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28 janeiro 2014

Caso beagles: manobra política não é a mesma coisa que princípios éticos

Não soltem a mão dos beagles, porque só Deus sabe o futuro..

Quando eu ficava muito revoltada com o mundo um professor me dizia que algumas coisas boas estão sendo feitas, mesmo que a conta gotas. Eu respondia que eram tão poucas que nem faziam diferença, mas ele insistia que era um começo, melhor isso do que nada, pequenas mudanças agitam a mente humana e começa a criar novos pensamentos.

Semana passada o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin sancionou uma lei que proíbe testes em animais para fins cosméticos e produtos de limpeza no Estado de São Paulo.

Muita gente comemorou, graças a pressão dos ativistas que isso aconteceu.

Mas eu tenho um pouco de conhecimento sobre a causa, muito pouco ainda, e sou cética, então depois de receber e-mails de amigos me perguntando porque eu não estava dando pulos de alegria por essa lei, resolvi então contar minhas reservas.

Antes de qualquer coisas testes em animais exigem muito dinheiro e estrutura das empresas, ao sancionar a lei o governador mexeu com algumas dela, mas estamos em um ano político, e nenhuma contribuição pode se perder no meio do caminho. O Estado de São Paulo não é o Brasil, não sabemos como a jogada foi feita, eu não posso garantir nada porque não vi nada, mas aqui divagando posso pensar que talvez o governador chamou algumas empresas e facilitou a saída deles do Estado, assim a questão se resolve em um passe de mágica, ativistas felizes e empresas longe dos olhos deles.

E não duvido de nada disso porque como muita gente fui surpreendida pela questão da Avon, uma empresa americana, conhecida por ser uma das primeiras em se posicionar contra testes em animais, era tão firme nisso que bancou uma pesquisa para desenvolver pele sintética, para ser usada em testes no lugar dos animais. Ganharam prêmios no mundo inteiro até que se descobriu um esquema, Avon queria entrar na China, um mercado de um bilhão de consumidores, mas a China exige testes em animais, é lei, e a Avon cedeu. Depois que isso veio à tona a Avon se desculpou, jurou que ia fazer alguma coisa a respeito, mas nunca fez, continua mantendo seus laboratórios ali.

Na Espanha uns beagles também foram soltos e isso foi visto como outra vitória, mas não foi boa vontade de ninguém, diante da crise centenas de laboratórios faliram e abandonaram os animais.

O que me chamou a atenção em relação ao governador Geraldo é que não vi ele se posicionar contra testes em animais em nenhuma entrevista, deu umas voltas, mas não disse nada. Isso me garante que foi apenas uma jogada política em ano de eleição. E qual seria o problema se fosse? O único seria se ele estivesse usando o esquema americano, que diante da pressão de ativistas várias empresas disseram parar com os testes em animais nos Estados Unidos, mas o governo americano ajudou elas a se instalarem na fronteira do México, lugar sem lei e lá continuaram seus testes.

Agradar ativista pode dar voto, mas não dá dinheiro, é importante perceber que políticos sempre vão estar de um lado e não é o nosso.

A China também conquistou muitas empresas no mundo, porque ao contrário da Europa e Estados Unidos, onde existem leis que limitam o número de testes em animais ou exigem um mínimo de maus tratos, a China tem leis claras sobre ativistas, eles não entram no país e se entrarem podem ser condenados a pena de morte, fora que nem sabem onde ficam os laboratórios. O mundo ficaria chocado de ver a quantidade de empresas ''boas e verdes'' que estão fazendo seus testes por lá, até porque a China é barata demais, hoje manter um laboratório de testes ali equivale a gastar 10% do que se gastaria em outro lugar.

E qual seria a solução, se tantos mentem? É não fechar os olhos e não confundir uma manobra política com princípios éticos. É importante estar atento e fechar o cerco, estar de olho, porque essas empresas não vão parar os testes, apenas vão mudar de lugar com a ajuda do governo.

Em relação aos animais precisamos de políticos com uma nova visão, precisamos de uma nova mentalidade que ajude todos a entender que essa questão de manter e torturar animais não é aceitável, não é uma coisa que se possa negociar e não deve ser usada como escada para uma futura presidência.

Não comemorei a lei do governador porque só vi os ativistas comemorando, não vi a sociedade nem a classe política e essa mudança que precisamos exige consciência de todos. O que não podemos permitir é a manipulação política, eles querem os votos e nós queremos os animais livres. Não é essa troca que precisamos como sociedade, o que precisamos é que todos entendam que um ser vivo exige respeito e praticar a crueldade nos afasta da sociedade que queremos, uma sociedade que não respeita nada, tortura e mata animais é uma sociedade que vive exatamente como vivemos, defendendo o interesse de poucos e à margem de manobras políticas.

Eu não quero políticos que sancionem leis porque foram pressionados, eu quero uma classe política que me represente e sancione leis porque aquilo ali é o certo a se fazer,  quero ética, não estratégias para ter meu voto. Mesmo assim deixo claro que fico feliz com essa nova lei, espero que seja um começo, mas é fundamental não fechar os olhos, porque desde que o mundo é mundo, empresas e governo têm uma relação bem íntima e longe dos nossos olhos. É aí que mora o perigo.


Iara De Dupont




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