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16 fevereiro 2014

A explicação da intensidade


Às vezes penso que gostaria de ver minha abuelita novamente. Quando ela morreu eu não estava por perto e lamento não ter tido uma compreensão maior do que me dizia. Eu era diferente de todas as netas, coisa que ela gostava e odiava ao mesmo tempo.

Todas minhas tias e primas têm a mesma essência emocional, parecida com a da minha abuelita, impossível saber o que estão pensando. Minha abuelita dizia que era genético, ela era descendente dos mazahuas, uma tribo indígena ao norte da cidade do México. Antes da invasão dos espanhóis, em 1517, o México era um lugar dividido em cidades estados e respondiam ao imperador, que comandava tudo da maior cidade, Tenochtitlán, a capital. Apesar das cidades lutarem para manter sua independência, não conseguiam resistir ao ataques do guerreiros  astecas de Tenochtitlán, que invadiam todos os lugares e levavam comida e pessoas, que depois seriam usadas nas cerimonias de sacrifício.


Os mazahuas foram o único povo que resistiu aos astecas, foram os últimos em serem escravizados, eram conhecidos por serem intelectuais e estrategistas, viviam dando uma enrolada no imperador com poemas, tentando evitar o confronto. Mas ao mesmo tempo eram conhecidos como um povo que ninguém confiava, porque ninguém sabia o que pensavam, até hoje são lembrados por ser um povo extremamente racional, sem grandes emoções.


Minha abuelita parecia moldada nisso, assim como minhas tias. Nunca vi elas reagirem a nada emocionalmente e não sei até que ponto poderiam estar apaixonadas, não vi nem escutei nada.


Eu recebi essa herança da minha mãe, o sangue mazahua, mas pelo lado do meu pai a coisa era mais pesada. Ele vem de família de imigrantes italianos, espanhóis e franceses, pessoas que sofreram demais, ignorantes de pai e mãe, que reagiam a tudo emocionalmente, sem recursos intelectuais sempre explodiam.


Navego nas duas maneiras de ser, mas na época que convivia com minha abuelita eu era mais explosiva, falava as coisas que pensava e peitava todo mundo naquela família, coisa que horrorizava minha abuelita.


Minha abuelitasuspirava e dizia quando me via ''Nunca vi tanta intensidade, essa menina parece do lado dos astecas, sempre pulando no pescoço de alguém''.


Eu ficava brava, meu jeito era sincero e nunca gostei de ser comparada com as múmias das minhas primas.


Depois que comecei o blog percebi o quanto minha maneira de ser deve ter chocado minha abuelita, e penso isso porque estou no Brasil, onde as pessoas são mais abertas a todo tipo de comportamento e sempre tem alguém para me dizer que fica impressionado com minha ''intensidade''. De tudo que meus amigos me dizem a frase clássica é - Menos e ''menas'' Iara, olha a intensidade, não precisa disso!


Recebo e-mails de pessoas que não me conhecem e dizem que eu sofro porque sou intensa, se fosse menos, não sofreria tanto.


Mas o ponto é o seguinte, já está feito, não se muda uma essência em uma vida, você pode contornar e jogar em outra coisa, mas ela continua ali. Aprendi a não explodir em coisas que eu posso evitar, perco energia, mas quando eu gosto, eu amo e quando eu não gosto, eu odeio. Nem chuveiro escapa disso, para mim a água está quente ou está gelada, morna não entro. Não consigo esconder se estou apaixonada ou não, se estou feliz ou não, paciência, intensidade é uma coisa que está no sangue e ferve por lá mesmo.


Queria ver minha abuelita de novo para contar uma história que me disseram. Um tempo depois que minha abuelita morreu conheci uma especialista sobre a cultura mazahua, que me explicou que um pouco sobre tanta riqueza que eu desconhecia. Ela parecia tão apaixonada por tudo isso que perguntei a ela o que a fascinava tanto sobre os mazahua e ela respondeu:


-A intensidade sabe? Eles eram no silêncio deles intensos, pensavam demais, eram estrategistas, guerreiros e defendiam sua cultura de todos os jeitos. Só gente intensa pode viver e morrer pelo o que acredita.

Era isso que eu queria te dizer, abuelita, eu sou mais mazahua do que você  jamais pensou.



Iara De Dupont




Um comentário:

Suzana Neves disse...

No fundo ela sabia.

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