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27 janeiro 2014

México: se não existe Estado tudo é possível

O doutor José (de azul) caindo pra dentro

Vivemos em uma estrutura social, quando ela falha perguntas começam a aparecer e não se sabe quem pode responder.

Há décadas o México vem tendo problemas com o narcotráfico, base do seu problema são seus vizinhos, uns consumidores , os insaciáveis americanos. E existe consumo sim no México, mas nada se compara a tudo que fornecem aos americanos.

O México é um país enorme e vem assistindo como seus estados são invadidos e dominados pelos traficantes, uma nova geração, mais cruel, preocupada em colocar seus crimes em redes sociais e pendurar na entrada das cidades invadidas cabeças de inimigos.

Diante do poder da droga e dinheiro, o Estado não tem o que fazer, de um jeito ou outro políticos estão envolvidos e ganham milhões em cima do tráfico. Não tem polícia nem exercito que possa dar conta do problema e as cidades não podem se defender, ficaram à merce dos traficantes.

E dizem por aí que não existem pessoas capazes de se levantar e mudar as coisas, mas apareceu em uma cidade pequena, José Manuel Meireles, um médico de cinquenta anos e morador de uma cidade, Apatzingán 
( Michoacán), que está no centro do conflito, em uma das áreas dominadas pelos narcotraficantes. José foi sequestrado, teve pessoas da família mortas e decidiu levantar um grupo pessoas, chamados hoje de as auto-defesas. Todos eles são moradores da cidade, usam camisetas brancas, saem as ruas armados até os dentes e não deixam os traficantes entrarem na cidade.

O ponto de vista de José é simples, os traficantes entram na cidade, matam os homens, estupram as mulheres e às vezes levam as crianças embora. A polícia não pode fazer nada, 
nem tem a munição que se precisa nem o pessoal, o exército até tenta ajudar, mas chega dias depois dos ataques, então que se pode fazer? Só se defender, proteger a família, coisa que qualquer um faria.

A existência da polícia é justamente para evitar esses conflitos, esse vale-tudo, mas sem ela as pessoas ficam a margem.

O governo reagiu, chamou José de traficante também, mas ele nega as acusações e tem o apoio da cidade, que tenta se proteger de um novo ataque.

E essa ideia vem aos poucos contaminando alguns estados mexicanos, pessoas começam a se organizar para combater os traficantes, o movimento do auto-defesa começa a crescer.

E onde vai dar? Não sei, mas vai dar merda, porque se mexem todos sem lei, sem eira nem beira, mas quem pode julgar um cidadão que tem a mulher morta e a filha estuprada?  O Estado reclama, diz que não pode virar um filme de faroeste, mas não faz nada, o governo mexicano não enfrenta seus consumidores americanos e a coisa se estende.

É o tipo de situação que pra onde virar vai ser uma tragédia, mas uma nova realidade começa a se desenhar, os traficantes não conhecem as entradas e saídas de todas as cidades e ao saber que vão ser recebidos com balas eles recuam, até agora nenhum grupo de traficantes foi atrás de retaliação.

Mas é uma tragédia social sem proporções, crianças assistem os pais se armarem para defender a família e vão atrás, grupos de mulheres já estão aparecendo em redes sociais, ameaçando traficantes que tentarem entrar na cidade.

Qual seria a solução desse problema? Eu não tenho a remota ideia, apenas entendo a postura dos grupos de auto-defesa, abandonados pelo Estado e pressionados pela violência dos traficantes alguma coisa eles tinham que fazer, mas ao mesmo tempo penso que é gente demais armada e de cabeça quente.

E fico gelada, porque conheço bem o México e sei que tem um desenho muito parecido com o Brasil, ambos sofrem pela ausência de Estado e no ritmo que vamos aqui no Brasil vamos acabar como os mexicanos, todo mundo armado procurando fazer justiça e isso poucas vezes dá certo, viver sem o Estado presente é um perigo, mas viver na época do faroeste também é uma receita para o fim.



Iara De Dupont

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