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12 fevereiro 2014

A lei do silêncio


Quando minha tia se casou minha avó não gostou, era sua filha mais velha e o futuro marido era divorciado, com quatro filhos e não podia se casar na igreja e também não quis no cartório, então minha avó super conservadora pegou bronca dele, mas apenas avisou minha tia que não seria boa ideia se juntar com ele e nunca mais disse nada.

Anos depois minha tia engravidou e perdeu o bebê, minha avó correu para o hospital, chegando lá o marido da minha tia barrou a entrada dela no quarto, dizendo que '' a perda de um filho era problema do casal, não da sogra''. Minha avó deu as costas, foi embora e nunca mais falou com ele, ficou quarenta anos sem pisar na casa da minha tia, só entrou lá depois que ela se separou do marido.

Todo mundo fez uma romaria na casa da minha avó pedindo que ela perdoasse o genro, que disse aquilo porque estava nervoso. Minha avó se recusou a isso, nem quando o neto nasceu ela foi lá.

Minha mãe é igual, se fica ofendida dá as costas e nunca mais volta. Eu sou assim de vez em quando, mas de tanto me falarem que isso é errado resolvi mudar e me ferrei mais ainda.

Uma vez eu visitei umas tias, irmãs do meu avô. Elas não me conheciam e contaram que minha avó teve uma discussão com elas em um Natal, depois disso nunca mais voltou, ficou cinquenta anos sem falar com elas.

Voltei e perguntei a minha avó se aquilo era verdade e ela confirmou. Eu passei o recado, os anos já tinham ido embora e elas gostariam de conversar com minha avó, depois de cinquenta  anos não viam sentido na minha avó continuar aplicando a '' lei do silêncio''. E minha avó disse que não tinha nada para conversar com elas. Insisti que sempre é bom estar aberto ao diálogo e ela me disse:
- Iarinha, eu só iria lá conversar com elas se quisesse retomar o contato, mas eu não quero. Quando uma coisa acaba palavras sobram, não faça isso de querer preencher buracos com palavras vazias, só volte atrás e se abra ao diálogo se realmente quiser a pessoa de volta na sua vida, caso contrário evite perder energia usando palavras que não significam mais nada.

É lógico que eu não escutei o conselho! Fui para o outro lado, se tinha briga, eu ia lá, argumentava, falava, tentava superar aquilo. Às vezes que fiquei tão magoada e não procurei  me dei bem, aquilo um dia acabou, mas às vezes que corri atrás, tentei recuperar o perdido, me ferrei de verde e amarelo.

E se ferrar é ficar com aquela sensação de ''o que estou fazendo aqui ''?
Passei por isso há pouco, levei um fora e ele adicionou uma amiga no Facebook. E ficaram conversando pra lá e pra cá. No começo achei que talvez tivesse rolado um interesse entre os dois, mas ao olhar a lista da minha amiga achei dois ex-namorados ali. Um deles é meu amigo e eu perguntei o que tinha acontecido, ele me disse que depois que acabamos o namoro, a minha amiga procurou ele e adicionou. Ele achou que eu tinha pedido isso pra ela para ficar de olho.

Liguei para minha amiga e saímos para conversar, ela disse mil coisas e não disse nenhuma. Falou que eles eram simpáticos e não ia carregar minhas bandeiras de ódio com eles, não viu nada de errado em adicionar eles.

Fiquei muito puta com tudo isso, até porque pelas mensagens que pesquei parecia que ela consolava eles e dizia  nas entrelinhas que eu era assim mesmo, '' meio difícil''.

Resolvi me afastar e não falei mais com ela. Mas tínhamos amigos em comum, a turma do '' deixa-disso' e me convenceram a relevar, finalmente uma amizade vale ouro e e ex- namorado não serve para nada.

Voltei a encontrar ela em um batizado e sentamos na mesma mesa e de repente não tínhamos nada para conversar, comecei a encher o espaço de assuntos triviais e lembrei da minha avó dizendo para não perder energia. Fiquei ali, mas depois desse dia nunca mais me encontrei com ela, só aceitaria falar durante dias se eu quisesse ela de volta na minha vida, mas não quero.

E volto ao assunto porque caí de novo no mesmo erro com outra pessoa, tivemos um desentendimento, uma coisa bem chata e a pessoa me ligou para esclarecer tudo, como gosto muito dessa pessoa aceitei conversar, tirar tudo a limpo. Fiquei feliz com a primeira conversa, parece que tudo se explicou, mas ao voltar a ver a pessoa percebi que minhas palavras ficaram vazias, tudo ali acabou, querendo ou não. Não faz sentido essa pessoa na minha vida, nem faz sentido eu tentado achar palavras para preencher o espaço que ela deixou. Já foi e ir atrás é um desgaste besta, não vou conseguir trazer o tempo de volta, o que fomos um para o outro acabou ali no espaço, não tem jeito.

Nunca soube se minha avó sofria por ser assim, mas eu sofro, fico péssima quando isso acontece, mas não tenho de outra, ou eu me retiro e aplico a
 '' lei do silêncio'' que minha avó me ensinou ou eu fico ali parada me desgastando e tentando trazer com a mão o sol que um dia iluminou o caminho dos dois. Vó, você tinha razão, é melhor a lei do silêncio do que preencher o espaço com palavras vazias. De qualquer jeito os dois me doem.


Iara De Dupont

2 comentários:

C.Belo disse...

Os dois doem, mas definitivamente o silêncio é a melhor opção.

Essa sua "amiga", por exemplo...eu só me recordo de algo parecido acontecendo comigo com minha ex amiga, a víbora falsa que até mencionei no outro post; ela e eu cortamos contato e ela adicionou um ex meu! Cara, de fato não é pra se querer uma pessoa assim na nossa vida. sua avó tá coberta de razão.

Suzana Neves disse...

Já me doeu conversar com uma pessoa que foi intima,e notar que nao existe mais nada. Mas parece que faz parte.da.vida sei lá

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