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24 dezembro 2013

Sim, eu me arrependi


Quando eu estava na casa dos vinte anos conheci um ator que trabalhava na mesma peça que eu, ele devia ter uns dezessete anos.
Não sei porque, mas as coisas são assim, poucas vezes uma moça de vinte anos se apaixona por um de dezessete. E eu segui a regra, não dei bola.
Um dia ele apareceu no ensaio com uma cesta de maças, porque sabia que eu era vegetariana. Fazia listas dos meus livros favoritos e me dava de presente. Escrevia cartas e mandava fitas de música.

Um dia eu encontrei com ele em uma padaria, ele saiu e voltou com um balão gigante escrito ''Sinto tua falta!''
Todo mundo olhou e achou aquilo uma graça. Também levou chocolates aos ensaios e me deu uma revista com meu cantor favorito na capa.

Em uma festa de fim de ano ganhei um urso de pelúcia muito estranho, mas é porque ele tinha visto que vinha com meu perfume favorito e comprou, junto com um cd de Tracy Chapman.
Mas eu não queria nada, na época gostava de ''homens'' de vinte e tantos anos, nem olhava para um menino de dezessete que prestava atenção em todos meus passos.
Em uma viagem a praia encontrei o melhor amigo dele, que também era meu amigo. Eu não bebia, mas ele bebeu e acabamos conversando na praia sobre a vida. Mas não foi isso que ele contou a todos, a história que ele espalhou incluía uma noite louca de sexo na areia, coisa que nunca fiz com ele.
Meu amigo ficou sabendo e não disse nada, eu soube anos depois e não pude me defender de um ataque tão covarde.

Mudanças na vida e encontrei esse menino de dezessete anos depois em outra peça, já era um adulto de vinte e cinco anos. Ele foi frio comigo desde o começo,  havia muito atrito entre eu e o diretor e meu amigo nunca me defendeu, ficou na dele como senão me conhecesse, fazia questão de esfregar o namoro com o outra atriz na minha cara.

Algum tempo depois fiz uma festa de aniversário e convidei ele, que apareceu muito educado e gentil. Não parecia em nada aquele menino magro que eu tinha conhecido, já tinha jeito de homem. No elevador depois da festa ele se virou e disse:
- Eu merecia mais aquela noite na praia do que o Fulano.

Fiquei tão chocada que não consegui responder, liguei então para o amigo fofoqueiro que me confirmou ter dito isso a ele, disse que transou comigo na praia e não ia mudar a história.

Na época sabia pouco de machismo como sei hoje, caso contrário teria levado isso ao limite, queria ver ele em um tribunal dizendo isso, ia processar ele por difamação.

Semanas depois tentei falar com meu amigo, que não atendia mais o telefone. Tanto enchi o saco que a namorada dele me disse:
- Ele foi na tua casa e disse o que tinha na garganta os últimos anos em relação a você, agora não tem mais nada para dizer.

Nunca tive oportunidade de falar com meu amigo, nunca pude dizer do fundo do meu coração o que eu sentia em relação a tudo, mas ele tinha razão, ele não merecia apenas uma noite comigo na praia, merecia todo meu amor, só hoje percebo toda a pureza que ele teve, todos os detalhes e toda a atenção. Ainda guardo em uma caixa todos os presentes que ganhei dele e as cartas, apenas hoje sei que o que ele me oferecia eu não encontro em qualquer lugar e me doeu saber anos depois por uma namorada que eu mudei a percepção dele em relação as mulheres, ele dizia que o amor dele não tinha feito nenhuma diferença na minha vida, mas me jogou nos braços do seu melhor amigo. Ficou com raiva de mulher por minha culpa, por ter achado que enquanto ele era todo meigo e me mandava cartas eu transava com seu melhor amigo.

Lamento ter sido cega e não ter visto todo o amor sincero dele, lamento tudo que aconteceu depois e mais ainda, lamento que ele acredite que transei com seu melhor amigo, um cafajeste conhecido.

Em noites como hoje eu só posso fazer isso, lamentar. Queria poder dizer tudo isso na cara dele, sem mágoa, sem choro, queria que ele soubesse a verdade, errei com ele e sei disso.

Sei que ele nunca vai  me perguntar, mas eu gostaria de dizer mesmo assim, eu me arrependo de ter ignorado esse amor que tão bem me fazia.

Talvez ele morra sem saber, mas não quero morrer sem dizer, lamento tudo o que aconteceu, lamento ter te ignorado e hoje sei o peso de tudo o que você fez por mim. E sim, me arrependi e se pudesse voltar no tempo te daria mais do que uma noite na praia. Me desculpe.

Iara De Dupont

2 comentários:

Claudia disse...

Só posso torcer para que um dia essa postagem chegue aos olhos dele, e saiba tudo que vc quis dizer, nunca se sabe as voltas que a vida dá...

Marta SP disse...

a palavra de uma cafajeste vale mais do que a palavra de mil mulheres decentes, infelizmente, até para homens legais

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