no Brasil. É uma vergonha pensar que um país machista como o México seja mais tolerante que o Brasil.


A política das emissoras aqui e dos autores é que se um ator assume que é gay o público deixa de acreditar que ele está apaixonado pelo mocinha, esquecendo que a base do ator é a interpretação, não a condição sexual.


A atriz Maria Casadevall passou por essa prensa. Colocou umas fotos no seu perfil de uma suposta namorada. Como ela estava no ar em uma novela "Amor à vida'', alguém deve ter dito alguma coisa, as fotos sumiram e ela tratou logo de ser fotografada com seu par romântico na novela, Caio Castro.


E outro que vem sofrendo uma perseguição é Rodrigo Simas. Não é de hoje que ele vem sendo prensado. Primeiro diziam que ele namorava o ator Marcos Pigossi e agora dizem que namora outro. Rodrigo é jovem e tem um emprego incrível, não precisou estudar nem é bonito, mesmo assim é funcionário de uma empresa e ganha super bem.  Ele tem o direito de viver a sua maneira, mas a imprensa vive publicando fotos dele com outros rapazes e levando até o pai do rapaz a se explicar.


Essa política das emissoras é criminosa, ninguém deveria ser chamado por assessores ou diretores e receber a instrução de '' fingir que é hétero''. No século XXI essa é uma das maiores violências que um ser humano pode receber e Rodrigo ainda está na casa dos vinte, jovem demais para estar debaixo de tanta pressão.


O que eu mais escutei em bastidores de televisão foi diretor dizendo aquela  famosa frase da Folha para todos os atores gays '' não é pra dar pinta''.


As emissoras vivem nos anos cinquenta, ainda apavoradas com a reação das tias da '' Liga de Santana'', organizações super católicas que assistiam televisão preocupadas com a ''moral e a decência da sociedade''. Quando uma coisa saia do caminho, elas corriam para reclamar e as emissoras congelavam.


Mas os tempos mudaram e o público tem que mudar também, o que não é justo é prensar tantos atores e atrizes jovens em um sistema homofóbico e cercados de uma imprensa que adora jogar lenha na fogueira, em vez de apoiar. É vergonhoso que um pai tenha que procurar a imprensa para defender o filho, como se isso fosse desvio de caráter.


E estão todos errados na história, as emissoras por obrigarem todos os gays a se esconderem, a imprensa por sair catando fotos que possam comprometer a pessoa, já se sabendo de antemão que eles não podem se assumir. E os gays também estão errado ao não reagir, se todos os gays da Rede Globo se recuassem a receber esse trato humilhante de ter que esconder sua condição sexual, a Globo ficaria em questão de segundos sem 80% do seu elenco, nem as notícias eles iam ter quem apresentasse. Uma greve dos gays na Globo paralisaria a emissora, isso sem contar o pessoal da produção, apenas o artístico, mas se a produção também entrar em greve a Globo e as outras emissoras iriam a falência.


E a questão não é se assumir ou não, isso é problema da pessoa, ninguém é obrigado a dizer nada, mas também ninguém pode ser obrigado a negar, a se esconder, no momento atual isso é de uma violência sem nome e não pode mais ser tolerado pela sociedade, obrigar um jovem a se calar é uma situação inaceitável para um país. E ainda por cima temos que ver o México lidar com essa questão de maneira mais aberta, ficamos para trás como o país que somos, arcaico, violento, homofóbico, retrógrado e medieval, um país responsável por 46 % dos crimes de homofobia no planeta. Só que tem um detalhe, aos olhos do mundo o México é violento e o Brasil é o paraíso dos gays. Mas que paraíso é esse que obriga seus jovens a se esconderem?



Iara De Dupont

Um comentário:

Suzana Neves disse...

Então ...... fico até sem palavras mas acho que o ponto sempre é se assumir como gay como gordo e etc.

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